2013-07-16

Ufa!


Este blogue está de férias. E eu também!

(mas tenho um telefone esperto!)

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People Have the Power by Pearl Jam on Grooveshark

Sou profundamente igual a toda a gente, tão igual que estou perfeitamente em casa dentro da multidão. Sou caucasiana num país maioritariamente caucasiano; praguejo invocando o nome de Deus ou o do seu filho como toda a gente; sou mulher, como cerca de metade da população e heterossexual como a maioria; não tenho qualquer impedimento físico e os impedimentos emocionais têm sido até agora coisa apenas minha. Sou profundamente banal e simples e anónima. Em muitos dias sou anódina também, desde que me levem com jeitinho. Mas parece que, afinal, também serei em muita coisa um ser anacrónico. Cada vez acho mais que sou, quando olho à volta. E não queria: sempre gostei desta minha banalidade inconformada, mas serena.

2013-07-14

Optimus Alive 2013 - Já não tenho 20 anos :(


E, sim, era suposto ter visto Legendary Tiger Man (não se conseguia sequer lá chegar) e ter aguentado a noite até aos Crystal Castles, lá para as duas da matina, para aproveitar (bem!) o dia de festival. Mas sai de DP com tanto calor, tanta sede que era capaz de atropelar camelos (e acho que atropelei alguns) e especialmente tão partida com o tanto que dancei, que acabei a meter o rabinho entre as pernas e pôr-me a caminho da caminha a horas demasiado decentes.

Optimus Alive 2013 - Depeche Mode



Arrasaram! Só não veio a barraca abaixo porque não nos deixaram subir para o palco.


Optimus Alive 2013 - Editors



Talvez para quem estivesse lá atrás parecesse, como já li, um concerto morno, ou que iam passando a medo os temas novos. Mas lá à frente, via-se como estavam a interagir com o público. E à frente estavam os fãs; não estava só quem queria marcar lugar para ver DP. Às tantas o mal é agora os "jornalistas" que cobrem os festivais e depois escrevinham umas coisas ficaram na área VIP, a quilómetros da realidade.

2013-07-12

Medo


A minha mãe acha que preciso passar a ser mais comedida nas minhas opiniões, que isto está mais para dar uma volta para uma ditadura que outra coisa qualquer e quem tiver ousado opinar será, forçosamente, penalizado. E a mim assusta-me que a minha mãe, que viveu meia vida em liberdade e outra meia em ditadura, tenha novamente medo de uma realidade dominada pela censura.

2013-07-10

Hem?!

fonte


Quer o Presidente da República, quer o actual governo e os dois partidos que o compõem, andaram dois anos a demonizar o PS e o antigo governo, culpando-o de tudo e mais um par de botas. Ainda a semana passada, só os swaps do PS é que eram tóxicos; os do PSD eram só exóticos. Então, como pode Seguro aceitar agora qualquer compromisso? E o Paulinho das Feiras, se já não for vice, vai ao dicionário e descobre o que é "irrevogável"? E PPC, vai continuar a perder poder às fatias e não diz nada? E continuamos a ter que ir aturando o PR que, ao fim de dois anos, de certa forma vem admitir agora que, afinal, andou dois anos a fazer asneiras e, às tantas, descobriu hoje que veio tentar falar grosso tarde demais?

2013-07-08

Sai o Paulo, entra o Paulo

Super-mulheres



Nós até sabemos que podemos e devemos dizer tudo, fazer tudo, sem cobranças, para além das tantas que já fazemos diariamente a nós mesmas. De saltos altos, na maioria dos dias, para que ninguém esqueça que há nisto tudo uma certa dose de masoquismo. Somos uma geração de super-mulheres. E, no entanto, continuamos a cair como tordos. Este fim-de-semana foram mais duas. Uma à facada. A outra nem percebi bem como, que a notícia dedicou-se à história com mais fogo de artifício. Mas também está morta. É que as super-mulheres da vida real ainda não conseguiram realmente os super-poderes. Mas eu, que sempre gostei de heróis que usam a inteligência e os gadgets em vez de confiarem na mutação de genes, continuo sem perceber como uma sertã à cabeça ou o ferro de engomar espetado no entre-pernas não pode resolver muita coisa atempadamente. Será da tal dose de masoquismo?

2013-07-05

Estultícia


Às vezes o ruído à nossa volta – especialmente o que se sente proveniente dos canais generalistas e de mais todos os jornais dos mesmos grupos de interesse, acrescentando ainda todos os discursos de todos os políticos – deixam-me com vontade de silêncio. Um silêncio que desconstrua discursos, desconstrua demagogias, tape a boca aos demagogos. 

