2006-10-19

Opinião

Podem me prender
Podem me bater
Podem, até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião

Zé Kéti – Opinião

Não tenho filhos. Aliás, nunca engravidei. E, se acontecesse, mesmo que não fosse planeado, duvido que alguma vez abortasse. Até porque sempre tive o privilégio de uma família estruturada, grande, capaz de prestar qualquer apoio, todo o apoio. E que, mesmo que não a tivesse, consideraria sempre outras hipóteses, até mesmo entregar a criança para adopção. Porque o aborto me parece assustadoramente definitivo. Porque eu sou assim. Não sei mesmo se faria um aborto. Acho que não o faria. Mas deve haver níveis de desespero que não chego sequer a imaginar...

Isto para dizer que sou pró-aborto. E esta frase, assim, parece-me demasiado obtusa. O aborto existe. Não será estar a favor dele. É antes estar contra a penalização do acto. É estar contra uma lei persecutória para a mulher, que a impede de decidir sobre o próprio corpo, com dignidade, sem medos, com tempo para ponderar todas as hipóteses e sem ter de dar um salto a correr a Espanha, a olhar por cima do ombro. É estar contra a hipocrisia que acha que só por ser crime não é cometido. É estar contra uma lei que esquece o homem, mesmo que um filho precise dos dois para ser gerado. Uma lei que não tem em conta, muitas vezes, a forma como é exactamente o gajo que pressiona – e paga – o aborto em si. Mas, depois do "bem-bom", parece que retiram o macho da equação e, por conseguinte, o isentam de qualquer culpa.

É óbvio que não defendo a possibilidade de cessar uma gravidez de forma aligeirada, até ao nono mês, inclusive. Defendo uma legislação cuidada, à semelhança da existente na vizinha Espanha, com datas precisas. Defendo também um rigoroso acompanhamento de cada caso. Isto permitiria, por uma lado, um acompanhamento médico e psicológico da mulher, um apresentar de alternativas, um acompanhamento social, individualizando e integrando o indivíduo, em lugar da cegueira generalista do "é crime". O acto, não mais crime, poderia ser finalmente compreendido, talvez evitado, porque livremente debatido, sem dar aso a todo um cenário burlesco, com lavagem de podres em praça pública, na qual incluo a sanha inquiridora dos media.

Dentro desta minha lógica, defendo também qualquer coisa semelhante a um "cadastro" para mulheres que recorressem ao aborto. Para que este não virasse o anti-concepcional das idiotas ou das preguiçosas. Para essas, talvez houvesse lugar a manter alguma forma de penalização, que não aceito que o aborto se transforme num acto sistemático, sem ponderação.

Haveria, pois, que implicar acompanhamento médico, psicológico e social da mulher, da sua família, dos índices económicos e de literacia, das violências várias a que muitas estão sujeitas – e não falo apenas de violações e incestos, como é óbvio. É que abortar não deve, não pode ser, a primeira opção. Mas pode – e deve – ser uma opção que, face a uma análise abrangente de cada caso em concreto, permitisse uma validação de um acto médico. E esse acto médico e essa opção da mulher, não deveriam, portanto, ser crime em parte alguma deste País.

Mas é mesmo tudo uma questão de hipocrisias. E a maior parece ganhar sempre. Os resultados são funestos, como é óbvio. E cheira-me que todo e qualquer debate será rapidamente esquecido, mal passe esta sede de votos no preto ou no branco e sem cambiantes que tudo deixa prometer. Daí que até gostasse de saber quantas mulheres de políticos recorreram a abortos aqui ou acolá. E quantas amantes, como é óbvio. Porque isto da moralidade sempre foi uma questão de maior ou menor jeito para criar e manter fachadas e, dos podres íntimos, a hipocrisia reinante não dá acordo, desde que haja forma de os segredos continuarem a ser silenciados, ou trocados por interesses ainda mais escusos.

27 comentários:

vague disse...

