2026-01-15

Io, Epona!


Talvez um "Io, Epona!" fosse capaz de ir melhor com a época do que os aleluias convencionais. Estamos naquele momento do ano em que a deusa mãe, sempre tão esquecida, merecia ser lembrada. Agora que os dias já crescem, depois do Inverno que nos afundou em escuridão e frio, é tempo de invocar aquela que nos traz de volta a fertilidade, a vida, os tempos férteis que irão voltar.

Epona, a deusa celta dos cavalos e da fertilidade, devia ter lugar de honra nestes dias. Afinal, é ela quem cavalga o ciclo das estações, quem nos traz a promessa de que a terra voltará a dar fruto, de que há vida depois do gelo. Mas não. Preferimos os aleluias, essas exclamações que já não dizem nada a ninguém, que se repetem por hábito mais do que por convicção.

Um "Io, Epona!" seria mais honesto. Mais pagão, certamente. Mais conectado com aquilo que realmente se celebra nesta altura do ano: o renascer, a luz que volta, a terra que desperta. Seria celebrar a força da natureza em vez de apenas repetir fórmulas gastas.

Mas pronto, continuaremos com os aleluias. É mais fácil. Menos incómodo. E Epona continuará esquecida, galopando sozinha pelos campos da memória colectiva, enquanto fingimos que não sentimos o pulsar da terra debaixo dos nossos pés.

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