2006-03-18
Poema para o meu filho, jovem homem
Um homem
Sozinho
Terá pensado
À noite
Sob o céu
Iluminado
Qual seria
O seu destino
As vozes
Que dentro dele
Dançavam
Nada clarificavam
O objectivo
Que pretendia
Qual seria
O caminho
Nesta cartografia
De vida
Rota
Destino escolhido
Ou coisa pré-definida?
Olhou
De novo
O firmamento
De estrelas semeado
Sentiu
Por momentos
Ao lado
Algo
Que não definiu
Traçavam-se os rumos
Ao romper do dia
Com a mente
E o coração
Assim
Ele decidia
2006-03-17
O Grito

aqui
Pois não encontrei o que andava à procura – e que era sobre a importância do culto mariano numa Igreja demasiado masculina, como se o dogma imposto pelas cúpulas não fizesse sentido para o crente no sopé das hierarquias da fé –, mas encontrei outra frase que faz cada vez mais sentido:
O Grito de Munch saiu das pinacotecas e instalou-se nas ruas…(*)
E depois vi as imagens do avanço das tropas americanas, coligadas com alguns iraquianos, sobre Samarra…
____
(*) Luís Sepúlveda
2006-03-16
2006-03-15
Parabéns, Gaivina!
Clarice Lispector - Feliz Aniversário
Se um dia me dissessem que ia ter por aqui desenhos feitos pelo autor do blogue, eu – que não sou capaz de desenhar nada nem para salvar a vida – não teria acreditado. E, no entanto, há por ai desenhos espalhados.
Se um dia me dissessem que eu ia querer partilhar a Voz, que sempre foi um blogue tão umbiguista, eu não teria acreditado. E hoje somos dois.
O Gaivina já foi um sem-blogue. Hoje, é um dos autores do Voz em Fuga. Digamos que, ultimamente, é a parte séria e bem comportada do Voz em Fuga. À conta do livro que escreveu, andará pela net muita gente a dar com este blogue. E a dar com textos que não são do Gaivina, comentários que nunca poderiam ser do Gaivina. Encontram, por acidente, uma tripeira sem papas na língua e, muitas vezes, completamente sem vergonha nas teclas. Não será um brilhante cartão de visita para um ilustre autor de livros infantis. Mas é o que há.
Mas este post nem era bem sobre isto. É que a Voz em Fuga hoje está em festa: celebra-se por cá, pela primeira vez, o aniversário do Gaivina. Portanto, mais valia estar a escrever menos e ir directamente ao importante:

aqui
Parabéns, amigo!
2006-03-14
The devil is a woman

aqui
Mas não uma qualquer...
(and hold your tongue about your life
or dead hands will change the plot...)
2006-03-13
Take a bow

aqui
Jeanette Winterson – O Vírus do Amor
Há dias em que fico demasiado feliz por ter feito a ponte, transitando para o meu real aqueles que, por largos percursos feitos palavras, habitavam apenas a terra onde as ovelhas talvez sonhem com andróides. E é por isso que há fins-de-semana diferentes, povoados de quem gosto, de quem gostaria de qualquer maneira. Mesmo sabendo que a probabilidade de fazerem parte do meu mundo se mede bem mais em 0 e 1 do que numa qualquer matemática baseada nos dez dedos com que, no início dos tempos, aprendemos a contar.
Mas não há como escapar ao reverso. Nem sei se quero escapar ao reverso. Como uma amiga – que já foi só virtual – explicava a um amigo – que também já foi só virtual – aprendemos a treinar o instinto e estabelecemos regras, limites de segurança que não queremos, nem podemos, ultrapassar. Mesmo quando não há olhos, nem sorrisos, nem postura corporal, treinamo-nos, ainda assim, para os sinais. E batemos em retirada, se for preciso. Desconfiados, levemente tostados por histórias que quase nos queimaram, perdemos a magia dos primeiros tempos, a vontade de acreditar ou tão só a capacidade de acreditar.
Os nossos mundos paralelos estão ainda aqui. Mas há muito que erguemos muralhas e nos barricamos bem por trás delas.
Como em todos os novos percursos, fomos obrigados a crescer. Tudo na vida nos obriga a crescer, de alguma forma. Mas o que se perde em pureza nunca mais pode ser recuperado. É o mundo que sobra. Que mundo, ainda não sei…
2006-03-12
O Rei vai nu

