2026-08-14

O homenageado

«Festejou-se o aniversário de um homem muito modesto. E apenas no final do banquete é que se percebeu que alguém não tinha sido convidado: o festejado.»
Anton Tchekhov

Modéstia, dizem, é virtude rara. Tão rara que, naquele banquete, se esgotou antes mesmo de o homenageado chegar à porta — porque ninguém se lembrou de o convidar. Brindou-se ao seu bom-gosto, à sua discrição, à sua elegante ausência de vaidade. Ergueram-se taças à saúde de um homem que, coitado, estava em casa, provavelmente também ele demasiado modesto para perguntar por que razão não fora chamado à própria festa.

No fim, todos concordaram: fora a celebração mais sincera que já tinham visto. Sem o risco de o festejado, com a sua presença inconveniente, estragar o discurso sobre como ele era humilde.

Há quem confunda modéstia com desaparecimento. E há festas que só correm bem precisamente porque o motivo delas teve o bom senso de não comparecer.

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