2026-01-06

Novelos e Neuroses



O croché é uma das poucas atividades onde começamos com um fio e terminamos com um tapete para o sofá, três camisolas inacabadas no armário e uma crise existencial sobre o sentido da vida.

Dizem que é relaxante. Mentira. Relaxante é até perder a conta das correntinhas pela quarta vez e perceber que aquele quadrado que deveria ter 20 pontos tem misteriosamente 17. Aí começa a investigação forense: "Onde é que eu comi os outros três?"

O mais fascinante é a velocidade de execução. Lembras-te da tua avó a fazer croché enquanto te prestava atenção com um ouvido e tinha o outro no Anthímio de Azevedo... Parece feitiçaria! Enquanto isso, tu precisas de silêncio absoluto, três tutoriais no YouTube e mesmo assim o teu "ponto baixo" fica com cara de "ponto deprimido".

E nem vamos falar dos padrões: "Faça 3 correntes, 2 pontos altos no mesmo ponto, vire a peça, sacrifique uma galinha à lua cheia..." Parece mais um ritual de magia negra do que artesanato.

Mas no final, quando aquele cachecol torto ficar pronto, vou usá-lo com o orgulho de quem escalou o Everest de chinelos.

1 comentário:

deep disse...

Houve um tempo em que fazia cachecóis para mim ou para oferecer. Tricotar era terapêutico. Atualmente, só faço bolachinhas e licores (em número reduzido)... que engordam.
Um bom ano!