E quando pensávamos que o novo formato da Champions era a coisa mais bizarra de 2026, o destino (ou o ocultismo) decidiu dar-nos um pontapé na lógica. Lisboa está oficialmente dividida entre a euforia verde e o exorcismo coletivo.
O Sporting transformou-se no Sétimo Passageiro de luxo e
Alvalade está, finalmente, a viver o sonho europeu sem precisar de tradutor. A equipa fechou a fase inicial num honroso 7.º lugar, garantindo o bilhete dourado direto para os oitavos. Foi uma caminhada de quem sabe o que faz, com uma eficácia que faz parecer que o João Pereira descobriu o código secreto da UEFA. Estão lá em cima, a olhar para o Manchester City pelo retrovisor, com aquela sobranceria de quem já não precisa de passar pelas "plebes" do play-off.
Mas o que dizer do Benfica? O que aconteceu naquela última jornada não foi futebol, foi magia negra. O Benfica estava virtualmente morto, enterrado e com a lápide já encomendada no 36.º lugar. Mas o José Mourinho não veio para Lisboa para rezar terços; veio para invocar entidades que nem Torquemada imaginou. Aos 98 minutos, contra o Real Madrid (sim, o Real de Arbeloa, que agora deve estar a pedir a reforma antecipada), o impensável aconteceu. Anatoliy Trubin, o homem que costuma usar as mãos para evitar desgraças, subiu à área e usou a cabeça para operar um milagre. Um golo de guarda-redes no último suspiro para garantir o 24.º lugar e a última vaga no play-off. Dizem que, no momento do cabeceamento, se ouviu uma gargalhada do Mourinho que ecoou até aos arredores de Madrid. O Benfica passou em último, sim, mas com um estilo que faria o Hitchcock roer as unhas de inveja.
Agora o Sporting já está de pantufas à espera dos oitavos, a ver os outros matarem-se. Quanto ao Benfica, passou com a nota mínima, mas com um efeito especial digno de Hollywood. Mourinho provou que, mesmo quando o autocarro está avariado, ele consegue pôr o guarda-redes a marcar golos.
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