Os Crocs são a prova de que a evolução nem sempre caminha na direção da beleza. Às vezes faz um desvio pelo conforto e nunca mais regressa.
São leves, resistentes, laváveis e ventilados. Em termos de engenharia, irrepreensíveis. Em termos estéticos, parecem ter sido desenhados por uma comissão onde ninguém quis criar conflito. O resultado foi um sapato que não encanta ninguém, mas também já não ofende quem desistiu de impressionar.
Há um momento na vida em que deixamos de escolher calçado para impressionar os outros e passamos a escolhê-lo para sobreviver ao supermercado, à jardinagem ou a uma tarde inteira de pé. É nesse preciso instante que os Crocs aparecem, discretos, como uma seita silenciosa à espera de novos fiéis. Primeiro rimo-nos de quem os usa. Depois experimentamo-los. Finalmente, damos por nós a defendê-los com um fervor que antes reservávamos para causas nobres.
— São feios.
— São.
— Parecem queijo suíço para os pés.
— Parecem.
— Mas são confortáveis.
E é aqui que termina qualquer discussão. Porque há argumentos contra o bom gosto. Contra bolhas nos pés, praticamente nenhuns.
Os Crocs não são um sapato. São a bandeira branca que erguemos quando percebemos que a vaidade pesa muito mais do que um par de tamancos de borracha.
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