2009-07-23

Olhem à vossa volta... encontraram a besta?

Já alguma vez, algum de vós se deu ao trabalho de observar os outros à vossa volta? Olhem com atenção, há de tudo.
Vou fazer aquela "comparaçãozinha-cliché": é como se todos os animais da selva e mais alguns nos rodeassem. Há os simpáticos e os antipáticos; os mais confiantes, os menos; os mais confiáveis e aqueles em quem não se pode confiar; há aqueles que são aquilo que se vê, e há os manipuladores, os dissimulados, e aqueles que são tudo menos aquilo que se espera ou pensa; há os sonsos e os insonsos; os previsíveis e os imprevisíveis; há os inteligentes e os que não dão mais que aquilo; os mais distraídos (grupo do qual faço parte), e os espertalhões que têm um olho no burro e outro no cigano (que me perdoem os ciganos, nada tenho contra, só precisei do provérbio); os que andam sempre à caça, esfomeados de assunto mesmo quando não o há; e há os aldrabões e os aldrabados; há os tímidos, e os que gostam de dar nas vistas; há os ingénuos; os autoritários e os assertivos; os bons e aqueles bem mauzinhos...
Bem, a variedade comportamental desta fauna humana é tal que me seria impossível aqui denunciar todos os tipos de pessoas. Claro, o ideal seria sermos todos bonzinhos, simpáticos, inteligentes, atentos (ou seja, nada distraídos), confiantes, confiáveis (atenção que há pessoas confiantes que não são confiáveis, nada de confundir estes apetecíveis termos) e assertivos, só para dar um exemplo.
É incrível como as pessoas que têm determinados comportamentos podem pensar que nós, os outros, nos comportamos da mesma forma que elas. Exemplifiquemos: um aldrabão ou um manipulador são tipos que não confiam that much nos outros e têm algumas vezes receio de estar, eles próprios, a ser aldrabados; ou então aldrabam pessoas que consideram aldrabonas, mesmo que venha a revelar-se que estas não o são. Esquecem-se que, ao contrário deles/as, há quem seja mesmo honesto, há quem não tenha maldade e seja apenas aquilo que se vê. Esse tipo de animal racional está sempre a ver coisas que alimentam a sua auto-estima e fazem-no à conta de atribuir aos outros uma máscara de maldade que eles próprios possuem. Chegam a afirmar-se, bem alto, como sendo espertos/as, dizendo que ninguém os consegue enganar, sem se aperceberem que espertas são as raposas e que se eles fossem mesmo inteligentes (isso sim) saberiam que há sempre alguém que os topa.
Enfim... há tipos, tipas, "tipagens", e meninas insuspeitáveis que afinal não são tão isentas quanto a maioria pensa, pois o seu comportamento só engana alguns broncos. Sendo que muitas vezes os broncos são pessoas com quem elas se dão bem, com quem fofocam, alimentando boatos (muitas vezes de cariz difamatório), e a quem se unem ocasionalmente para mandar as suas boquitas saloias a tudo e todos, a torto e a direito. Isto porque os broncos são-lhes necessários, marionetas nas suas mãos, têm o papel de fãs incondicionais. Assim têm garantido que a coisa nunca dá para o torto (mas só até um dia entortar mesmo), pois ganharam a amizade e apoio destes pobres coitados que os/as põem num pedestal. São do tipo que (me) dá nojo!

Ah! A selva-sociedade... um mundo de seres e tipos de seres... Não há documentário da National Geographic que consiga captar estas subtilezas!

8 comentários:

Bartolomeu disse...

Para já o meu comentário resume-se a: É claro que te lemos... mesmo sendo um animal, possuo o bom gosto suficiente que me "obriga" a ler-te.
Mas, vou voltar para comentar mais este post. E sabeis porquê, caríssima senhora Dona Fabulosa!?
Não! né nada por ser uma besta, é porque comungo de muitas destas reflexões que aqui nos atiras, como quem atira pérolas a porcos, na esperança de quebrar "cliché"... até pode ser que as comam...
;)))))

JoãoG disse...

Uma Fabulosa atormentada, ptt... :)

Detesto classificações, generalizações, clichés e sanitas.

Vejo-te muito pouco esperançosa na condição humana, relax, a sério!

I. disse...

Adorei este post. É que conseguiste focar exactamente os dois tipos que mais me irritam: os aldrabões e essas senhoras que... coiso.
Fico maluca com os tiques dos aldrabões que me medem os outros por si próprios, sempre preocupados em mostrar que a eles ninguém engana.
E essas gajas... iaca.

Fabulosa disse...

Bartolomeu, creio que muita gente comungue comigo (mas sem grandes intimidades, ehehehe!)! ;)

João, este texto é de algum modo desesperançado e desiludido, sim. Já o tinha escrito há algum tempo atrás (cerca de dois meses, mais coisa menos coisa) e estava indecisa em colocá-lo aqui, depois achei que devia partilhá-lo.
Apesar disso, tenho fé nas coisas boas. Aliás o texto menciona "bons tipos/as", só não desenvolvi nenhuma ideia acerca deles/as. Talvez um dia destes me dedique a uma "Parte II! com enfoque nos bons exemplos. =) Vou pensar...

I., e quando as senhoras simultaneamente "coiso" e são aldrabonas, juntando 2 tipos num só? Ui! ;)

O_Eclético disse...

Bem..tava eu a navegar por este mundo sem fronteiras, quando algo neste texto me prendeu!hum..gostei dessa reflexão, eu já dei por mim a fzr o msm..e vou só fazer um pequeno comentario..

Essa selva é bem maior do que a que tu referes ;)

Este texto faz-m lembrar American Beauty... não sei porquê! ;)

Fabulosa disse...

Eclético, sim, a selva é bem maior, mas aí o texto tinha de ser gigantesco e ele já ficou tão grande... =)
Não o teria associado ao American Beauty, mas se partirmos do princípio que ambos são uma crítica à sociedade (ou a uma parte dela), então concordo. ;)

Hipatia disse...

Miúda, por mais que moa - que vai moendo - chega a uma altura em que só damos importância a quem realmente a tem. A partir dai, só esses nos podem realmente atingir.

Fabulosa disse...

Hip, tens toda a razão. E olha que importância não lhes dou nenhuma. Era o que faltava! Acho apenas interessante e divertido partilhar este tipo de análises. Ao escrever uns textozitos assim, sempre nos vamos ajudando uns aos outros a abrir os olhitos para o que há em nosso redor. ;)