O que ganha Israel?
No curto prazo, poder de fogo convertido em resultados visíveis.
Os objectivos declarados — enfraquecer o Hezbollah e permitir o regresso dos cerca de 60.000 deslocados do norte — tiveram efeitos reais: liderança atingida, infraestruturas degradadas, capacidade operacional reduzida.
Mas isso é a parte fácil.
O objectivo implícito é outro: garantir que o Hezbollah deixa de ser uma ameaça relevante. E isso exige uma de duas coisas — ou um estado libanês forte o suficiente para o conter, ou um território tão destruído que deixe de o sustentar.
Israel está, na prática, a produzir o oposto de ambos.
Não está a fortalecer o estado libanês. Está a acelerar o seu colapso. E a história recente é consistente: quanto mais fraco é o Líbano, mais espaço tem o Hezbollah para se apresentar como alternativa — militar, política e simbólica.
Isto não é um efeito colateral. É o resultado previsível da estratégia.
Há, portanto, um desfasamento claro entre o ganho táctico e o efeito estratégico. Israel consegue degradar capacidades no terreno, mas, ao mesmo tempo, recria as condições que permitem ao Hezbollah regenerar-se.
E fá-lo com um custo crescente.
Os ataques com impacto sobre civis não são apenas um problema moral; são um problema político. Erosão de legitimidade internacional não impede operações imediatas — mas limita o espaço de manobra, isola aliados e transforma vitórias militares em passivos diplomáticos.
Ainda assim, Israel continua.
Porque, no imediato, funciona. Reduz a pressão, cria dissuasão, oferece a sensação de controlo.
Mas essa sensação é temporária.
A resposta honesta é esta: Israel ganha tempo.
E troca-o por um problema que regressa mais complexo, mais enraizado e mais difícil de resolver.
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