Sempre fui ímã de almas tortas, daquelas que o mundo olha de soslaio. Os que têm olhos demasiado grandes para tanta tristeza, costuras à mostra, esqueletos que dançam ao som de músicas que mais ninguém ouve.
Atraio os que carregam abóboras como troféus, os que vestem a escuridão como segunda pele, os que sorriem com dentes a mais ou a menos. São os meus, reconheço-os de longe: pelo jeito desajeitado de habitar o mundo, pela beleza estranha que assusta os bem-comportados.
Não sei se os escolho ou se eles me escolhem. Sei apenas que entre nós há um pacto silencioso, uma cumplicidade de quem aprendeu que ser "normal" é uma chatice insuportável.
Somos a tribo dos desencaixados, e é aqui, neste não-lugar onde ninguém mais quer estar, que finalmente me sinto em casa.
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