Não tenho opinião mto formada sobre este tema, pq é tão delicado e doloroso para tantas mulheres e para uma mulher em geral; pq se se generalizar com alguma abertura, se se legalizar melor dizendo com alguma abertura o recurso ao abordo, abre-se a porta ao facilitismo e o dto à vida é sagrado, Hipatia, é para mim, e eu respeito-o muito;
por outro lado, sei q deve haver como dizes níveis imagináveis ou inimagináveis de sofrimento e situações de tão grande limite q essa solução cruel - q é cruel a não ser q lhe estejam na base razões médicas ou terapêuticas - pode ser a única solução á vista...

Não sei. É por isso q a assumir uma posição, ver-me perante um papel e fazer uma cruz para dizer q sim ou q não, é penoso e incómodo.

Não sei.

Alien disse...

A questão é que, a partir do dia em que o aborto for legalizado far-se-ão mais ou menos tantos abortos quantos os que se praticam actualmente, e desde há muito tempo.
Quanto ao ser cruel a não ser que existam razões médicas ou terapêuticas... não sei...
Consideraria generoso cortar o pescoço de um mongolóide de dez anos, por exemplo, vague? :)

MRF disse...

Hipatia, a ver pelo comentário do Alien, persistem uma série de ideias feitas, fantasmagóricas, sobre a IVG. Comparar um conjunto de moléculas microscópicas a um ser vivo de 10 anos (que mau gosto, essa do mongoloide!) é abusivo. A nova lei, a ser aprovada, prevê o limite máximo das 10 semanas. E eu gosto que sejam apenas 10 semanas.

Para mim é complicado "digerir" o aborto. Já tive duas filhas e senti que eram minhas filhas com menos de 10 semanas. Objectivamente, os seus embriões deveriam ser protegidos porque queria que dali nascessem dois seres humanos. Quando não existe esse desejo, continua a ser difícil gerir o estado de gravidez. Desde pequeninas que andamos a desenvolver o nosso sentido maternal, sonhamos muito com a maternidade. É por isso que para a maior parte das mulheres o aborto é traumático.

Mas não o é para todas. Nem tem que ser. Se, num caso de excepção, uma mulher decide interromper uma gravidez de algumas semanas, eu compreendo. E não penso que devas imaginar grandes dramalhões para justificar/sustentar essas decisões. A maior parte dos abortos acontecem porque a gravidez é inconveniente - por não existir uma relação amorosa estável, por ser cedo ou tarde demais na vida. E isso é válido.

Mas concordo contigo, tem que haver um controle. As IVG não podem ser uma alternativa à anticoncepção (mas acho que só uma minoria poderá incorrer nesse erro).
Nos meus sonhos, a nova lei levaria mesmo à redução dos casos de aborto. Se existir um bom acompanhamento psicológico e social da mulher que requisita a IVG, isso pode efectivamente acontecer. Quantas adolescentes fizeram um aborto sem nunca ter falado com um adulto? A clandestinidade permite essas situações. Quantas mulheres interromperam a gravidez apenas por se sentirem isoladas e/ou com medo de enfrentar os pais, os outros, etc.?

Isto leva-me a outra questão. Ser mãe solteira ainda é muito penalizado na nossa sociedade.

PS: para o Alien: mesmo que o número de abortos não diminua, a nova lei vai permitir uma assitência médica digna às mulheres que interrompem a gravidez. para além de não as levar a tribunal!

vague disse...

Alien, não percebi mas li depressa e se calhar mal :)

Lisa disse...

Concordo contigo. E em tudo (olha que é raro, aproveita ;)).
E também concordo que deveria haver um registo de quem recorre ao aborto. À primeira, deveria ser pago pelo SNS, mas a reincidência implicaria que a utente o pagasse, nem que fosse às prestações, e isto porque, como bem dizes, há que evitar que se torne mais um método anticoncepcional. E era preciso que a mulher que abortasse fosse acompanhada por médicos, antes e depois do acto, a fim de que fosse encaminhada para consultas de planeamento familiar ou psicológicas.
A prioridade é simples: primeiro, o aborto deixa de ser crime. depois, há que criar um planeamento familiar eficaz e rigoroso, capaz de dar resposta a quem ele recorra.
E vamos ao sim!