aqui
Estão nus? Vão nus? No casulo fútil onde se escondem, a nudez é relativa. Tão relativa quanto o ego é capaz de a fazer. E recusam-se a admitir a nudez, mesmo que tenham já exposto, de forma indelével, a nudez e pequenez da sua personalidade.
Tal como o rei seria, no seu orgulho, incapaz de admitir a sua nudez, não sabem, na sua soberba, colocar-se no seu lugar. Alcandoraram-se a um pódio, um altar e por lá querem ficar. Será grande o tombo e penso que, na maioria dos casos, começa bem antes dos sintomas definitivos. Começa, aliás, no dia em que tantos de nós, que apenas estamos ou queremos estar de fora, passamos a ter pena, da mesma forma que se chega a ter pena do rei: aquela piedade corrosiva e envergonhada, não por nós, mas por figuras tão ridículas que se tornam dignas de dó.
No fundo, o trágico, o que me parece mesmo mais trágico, é a cegueira. Uma cegueira tal que mentirão a si mesmos só para não terem de ver, não terem de ver-se...
(a propósito do Berlusconi e mais umas coisinhas...)
2006-03-10
Pensamento do dia?
2006-03-09
2006-03-08
Tuguice
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Você até tem um certo jeito, e de vez em quando faz um brilharete; mas geralmente anda um bocado à nora. A organização não é o seu forte, você confia em absoluto no instinto. Você é pão-pão queijo-queijo: tudo ou nada! Acha sempre que vai conseguir ter tudo, mas, aqui entre nós, ou fica lá muito perto ou dá uma monumental barraca.
"Roubado" à Jacky, que, coitadinha, é do Togo :)))
Esfumado
And you wreck it down
Walk away and you turn around
What did that old blonde guy say
That’s the part you throw away
I want that beggar’s eyes
The winning horse
A tidy Mexican divorce
St. Mary’s prayers, Houdini’s hands
And a barman who always understands
Will you loose the flowers
Hold on to the vase?
Will you wipe all those teardrops away from your face?
And I can’t help feeling as I close the door
I have done all of this many times before
The bone must go
The wish can stay
A kiss don’t know what the lips will say
Forget I ever hurt you
Put stones in our bed
Remember to never mind instead
But all of your letters burned up in the fire
And time is just memory mixed with desire
That’s not the road; It’s only the map, I say
Gone just like matches from a closed down cabaret
In a Portuguese saloon
A fly is circling round the room
You’ll soon forget the tune that they play
For that’s the part you throw away
For that’s the part you throw away
Ute Lemper - The Part You Throw Away
(de Tom Waits e Kathleen Brennan)
E enquanto o tempo se mistura com a memória e o desejo, incendeiam-se as cartas que nunca foram escritas. Contam, como sempre, a parte deitada fora, enquanto se esforçam por esquecer o que doeu. Arrastam-se vozes num quase choro, bebendo o golo sôfrego de um copo nuns dias meio cheio, noutros dias meio vazio. E vazam-se letras, que se substituem a beijos, em lábios mudos, como quem fecha mais uma porta, ritual repetido. Querem tudo. Tudo! Mas a alma está cansada. E a música toca ainda, vai rodando, inebriante. Arrastam-se as palavras, como se arrastam os acordes. Esvoaça o fumo de mais um cigarro e tudo se vai transformando em pó. Deita-se fora a dor e o alento vai junto. É fado. É a vida feita cabaré, onde acordes lentos contam, com lassidão, mais um rumo desperdiçado. Que haja um barman para ouvir as histórias, enquanto mais uma lágrima escorrega por cada face para ir salgar a bebida forte, que queima as gargantas quase tanto como os gritos silenciados. Borboletas cegas pela luz, esperam ainda ter asas ao raiar do dia. E contabilizar, por fim, o que sobrou.
2006-03-07
Fantas

