Dizem que os ideais morrem quando as contas chegam, mas a verdade é que eles apenas se tornam mais caros. Hoje, o meu tempo é moeda de troca para o básico — o teto, o pão e as infraestruturas que me ligam a este mundo cínico. Sinto as cordas da marioneta, sim, e os 'bonecreiros' são uma hidra de mil cabeças: impostos, juros e uma ganância mascarada de serviço.
Podem ter o meu suor das 9h às 17h, podem manietar-me os passos, mas não me compram a resignação. Ranjo os dentes e continuo a bulir, não por conformismo, mas por estratégia. Porque cada palavra que escrevo é a prova de que, por trás da 'Zé Povinha' que eles tentam vergar, há uma consciência que se recusa a ser enrabada pelo sistema.
Amanhã recomeço, à espera que o mês passe, guardando em silêncio os ideais que o 'bulir' não conseguiu apagar.
Sem comentários:
Enviar um comentário