Anónimo disse...

Estão a generalizar muito.
Não há nenhuma mulher que aborte que não fique traumatizada. Nenhuma!
Há sempre reincudentes. Estão-se a esquecer que ainda há mulheres que não podem tomar a pílula e que os outros métodos são muito falíveis. Já antes disse na "Divas" mas repito: não se tornará nunca um método anticoncepcional. Nem nas drogadas porque essas se estão a borrifar.

claire disse...

Sou 100 % a favor . Cada mulher sabe de si e só a ela diz respeito , se aborta é por algum motivo outro que mero prazer e qualquer mulher fértil sabe muito bem o quanto é fácil engravidar por mais anticoncepcionais que existem . Impressiona-me que no século 21 as mulheres portuguesas ainda tenham de debater este tema . que atraso de vida .
Também sou 100% a favor da eutanásia estou ansiosa de ver esse tema em cima da mesa .

Alien disse...

Compreendeu-me mal, MRF, mas a culpa foi minha, que não me expliquei bem. Queria dizer, primeiro, que o número de abortos será mais ou menos sempre o mesmo quer se legalize quer não, por isso mais vale legalizar e evitar aborrecimentos suplementares às pessoas. Em segundo queria perceber porque é que as pessoas que são a favor da vida, como elas dizem e portanto contra o aborto, o defendem em situações terapêuticas, de mal formação do feto, etc. Afinal, se os fetos normais têm direito à vida, porque é que os outros não hão-de ter também? Utilizava os argumentos deles (de mau gosto, concordo), não os meus.
Também sou a favor, claro.

vague disse...

Alien,

Acertando melhor as agulhas, então.
Sou a favor da vida, sou contra o aborto. Considero no entanto as tais razões dolorosas que uma mulher deve ter para ter que recorrer à IVG. Penso de novo que o facilitismo do aborto legalizado pode levar a que seja encarado como um método anti-concepcional; e afinal hoje até temos a pílula do dia seguinte.

Choca-me um bocado mas isso é problema meu e com as minhs emoções que haja pessoas que queiram ter filhos, a minha tia, uma amiga minha e q depois se referende sobre o direito a abortar. E imagino q se calhar elas até defenderima esse direito, apesar de não o poderem exercer
Mas isso não conta, não são factos.

E os factos são que há gravidezes, há partos mal acompanhados, há tipificações de crimes que isso sim, urge despenalizar - q isto tem q dar uma grande volta, isso tem.

A razões terapêuticas, Alien, seria um ponto de partida para debate não um saco sem fundo.

E há razões terapêuticas da parte não só do filho como da parte da mãe. Isto é importante.


A comparação, grosseira, que fez com uma pessoa de 10 anos com trissomia 21, não fez qualquer sentido dentro do contexto da conversa.

Hipatia disse...

Vague, para mimé tão simples como isto: eu não faria um aborto; não sei sequer se faria um aborto mesmo que a criança tivesse trissomia 21. Mas isso sou eu. E, não é porque eu não faria que vou achar que é criminoso quem interrompe a progressão de um amontoado de células que ainda não é nada.

Sei bem que o Alien ali em baixo exagerou na forma como o disse mas, de certa forma, até concordo: porquê permitir em caso da trissomia 21? Não é uma vida como outra qualquer que se pode provar, no futuro, válida?

Hipatia disse...

Acho que vou mais longe do que tu, loiro, mas diria sempre as coisas de outra forma: quais razões médicas e terapêuticas? Se é crime, não é crime também matar células que vão dar origem a um deficiente motor ou mental? Se aceitarmos que vale a IVG caso a vida da mãe esteja em perigo, então porque criminalizar se a mãe acha que está em perigo a sua vida, mesmo que não a sua integridade física? A vida é mais do que células; a vida de uma pessoa é mais do que o número de vezes que bate um coração.

