Oito horas de carro. Cinco sítios em passo de corrida. Isto não é turismo, é uma evacuação arqueológica.
Karnak sozinho precisava de um dia. O Vale dos Reis também. Fizemos tudo em modo maratona — templos, avenidas, colossos. Luxor. A meio, os pés já estavam em estado de guerra declarada.
E depois, Deir el-Bahari. Hatshepsut é um texto inteiro por escrever.
A história tem tudo — a faraó que reinou como homem, os retratos martelados depois da morte, o nome apagado das paredes e Tutmósis a perceber, tarde demais, que apagar alguém da pedra não apaga nada de facto. Ela está em todos os museus do mundo. Ele é uma nota de rodapé.
E eu estive lá. No templo dela. Com os obeliscos que sobreviveram a tudo.
A morte egípcia não é fim, é uma negociação muito longa com a permanência. Hatshepsut perdeu a negociação quando morreu e ganhou-a nos milénios seguintes. Um karma escrito em pedra.
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