2009-03-31
2009-03-30
Cheio
Mas na janela o ângulo intacto duma espera
Resolve em si o dia liso.
Sophia de Mello Breyner Andresen - Final
Se me pedisses para descrever o silêncio hoje não saberia como o pintar. É que ele anda quase sempre de branco, opressivo e enganador, comendo-me os recantos das sombras e da intimidade. Ou então de luto cerrado quando me perco de mim. E noutros dias tem ainda a cor das insónias, raiando o espaço de cornucópias e clarões de luz difusa.
(repost)
2009-03-29
2009-03-28
Mais logo são horas de adiantar relógios...
Meias horas de peetosga@FlickrEtiquetas: datas, fugas sem voz, vozinhas interiores
2009-03-27
Antes era a falência, agora é a insolvência!
Já vos tinha dito há tempos que estou farta de ouvir falar em crise e em crises. Agora também me cansa e custa saber que há empresas a fechar todos os dias. O mais engraçado é que para nos referirmos a certas empresas (por exemplo a Qimonda) não falamos em falência e usamos um termo mais chique, a insolvência. E se termos jurídicos até podem existir diferenças (não sei, confesso-me ignorante, há?), sinceramente para mim é tudo a mesma treta...
Etiquetas: notícias que até nem são notícia
2009-03-26
Vozinhas interiores
Sim, hoje não me apetece fazer nenhum post.
E não vou fazê-lo. Ai não faço.
Fui.
Etiquetas: vozinhas interiores
2009-03-24
Dia de mimo

(ver aqui a história desta imagem)
Bem-vindos à minha festa!
| Found at bee mp3 search engine |
2009-03-22
Mulheres (bem) resolvidas, breve ensaio
Caberiam aqui, certamente, muitas mais questões (algumas até a contradizer-se) que contribuiriam para definir uma certa mulher-tipo a que estamos a chamar de “mulher bem resolvida”.
Reparem no selo. A menina tem um vestido hiper-mega-curto, as mamas a saltitar para fora, e um lenço ou uma écharpe a esvoaçar. É, ou não é, uma imagem muito do agrado masculino? E se há muita mulher que se identifica com a menina do selo, também há muita que olha para aquilo e pensa “Mas o que é isto?”. À volta dela as palavras: Amor, Trabalho, (uma que eu não percebo, será Sexo?), Seguro, Família, Amizade, Baladas.Pensem comigo. Sejamos nós mulheres ou homens, todos sabemos que o amor, o sexo, o trabalho, a família, e a amizade são coisas básicas na vida de cada um. Claro que a hierarquia da sua importância não é igual para toda a gente, óbvio. Agora, digam-me, de que seguro é que este selo fala? É um seguro de saúde? Se fosse segura de si, ainda vá, mas seguro? Mais. Baladas? Porque é que uma mulher resolvida tem de gostar de baladas? Ou estou a entender mal e não estamos a falar de música?
Uma última questãozita. Bem resolvidas? Ou se está/é resolvida, ou não! Para que precisa a palavrinha “Bem” de estar ali, digam lá?
Há tantas questões a ponderar que a minha resposta a esta corrente só podia seguir a linha de pensamento da pessoa que ma passou, até porque ela sim, é uma mulher blogosférica que admiro. Marie, tu é que és mulher bem desenvolta!
(Passo a todas aquelas que queiram questionar a expressão.)
Adenda ao post: Não sei quem é o/a autor(a) do selo, mas espero que não se ofenda. Bem sei que a intenção de o criar deve ter sido boa. Eu sou é um bocadinho do contra!

Etiquetas: vozes acorrentadas
2009-03-21
Mais um dia cheio de dias
Não podemos esquecer que apesar de o equinócio se ter dado ontem, o dia 21 é também a data oficial da chegada da Primavera, muito embora ela tenha dado sinais da sua chegada bem antes da data.
Etiquetas: datas, fugas musicais, fugas sem voz
2009-03-20
A 5ª à 6ª

aqui
«Bastião sabia a razão da pressa, embora a sua Senhora não lhe tivesse contado.»
Receita de sopa de peixe no Codex 632
Tomás trincou um pedaço de peixe, pareceu-lhe abrótea, temperada pelo líquido branco do caldo.
"Porque razão é branca a sopa?", admirou-se ele. "Não é feita de água?"
"Leite?"
"Sim", assentiu ela. Parou de comer e fitou-o com uma expressão insinuante. "Sabe qual é a minha maior fantasia de cozinheira?"
"Hã?"
"Quando um dia for casada e tiver um filho, vou fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas."
Tomás quase se engasgou com a sopa.
"Como?"
"Quero fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas", repetiu ela, como se dissesse a coisa mais natural do mundo. Colocou a mão no seio esquerdo e espremeu-o de modo tal que o mamilo espreitou pela borda do decote. "Gostava de provar?"
Tomás sentiu uma erecção gigantesca a formar-se-lhe nas calças. Incapaz de proferir uma palavra e com a garganta subitamente seca, fez que sim com a cabeça. Lena tirou todo o seio esquerdo para fora do decote de seda azul; era lácteo como a sopa, com um largo mamilo rosa-claro e a ponta arrebitada e dura como uma chupeta. A sueca ergueu-se e aproximou-se do professor; em pé ao lado dele, encostou-lhe o seio à boca.
Tomás não resistiu.
Etiquetas: leituras, outras vozes em fuga ou não
2009-03-17
Resolvida

