O fim de semana devia levar multa por excesso de velocidade. Passa por nós a 200 à hora, sem cinto, sem piscas, e ainda tem o descaramento de buzinar ao ir embora. Quando damos por ela, já estamos a olhar para o calendário como quem encara um polícia de trânsito: incrédulos, ofendidos e claramente em negação.
Depois vem a segunda-feira de invernia, esse conceito abstrato inventado para testar a resistência da alma. Chove de lado, o céu está num tom de cinzento administrativo e o despertador toca como se tivesse algo pessoal contra nós. O café não ajuda, a roupa está fria e a semana começa com aquele entusiasmo de uma fila nas finanças.
Há injustiças no mundo mais debatidas, é verdade. Mas poucas tão constantes como esta: dois dias que fogem e cinco que se arrastam, especialmente quando a segunda-feira vem molhada, mal-humorada e convencida de que tem razão.
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