Hipatia disse...

Vi agora que o Alien já respondeu e por isso, Rosarinho, já não preciso dizer-te que a forma como ele se expressou na resposta à Vague nada tem a ver com aquilo que sei que ele defende.

Em relação ao que me dizes... pois, concordo com cada palavrinha. E concordo, especialmente, com os três posts (fabulosos) que deixaste lá no teu a propósito deste tema. Obrigada pela lucidez com que os escrevestes. Foram, até agora, os melhores posts que li sobre a IVG.

Hipatia disse...

Vamos ao sim, claro, Lisa. Desta vez não podem ser só 30 e tal porcento a votar. Não pode mesmo!

Hipatia disse...

Também se generaliza em relação ao trauma, mfba. Depende muito da mulher, claro. Há mulheres e mulheres e até admito que algumas fossem tentar abusar da nova legislação. Mas não é a lei, em essência, capaz de não penalizar todos porque há uns quantos que abusam? Que é, senão isso, a presunção de inocência e a ideia de que mais vale um culpado na rua do que um inocente na prisão? Então, porque seria a legislação do IVG mais restritiva do que toda a lei geral? E, já agora, porque ninguém parece importar-se com uma lei (a actual) que parece ter a eugenia por modelo?

Hipatia disse...

Claire, parece-me que é a sociedade que temos :( Aliás, eu lembro-me de ir votar aqui atrasado para ter uns tais de representantes com mandato para legislar sobre vários temas, incluindo o do aborto. Acontece é que, no modelo de democracia que temos, qualquer um vai parar às listas dos partidos e, depois, nunca nenhum dá a cara perante os eleitores que lá o puseram. Se eu soubesse direito quem é o tipo que está na AR a fazer de conta que faz à minha custa, talvez lhe escrevesse uma cartinha - a ser transmitida a todos os outros como ele - para perguntar onde diabo deixaram os cojones. Mas isso, tal como a eutanásia, já é outro filme :(

Alien disse...

Vague, sou homem, talvez por isso estivesse a ver mal a coisa. De facto, suspeito agora que fazer um aborto deve ser algo super divertido e imagino neste momento um coraçãozinho delirante a bater no peito de cada mulher portuguesa ante a possibilidade de legalização do mesmo, doidinhas por poder finalmentar deitar as traumáticas pílulas e os sinistros preservativos pela pia abaixo, e já com o número de telefone do hospital decorado...

Hello!, acorde!, arranjar um aborto ilegal é quase tão fácil como marcar um restaurante!

Alien disse...

Hipatia, tudo o que fiz foi falar a linguagem que já ouvi muitas vezes aos pró nãos... ou serão nões?... :s
Já toda a gente viu aqueles anúncios onde aparece uma criancinha chorosa a lamentar-se que a mãe a despachou, ou fui só eu?...
De resto, a única coisa que poderei ter feito de mal foi ter usado um termo politicamente incorrecto, crime hediondo, hoje em dia ;) Na realidade, só porque se descobriu a responsabilidade do 21º cromossoma na doença, não vejo razão para termos que nos sujeitar exclusivamente a nomes, para todos os efeitos, técnicos, não só esquecendo o velhinho e ultapassado Down, como ignorando os dignos habitantes da mongólia, com os quais estes deficientes se continuam, a despeito de todas as descobertas da ciência, e sem qualquer tipo de desprimor para qualquer deles, a assemelhar.

Obrigado por me compreenderes, e perdoa a confusão, ruiva fofa :))

Hipatia disse...

Sabes, lindo, já disse ali em cima: uma lei que permite a IVG em função de "deficiências" parece-me ainda mais perniciosa. E com o cheiro bafiento a eugenia. Se, um dia, por uma qualquer volta do destino, determinarem que as pessoas de pele clara e olhos claros são "inaptas" e/ou "deficientes", que seria de nós?

Alien disse...

Bem, não exageremos... a deficiência provocada pela existência (ou será ausência?) do cromossoma 21 não é exactamente uma determinação caprichosa...