Fantasporto 2006

Minha mãe, acercando-me daquele jeito só seu, falou do medronheiro que crescera do crânio da minha avó morta.
Um belo arbusto com duas grandes raízes saindo das orbitas daquele crânio mudo, alimentando-se de uma riqueza que fora viva.
Era fim de um Verão-menino, tempo das grandes barrigadas de medronho maduro, deixando a cabeça andar à roda, tonta, perante aquele enorme horizonte que era viver...
2006-03-04
Parabéns, mãe!

Almada Negreiros - Maternidade
A minha mãe não era suposto ter nascido. Na verdade, se naquele tempo a minha avó pudesse ter escolhido, a minha mãe não nascia. Tinha sido antecedida por duas meninas que não chegaram a completar um ano de vida, dois gémeos nado-mortos e um tio que nasceu de sete meses e só sobreviveu porque a minha avó o meteu numa peúga velha e o deixou ao borralho. Eram demasiadas mortes, mesmo num tempo em que as famílias estavam habituadas a conviver com a morte e os funerais dos "anjinhos" eram o comum em lugar da excepção. Mas, tanto filho morto depois e um que mal se tinha salvo, a minha avó achava que três filhos vivos e de boa saúde era mais do que o seu quinhão. E até já tinha uma rapariga para a ajudar a tomar conta de três homens. Estava bem, não precisava de mais. Mas engravidou da minha mãe. Suspeito que não terá ficado particularmente contente. Era o tempo do pós-guerra e por cá passava-se fome. Mas que fazer? Naquele tempo também não havia muito o que fazer. Era vontade de Deus? Seria a vontade de alguém, por certo, mas duvido que o meu avô acreditasse que Deus tivesse alguma coisa a ver com o assunto...
A minha mãe nasceu magra e ossuda, com ar sôfrego, suponho que um pouco zangada com a vida. Foi uma criança magricela e, mesmo depois de duas filhas, continuou magra e seca, até a menopausa - que não perdoa a nenhuma de nós - lhe ter amaciado um pouco as formas. Mas ainda é magra e despachada, fazendo o que pode e o que não pode, sempre a queixar-se, mas sem nunca deixar de fazer. Vai ser, provavelmente a vida toda, uma pessimista, uma preocupada. Até hoje, quer que lhe telefone cada vez que chego a casa, só para dizer que cheguei bem. Tem medo de não me conhecer todos os amigos, para poder tirar a cada um as medidas à maneira dela. E, mesmo quando está contente, a minha mãe nunca parece feliz. Carrega sempre nos ombros o peso do mundo de preocupações que ela própria constrói e tem a mania que, se não meter o bedelho, nada fica bem feito.
Arranjar um presente para a minha mãe é sempre uma dor de cabeça: nunca precisa de nada, nunca acertamos com nada, nunca é o que queria de facto. Cada vez que chega próxima qualquer data propícia a presente, cá em casa há três desgraçados em crise existencial. A minha irmã e eu já aprendemos a rir-nos com o assunto, mas o meu pai, coitado, fica realmente em pânico. E dá connosco em doidas, arrastando-nos para apreciações de possíveis presentes atrás de outros possíveis presentes. Ultimamente, tem acertado, verdade seja dita: dá-lhe jóias. E a minha mãe gosta de jóias, apesar de quase nunca as usar. Aliás, conhecendo a minha mãe, acho que as deve estar a guardar em algum lado, catalogadas por data e já com a indicação de qual de nós fica com o quê, depois de ela morrer, que é para ninguém se zangar com as partilhas.
A minha mãe tem um nome que não gosta. Bem, acho que, como em relação a tudo o resto, limita-se a dizer que não gosta. Tenho cá para mim que até nem achará mau de todo. Na verdade, a coitada da minha mãe esteve para se chamar Otilinda. Isso mesmo: Otilinda. Com os dois "i". Era o nome da senhora que esteve para ser sua madrinha. Mas, como já tinha sido madrinha das duas Otilindas que não chegaram a um ano de vida, a minha avó resolveu trocar as voltas ao destino trocando de madrinha à filha. E talvez tenha dado certo, que a minha Tia-Avó Alice, que ainda está viva e de saúde, é a madrinha da Maria Alice a quem eu chamo mãe. E que também está viva e de saúde. Aliás, hoje fez mais um aninho e até parece que gostou dos presentes e da festa. Está com um ar mais ou menos feliz e já me avisou para lhe ligar quando chegar a casa...
Frio