Durante demasiados anos da minha vida desperdicei tempo e energia com coisas contra as quais nada podia, sendo que uma auto-estima maltratada se misturou a um luto, pelo que me escondi de mim e do Mundo num casulo de complexos e medos. Depois, o tempo foi passando e acho que cresci. Há coisas a que, hoje em dia, não dou realmente valor.
Talvez no fundo eu seja hoje uma pessoa confiante (não sei se este é um bom sinónimo de resolvida, mas prefiro-o ao bem fodida, que a foda como a entendo nunca é só num sentido e só é bem fodida quem conseguir foder bem) porque sou bastante independente e senhora do meu destino. Calhou-me viver numa época em que isso é possível e fiz as escolhas inevitáveis, mas sabendo que escolhia. Continuo a fazê-las todos os dias e a viver com as consequências. É que também é isso: o calhau é nosso e a encosta por onde rola também; na manhã seguinte ainda lá vai estar e não adianta culpar o destino ou sonhar com o Paraíso, ou sequer conformamo-nos com a via do sofrimento a ser expiado no além: temos apenas uma vida e é nossa responsabilidade vivê-la o melhor possível. Depois, também nunca destoei de certos valores padronizados e arbitrários de beleza, nem tive a infelicidade de conviver com deficiências físicas ou mentais e o óbvio estigma social que as mesmas ainda acarretam e a minha família deu-me uma formação bem burguesa e confortável, sem grandes luxos mas onde nunca faltou o essencial.
De certa forma, estar hoje bem resolvida – ou aparentar estar – é apenas uma consequência da vida que me calhou viver: tenho alguma beleza física e uns olhos verdes que ainda fazem estragos, tenho emprego e casa e carro e dinheiro para as minhas coisas imediatas, não depende de ninguém (tirando talvez o patrão) que não esteja na minha vida por afecto, pais e professores desenvolveram-me cedo a vontade e o gosto de pensar por mim, encheram-me mais de livros do que de bonecos, cresci rodeada de gente e ar puro, corri o bastante por ruas sem carros e matos, sofri cedo perdas duras e escolhas difíceis, convivi sempre com pessoas de frivolidade contida e inteligência desbragada.
Não somos o que somos porque nos resolvemos apenas. Também nos resolvemos, mas quem temos por perto ajuda. Muito. Mesmo quando nem ouvimos essas pessoas ou achamos que estão erradas. Um dia a moeda cai e a importância relativa de algumas coisas muda; o que nos atava a vida deixa de ter grande significado e os medos passam a ser outros, bem como os complexos e as inseguranças. Só que também esses são mais íntimos e mais silenciosos. Ninguém deixa, verdadeiramente, de ter medo de viver, do desconhecido, da doença, da incapacidade, da mudança, de perder as rédeas da vida. Mas a idade dá-nos confiança nas nossas capacidades para resolver o que pode ser resolvido e conformarmo-nos com o inevitável, ao mesmo tempo que nos dá consciência da valia do que somos, como somos, da forma como somos e da opinião que expressámos. E, nesse dia, ganha-se a confiança necessária para, nos dias bons, sermos quem somos sem pedir licença para ser, ou ter medo de ser. Nos outros dias vamo-nos resolvendo aos soluços.
(Vítimas nomeadas: Maria Árvore, I., Noite, JP, Cristina, Claire, Luna, MRF, Adoa e Deep (como se diz cá na minha terra, amiguinhas desemerdem-se! E agora vou descansar os ossos e dar descanso à alma caridosa que, de forma tão simpática, acabou de me escrever este testamento enquanto eu o ditava do conforto do sofá)
A RTP2 é a minha cabo!
É verdade. Por aqui o zapping só se faz em 4 canais. É triste, bem sei. Substituí a cabo pela RTP2. É lá que vejo as minhas séries, os documentários e até o telejornal deste canal é o meu favorito. No que toca às séries, quando não posso ver, gravo e vejo depois.Não sigo "24", às quartas, porque já me fartei das desventuras do Jack Bauer. Creio que só vi as primeiras duas séries. Continuo a gostar da "Anatomia de Grey", embora aquelas indecisões todas da Meredith em relação ao Dereck me comecem a cansar um bocadinho. Também gosto da série "Irmãos&Irmãs" das sextas. E tenho imensa pena que "Dexter", a história de um serial killer polícia, tenha desaparecido tão depressa quanto apareceu. Gostava imenso daquele humor negro.
