Enquanto o Verão ensaia uma entrada triunfal só para desistir dois dias depois, dou por mim a reconsiderar seriamente as virtudes dos auto-bronzeadores sempre que me cruzo com o meu reflexo logo pela manhã. Eu, sem maquilhagem e a cores, pareço uma aparição recém-promovida do além. Chega a ser um susto em primeira mão — e ninguém merece esse tipo de experiência antes do café, muito menos com a bexiga a implorar por atenção.
Convenhamos: medo e bexigas cheias são uma combinação de alto risco. E, com um olho ainda em modo de poupança de energia e o outro ainda a dormir, dar de caras com aquela figura desalinhada não é propriamente o melhor “bom dia”. Às vezes pergunto-me porque é que o espelho não vem com filtro a preto e branco de origem — sempre poupava na nitidez dos estragos.
O problema é que a última vez que tentei resolver isto com um auto-bronzeador acabei com um tom suspeitosamente amarelo. E se já é duvidoso parecer um fantasma, pior ainda é parecer um fantasma com diagnóstico clínico.
Sem comentários:
Enviar um comentário