2004-10-28

Deriva

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência

ou os bagos de uva de onde nascem

as raízes minúsculas do sol.


Herberto Helder – Sobre um Poema


Há dias em que me sinto perdida, sem rumo. Em que ao abrir a janela pela manhã e vendo como o céu se veste de nuvens escuras, ao ver como o negrume do dia se tinge de lágrimas de chuva, copiosas, sem descanso, só me apetece voltar para o quente da cama e esquecer-me. Esquecer-me que há dia, que há compromissos, tarefas por cumprir. Esquecer-me da neura que me turva. Esquecer-me das rotinas e do despertador inclemente. Esquecer-me que há responsabilidades e agendas e planos. Esquecer-me de toda a ordem que impus nos meus dias, a forma como cataloguei a vida e as vidas, os roteiros com hora marcada.


Há dias em que me sinto – e estou de facto – à deriva ...

3 comentários:

Caliope disse...
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Caliope disse...

Caliope
(A ver se é desta.. sorry...)

A vida é um ciclo. E, caso ainda não tenhas reparado, depois de cada noite há um dia. E, por vezes, há a felicidade de depois da chuva vermos um arco-íris.

E quando não se sabe muito bem para onde se quer ir, todos os caminhos são bons... :-)***

Hipatia disse...

Ah! Era a Caliope :)))

(já respondi ali ao lado e tudo...)

Mais beijinhos