De qualquer forma, não sei de que "nós" falas, de mim não seria nada...
Sou moiro :))))

Hipatia disse...

Tirando a selecção natural - e uma vez que o Homem tanto se esforça para a anular - resta apenas uma tipificação do que determinada sociedade considera ou não deficiência. Poderá até haver fundamentação científica. Mas também a houve para quem achava que ia produzir uma "raça pura". Eu sei que é extrapolar, mas a haver qualquer coisa que me faça espécie, é esta facilidade com que se diz que alguém pode morrer, porque não é um ser humano "viável".

Mouro serás, mas de costela cristã nova e loiro. Não escapavas, portanto :P

maria_arvore disse...

Eu apenas venho dizer que voto Sim.
Para que ninguém seja penalizado pela opção que em consciência tomar na práctica da sua vida. Para que haja liberdade de opção.

Hipatia disse...

Mais até do que liberdade, é uma questão de justiça. E de paridade, claro, que um filho não precisa apenas de um sexo para ser feito...

vague disse...

Ou seja,

- sim, imaginei-o habitante fo planeta feminino, Alien :)-,

vc e a Hipatia não acham coerente que eu seja de princípio contra o aborto mas o defenda em situações terapêuticas? acham que seria entrar num campo perigoso, no tal da exterminação dos diferentes, alguma coisa prómima da eugenia no limite?

Eu não defende q se 'deva' abortar. Eu defendo a opção.

Mas! primeiro q tudo, eu comecei esta cx de comentários dizendo q não tomo posição neste assunto (ninguém diria...) apesar de todos os princípios q tenho sobre o assunto que poderiam ter de ser aferidos em face de mil e uma circunstâncias.

Agora se perante mim tivesse essa situação não precisava q ninguém me viesse punir e rejeitava qq autoridade... pelo q defendo a não punição das mulheres. como isso se articula com o estado actual das leis, pois não sei.

Alien,
não foi o termo que me chocou, foi o tom.
de tal forma q me esqueci q nalgumas coisas até podia estar de acordo consigo.

Hipatia disse...

Vague, a questão da ciência é contraditória, só isso. Porque é usada por quem - mesmo conhecendo os factos - deturpa a ciência a seu favor. O debate do "não" é exemplo disso, aliás. Nunca vais ouvir um cientista a chamar criança a um amontoado de células com dez semanas. Mas já ai tens o líder do CDS/PP, mais todas as associações que esse partido "inventou" e "apadrinhou" em 98, a regressarem à música do "não matem as criancinhas".

A questão da eugenia é exagero, claro. Mas - face ao exagero - permito-me exagerar também. E, na verdade, a lei actual apenas permite a IVG quando há risco de vida ou malformação do feto. Que é senão eugenia esta interrupção da gravidez em caso de malformação?

Cruzeiro disse...

A minha opinião está patente num post que fiz no cruzeiro, acho que é uma hipocrisia manter a legislação actual...o aborto existe, e, não é por ser crime que vai deixar de existir, ou que vai aumentar...apenas se vai permitir que as pessoas o possam fazer com uma maior segurança.
Eu voto sim, pelo direito que cada um tem a ter a sua opção...

Hipatia disse...

A legislação actual parece-me profundamente desajustada da realidade. Para além de qualquer enquadramento legal, há sempre o que realmente se pratica. O Alien ali em cima resumiu bem: conseguir um aborto é quase tão fácil como marcar um restaurante. E há até restaurantes que são mais difíceis. Mas um enquadramento legal que não criminalizasse talvez levasse - no extremo - à redução do número de actos, já que uma mulher (um casal) não mais criminosa (criminosos) poderiam pensar alternativas.

Anónimo disse...

Este blog é muito interessante.
Ninguém é a favor do aborto.
Mas há muitos hipócritas, e opurtunistas, especialmente OS PARTEIROS.
Por isso VOU VOTAR SIM, À DESPENALIZAÇÃO.
1 Grande abraço para todos.