Pena que a televisão pública não tenha dinheiro para comprar mais documentários porque noto que há muita repetição. A minha sorte é que como não vejo mesmo todos, lá aparece uma repetiçãozita que para mim é novidade.
Etiquetas: coisas da fabulosa, TV
2009-03-16
Post escrito com um dedo e muitas dores
aqui
(obrigada Carlos pelo cuidado)
2009-03-15
Troca Milionário
Na imagem, Christine Collin (Angelina Jolie) é surpreendida pela polícia de Los Angeles que lhe devolve uma criança que não é o seu filho Walter. Ao logo da história ela tenta provar, com a ajuda do reverendo Briegleb (John Malkovich), que aquele não é o seu filho e que a polícia errou. Eu gostei imenso de "A Troca", baseado em factos reais, e nos dois ou três dias seguintes pensei imenso em quanto tudo aquilo me tocou.Também fui ver o "Quem quer ser Milionário?" cujo título, em inglês, "Slumdog Millionaire", é bem mais interessante e diz mais do filme. Jamal vai ao concurso de televisão, mas é acusado de fraude por ser um rapaz iletrado. O passado e o presente, a vida na Índia ou numa certa Índia, e uma história de amor, diluem-se na participação de Jamal no concurso.
Há muitas críticas ao facto deste filme ter ganho tantos Óscares, mas alguma vez os Óscares atribuídos foram consensuais? Sinceramente, eu gostei deste filme. Muito. Também foi daqueles que me deixou a pensar depois. Não sei se me marcou tanto quanto "A Troca", que é uma história verídica e... enfim... A Angelina Jolie está fabulosa.
Falta-me assistir a mais sessões de filmes nomeados para poder fazer algum tipo de comparação.
Etiquetas: fugas cinematográficas
2009-03-13
2009-03-12
E esta?
O Tribunal da Relação de Coimbra condenou uma seguradora a indemnizar uma família pela morte de um animal de estimação. Os juízes consideraram que o animal era um elemento da família.De qualquer modo, espero que a Cocki tenha a alma em paz lá no céu das aves!
Etiquetas: soft news
2009-03-11
Basta andar por aí?
- Temos, forçosamente, de amar? Não podemos só... andar por aí?
E eu acho que não, "andar por aí" não chega... Mas percebo que um desgosto possa fazer alguém pensar assim.
Etiquetas: vozes avulso ou diálogos dialogados
2009-03-10
No reino da urbanidade
Cândido Portinari - Retirantes
Pergunto-me que Mundo vai sair desta crise que se instalou e como sobreviverá a sociedade feita de individualismos e distâncias.
2009-03-09
2009-03-08
2009-03-07
Ágora
«Havia em Alexandria uma mulher chamada Hipátia, filha do filósofo Theon, que fez tantas realizações em literatura e ciência que ultrapassou todos os filósofos de seu tempo. Tendo progredido na escola de Platão e Plotino, ela explicava os princípios da filosofia a quem a ouvisse, e muitos vinham de longe receber seus ensinamentos.»
A Vida de Hipátia, por Sócrates, o Escolástico
Cabrãozinho emproado
.
«O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, afirmou nesta sexta-feira que o suspeito de ter estuprado uma menina de 9 anos em Alagoinha (a 230 km de Recife) não deve ser excomungado pela Igreja Católica. Grávida de gêmeos, a vítima foi submetida a uma cirurgia para interromper a gravidez na última quarta-feira (4). Após o aborto, médicos que participaram do procedimento e a mãe da menina foram excomungados.»
in Folha Online
2009-03-06
Aconchego

Hessam Abrishami
2009-03-05
Não sei se ria, não sei se chore
| Stranglers - Golden Brown | ||
| Found at bee mp3 search engine |
Engulo sempre o que tem sentido de humor... e teve!
No dia a seguir, já a sair do trabalho, pergunta-me ela:
- E então, já engoles?
(Gargalhada geral)
Etiquetas: vozes avulso ou diálogos dialogados
2009-03-04
Vozinhas interiores
Etiquetas: vozinhas interiores
2009-03-03
LOL!

Desconsolo

aqui
2009-03-02
Oh Rosa arredonda a saia

aqui
Johnny Handsome

aqui
2009-03-01
Um plano perfeito
Wash my face in fields of green
Take me to the stars for free
Point me to the high wire call
Wake me true and wake me all







