Não desejo mal a ninguém. É uma posição moral que mantenho com algum esforço, especialmente em anos eleitorais.
Mas há uma justiça poética na ideia da reencarnação como sistema de calibração — não o modelo aspiracional das tradições orientais, onde se regressa a uma forma superior consoante os méritos acumulados, mas uma versão mais rigorosa, administrada por uma entidade sem paciência para subtilezas: regressas ao que fizeste, na forma mais literal possível.
Quem passou a vida a tratar o mundo como lixo volta como contentor. Quem viveu às custas dos outros volta como parasita — o tipo que não escolhe o hospedeiro, é escolhido. E quem passou décadas a produzir legislação, discursos e decisões que só servem para limpar a sujidade que eles próprios criaram?
Papel higiénico. Evidentemente.
Não é crueldade. É proporcionalidade. O universo, se tiver bom gosto, funciona assim.
Eu, pessoalmente, continuo a não desejar mal a ninguém. Limito-me a confiar no processo.
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