Já quase sinto o cheiro a Primavera por entre o nosso cheiro misturado. Viste como já há tanta flor a abrir pelos canteiros e os jardins da cidade? Só falta que o sol abra um sorriso e que o rio deixe de ir cinzento. Só falta que o céu deixe de chorar este Inverno frio. Só falta que o tempo que faz lá fora deixe de gelar os nossos corpos e se aqueça deste mesmo calor que me faz apetecer os teus pés gelados...
2006-03-03
comPILAções (há sempre mais)

Do rescaldo das nossas fortuitas danças, derivam marcas de passos calculados, ensaiados ao pormenor. Passos que ensinámos um ao outro entre suor e oxigénio respirado ao fôlego ardente da nossa harmonia.
As marcas em todo o lado denunciam a dança suada que se fez minutos antes: água pinga do tecto e escorre no vidro embaciado, sangram-me as costas num molde de unhas cravadas na libertadora força do querer, gira o disco no silêncio monocórdico de uma agulha que não encontra mais músicas que tocar.
Nunca ninguém dançou como nós e nunca alguém ousará dançar porque por nós se define o significado da palavra único. Nenhum passo falso, nenhum movimento descurado. Parece que dançámos a vida toda.
Mesmo perdidos no palco, o olhar ensina o caminho que os pés querem devorar na inquietação pelo derradeiro salto que sabemos acorrer-nos em sincronia. Mesmo ausentes da valsa distante, atordoamos o cansaço com mudanças de ritmo, compasso e colocação. Mesmo embriagados pela cegueira de dançar na ausência de pensar, sabemos sempre onde nos leva a intuição.
Das nossas fortuitas danças deixas-me o vazio de te querer dançar novamente, deixas-me a fome de te conduzir nas ébrias tonturas de um ritmo que fizemos nosso, deixas-me a promessa de um passo novo aprendido na libertação de uma música escondida.
Podia eu alguma vez recusar uma oferta assim, feita um texto tão doce e sedutor?
Obrigada, Ricardo, por esta Dança dos Eufemismos.
(O comPILAções fez um ano no passado dia 24 de Fevereiro. Haveria melhor forma de celebrar? Claro que não havia! Estendo, por isso, o meu obrigada a todos quantos participaram.)
2006-03-02
Estreia: poema
A minha resposta

