2010-02-13

Anónima não. Com nick sempre

De palavras não sei. Por isso canto
em cada uma apenas outro tanto
do que sinto por dentro quando as digo.

José Carlos Ary dos Santos – Epígrafe



Suponho que na minha escrita há dias em que sou morena e tímida; e noutros sou loira; noutros ainda sou alta, confiante; noutros serei mais masculina e noutros incrivelmente gaja. Talvez porque eu sou, dependendo dos dias, um pouco de cada coisa. Talvez porque a nossa personalidade seja formada por demasiados cambiantes. A minha, pelo menos, é. No fim, sobra que as minhas palavras são apenas um dos reflexos possíveis de mim. Não sou eu, ainda que o que escreva tenha um eu por trás. Não sou as minhas palavras. Ou, pelo menos, não sou apenas as minhas palavras. Sou um mundo de complexos e de ideias, de fragilidades e de forças; sou piada e sou lágrima; sou capaz de me rir de mim mesma, mas também sou capaz de ver em cada frase um ataque. E vai continuar a haver dias em que não saberei ser simpática; como haverá outros em que serei doce como mel. Dias em que escreverei textos onde todos conseguem rever-se e outros em que ninguém saberá do que falo. Tenho motes na escrita. Nem sei bem onde os vou buscar. Fazem sentido ou não, conforme os meus humores. Não serão nunca a minha totalidade, que essa, ainda assim, preservo como posso.

E também é por isso que não tenho um perfil público completo no blogue, nem um nome para além do nome Hipatia. Porque, por mais que digam, a Hipatia é já um nome, o meu nome por aqui, aquele que escolhi usar já há um belo conjunto de anos. Manter o nome que escolhi usar no blogue (mesmo que isso, tantas vezes, já não sirva para nada) é o que ainda posso fazer para me preservar. Para que não tenha novamente de voltar a procurar um espaço onde me sinta livre para escrever, em que não há quem me cobre o tanto que já dei de mim e o que ainda poderia ter vontade de dar. Tudo o mais são opções. E, se respeito as dos outros, que não me cobrem as minhas. A todos cabe a sua razão e a cada um cabe defender os seus motivos. Se eu andasse por aqui atrás de prebendas, talvez já tivesse feito a vontade a alguns e espelhado on-line o nome do BI. Como esse nunca foi o meu motivo, aceitem que quem assina com nick também tem direito a opinião. E argumentem em relação a essa mesma opinião em lugar de desatarem a disparar contra o mensageiro. Essa sempre foi a opção dos fracos, porque mais fácil. E nunca serviu para debater ideias.

Ah! E será escusado mandarem e-mails a perguntar quem sou. Sou a Hipatia, obviamente. E estou aqui, de caixa de comentários aberta e pública. Já não é mais do que em tanto espaço?

4 comentários:

Paulo Abreu e Lima disse...

Seja feita a tua vontade, Carlota Joaquina!:P E para mim serás sempre muito alta, maior de que muitas mulheres, e loira, muito loira (não pelos adjacentes, mas pela luminosidade com que te apresentas neste espaço). Ponto.

(Quando é que vamos ao CC da Mouraria...? A I. também quer ir...)

Beijinhos ternurentos com pendor para o descalabro ;)

Bartolomeu disse...

Pensei que fosses a Hipatia, afinal... és um universo inteiro, em forma de gente.
Deve ser por isso que te amamos tanto.
Pfhhh...

Hipatia disse...

E tinhas logo que me escolher o nome de uma megera meia maluca que papava tudo o que tinha calças e lhe passava à frente? O que vinha a seguir era elogio?

A ver quando posso rumar a Sul. Ando cheia de vontade :)

:*

Hipatia disse...

E não somos todos um universo inteiro, Bartolomeu? Só nos falhamos se não soubermos fazer um big bang à medida :)