2026-06-08
Mentally Hilarious II (ou: os filhos do espetáculo)
2026-06-07
Mentally Hilarious (ou: eu já cá estava)
2026-06-06
A melancolia como serviço mínimo
Insuportável
2026-06-05
Da data
2026-06-04
Herdeiros de quem?
2026-06-03
Buffet Livre
2026-06-02
Boato
Crédito mal parado
Fui muitas coisas na vida. Subestimada foi sempre a mais rentável.
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Há uma suspeita que recai sobre quem ri de si próprio. Como se a gargalhada fosse uma confissão: leveza a mais, profundidade a menos. Como se só os bobos da corte se permitissem o luxo de ser ridículos.
Conheço essa suspeita. É feita da mesma matéria que o paternalismo.
O que essa gente ignora é que o bobo da corte era o único a quem deixavam dizer a verdade. Que a máscara resulta precisamente porque ninguém a vê como máscara. Que há uma vantagem considerável em ser constantemente subestimado.
Aceito esse crédito com todo o prazer. Por vezes até o cultivo.
A surpresa deles, quando chega, é genuína. A minha, não.
O preconceito alheio é o lado para que durmo melhor.
2026-06-01
A sombra do pastor
2026-05-31
Silêncio operacional
2026-05-30
Maio, mês de Maria
2026-05-29
A Distância de Segurança
2026-05-28
Gizo-me
Começo num traço. Num ponto. Dois pontos. Mais um traço, sai sorriso; ou nem isso. Gizo-me de novo. Mais uns traços, uns pontos. A preto e branco, ou colorido. Verde azulado talvez. Fundo cor de noite. Mais dois pontos, traço, ponto e vírgula, pisco. Pisco-me. Um olho. Outro olho. Mais um traço, outro sorriso. Pontuo-me. Quase eu, em pequenos traços e pontos. Quase eu hoje. Quase em Morse:
2026-05-27
As rosas do Atacama
2026-05-26
Leveza
2026-05-24
O Verão de São Calcanhar
Nem toda a gente nasceu com pés bonitos. A genética é uma lotaria e ninguém está aqui para exigir pezinhos de anúncio de creme hidratante. Agora… há limites para a convivência em sociedade.
Porque uma coisa é ter pés normais. Outra é andar por aí com dois bacalhaus ressequidos e calcanhares capazes de riscar tijoleira — e mesmo assim escolher sandálias abertas, com orgulho. Como quem acha que o mundo precisava daquela informação visual.
Há pessoas que olham para um par de havaianas e pensam: “frescura de verão”. Outras deviam olhar e pensar: “isto não é para mim”.
Nem é uma questão de beleza. É manutenção básica. Hidratar. Aparar. Lixar. Fazer as pazes com a dignidade humana.
Liberdade individual não inclui transformar pés em estado pós-apocalíptico numa declaração sazonal. Mas há sempre alguém que entra em junho como se os pés fossem património público. E há ali uma confiança que eu admiro.
Injustificada, mas admiro.
2026-05-23
O Peso das Crianças
Afonia
"Em nome dos que sonham com palavras
De amor e paz que nunca foram ditas"
José Carlos Ary dos Santos - Kyrie