Ralph Fiennes
Confesso que não tenho uma relação muito saudável com os conceitos de beleza. Gosto de escalpelizá-los e, a mais das vezes, fico-me antes com o nariz torto, desde que o olhar seja ladino, com a cicatriz, em vez da cara perfeita. Nada como uma pequena mácula para tornar interessante, apelativo, aquilo que poderia ser apenas belo.
Sempre me pareceu que todos os conceitos de beleza se esgotam facilmente na multiplicação desmedida em tom de fotocópia ou, actualizando conceitos, de clones. Fácil, por isso, procurar a novidade no que, não sendo o belo do cânone, atrai pelos outros motivos. Não será à toa que nós, mulheres, nos delongámos a falar de "charme", porque não há análise que perdoe tamanho conjunto de imperfeições no sujeito. E mesmo o mais delicioso dos bonecos só o é porque a beleza apregoada não resiste a um olhar à lupa, mas o charme permanece e o conjunto vale por si.
E depois há as mãos.... nada como um lindo par de mãos a despontar à frente dos meus olhos e a engrandecer uma conversa deliciosa com um bailado de gestos. E há os olhos, com o brilho certo e a textura do veludo.... Eu vou mesmo por pormenores!
E os pormenores parecem-me, de facto, ser o que mais importa naquilo que, cada um, tem como o seu conceito de beleza. E há tantos destes conceitos que não chego sequer a compreender...
(em forma de repost... mas não há tempo para mais)
2006-03-01
A menina que escutava as pedras (ainda a Beira...)
Como sempre, no seu aniversário, foram almoçar fora, ao Pataco. Os empregados não a pouparam com mimos, oferecendo-lhe um gelado no final da refeição. Do outro lado da mesa a mãe sorria com ternura, e o pai, babado, limpava os beiços com um guardanapo.
Mas o melhor estava para vir: os primos e a tia vinham brincar com ela, a tarde toda. E, depois, havia o bolo de anos e as prendas…
Foi um rebuliço pela tarde fora. Mas, para ser perfeito aquele domingo de aniversário, faltava ainda um passeio. Aos Fiais e às suas pedras favoritas.
Mariazinha chegou-se ao pé do pai, que, de comando na mão, mudava freneticamente de imagens na televisão e disse:
-Pai…eu quero ir escutar as pedras.
-O quê miúda?
-Sim. Quero ir escutar as orcas dos Fiais.
-Mas que ideia mais disparatada! Respondeu o pai, endireitando-se no sofá.
-Leva-me lá! Insistia a filha, desatando num berreiro: Eu quero escutar as pedras. Quero ir aos Fiais!
-Ó Sílvia, a tua filha anda cada vez pior! Chamou ele pela esposa, nervoso, pois o costumeiro jogo de bola estava prestes a começar em transmissão directa.
-Mas eu quero, pai!
Aí os primos começaram, também, num coro: Queremos escutar as pedras! Queremos ir aos Fiais!...
Foi tal a insistência da miudagem que os adultos não tiveram outra hipótese senão pegar nos carros e rumar aos Fiais da Telha, para grande tristeza do pai que iria perder um jogo decisivo do campeonato.
Mal lá chegaram, as crianças saíram a correr dos automóveis gritando: Vamos escutar as pedras! Correram em direcção às antas, abraçando as grandes pedras, encostando os ouvidos à superfície rochosa.
-Maria, vem escutar esta! Gritava um dos primos.
-Agora vou ouvir o que esta diz….Dizia Mariazinha.
-Eu gosto muito desta orca. Dizia sorridente o primo mais pequenino, agarrado a uma grande massa de granito.
A tia e a mãe estavam tão entretidas com a habitual conversa de fim de semana que nem se deram conta das palavras murmuradas pelo pai:
-Meu belo joguinho ...
A tarde foi caindo. Cansadas as crianças de tanto de escutar as pedras, convenceram-se a regressar ao entardecer. E seguiram, para o carro da tia. Afinal, o jipe da tia era muito mais divertido que o carro do pai:
-Vamos todos aqui! Gritou Mariazinha.
-E eu? Perguntou o pai.
-Tu vais sozinho no teu. Respondeu a mãe.
E lá se foram, perdendo-se no pó da estrada.
O pai ficou ali parado no meio do caminho junto das enormes orcas silenciosas.
Olhou em redor, verificando que estava mesmo a sós. Então, aproximou-se, de uma grande pedra e abraçou-a. Sentiu um calorzinho que lhe entrava pela barriga, vindo da rocha ainda quente pelo sol. Encostou a orelha ao granito e escutou a voz das pedras.
Glossário:
Fiais da Telha - Terra bonita da Beira Alta
Pataco - O melhor restaurante de Canas de Senhorim
Orca - Dolmen