Mas por mais que procure o silêncio e já nem tente sequer prestar atenção aos discursos de circunstância e às desculpas de ocasião, sei que vai haver sempre demagogia em abundância, especialmente se os políticos da treta encontrarem justificações para a própria estultícia. E, raios!, como conseguem!

2013-07-03

Ética e honra

«De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.» 

Ruy Barbosa - "Requerimento de informações sobre o caso do Satélite". Discurso no Senado (17/12/1914)

Antes, um homem dava a sua palavra e a palavra valia como um contrato firmado na presença de testemunhas; um aperto de mão era um selo; a ética regia o quotidiano. Ainda há gente assim, mas vai sendo cada vez mais rara. E não tenho dúvidas que a ética entrou em crise ou está já moribunda. E sem ética nada disto vai ao sítio. Para já não falar em honra, mas isso então, acho que a maioria nem saberia a que me estou a referir e, se bem que encontrassem a palavra no dicionário, provavelmente nunca teriam dado com ela na vida.


2013-07-02

"A canção do coveiro"



Não sei porquê, mas pareceu-me apropriada para hoje...

Estamos fodidos!

(recebida por mail)

Já estávamos falidos, agora vamos gastar mais uns milhõezitos em eleições. No entretanto, vamos brincar às campanhas. Depois, vamos ver um mandatário qualquer da UE a pôr e dispor a seu bel-prazer. E o outro podia ter todos os defeitos do mundo, mas ao menos tinha-o por sério. Será que podemos esperar o mesmo do que aí vem?

2013-07-01

Nop!


Esta não era nem de perto nem de longe o tipo de alternativa em que estava a pensar quando escrevi o post de ontem.

2013-06-30

you are free to do as we tell you



Às vezes acho que as causas motivadoras desapareceram e talvez por isso os partidos e os sindicatos nos pareçam hoje tão anquilosados. Não basta só reclamar contra a merda dos políticos que nos sobram; é ver que a causa está na merda em que se foi transformando o sistema que os pariu. E mesmo que continuemos a acreditar na frase de W. Churchill de que “a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas”, também temo que esteja hoje demasiado desacreditada e fragilizada na sua última encarnação para controlar as forças geradas por um dos mais velhos pecados: a avareza. E esta última crise tem-nos demonstrado vezes sem conta como um capitalismo desgovernado nos leva apenas em direcção ao precipício.

Ora, com os políticos que temos, só falta saber qual o primeiro a dizer que é preciso dar mais um passo em frente. Aliás, no caso concreto português, temos um homem que está farto de nos sugerir vários passos em frente e o resultado está à vista. O precipício tem agora mais um número: 10,6% do PIB. Ao leme em direcção ao abismo continua Vítor Gaspar. E podemos sempre alegar que não é bem um político, que é um técnico, que ainda há tempo e que no fim do ano as contas vão dar certo. Mas eu acho que Vítor Gaspar realmente acredita nas suas ideias económicas e que provavelmente nem entende porque os seus modelos, tão bonitos no papel, nunca batem certo com a realidade. Como também o acredito um bom técnico. Só que às tantas estávamos era mesmo a precisar neste momento de um brilhante político na pasta das finanças e já não sei se acredito que há uma coisa dessas. Para tal era preciso que não achasse o sistema tão minado, o compadrio entre grupos económicos e forças políticas tão sem açaimo, a corrupção tão galopante e a falta de uma ideia com força suficiente para dar a um qualquer político - ainda por nascer e fora do sistema entrincheirado que são os partidos - a força suficiente para se libertar das formas velhas e falidas e encontrar a forma nova de uma democracia regenerada para voltar a pôr ordem no sistema que devia servir o povo e não fazer do povo seu servo.

Depois e para complicar o que já parece quase impossível, ainda temos que até as próprias ideias estão sujeitas hoje em dia às regras da oferta e da procura, do melhor marketing, da visibilidade mediática. E de cada vez que a o marketing foi assim aplicado à política, tivemos que lidar com propaganda e esta sempre foi a melhor das ferramentas de todos os regimes que nada têm a ver com democracia.


Não, o progresso não está garantido. A única coisa que podemos ter como garantida nos próximos anos é uma crise sem estertor. E talvez seja só mais um dos tais casos em que é preciso bater no fundo. Mas o fundo não é bonito e vai doer e não devia ser admissível não termos ainda encontrado os anticorpos que não nos façam morrer antes das várias tentativas de cura. 

2013-06-28

Trimestre

Revolver by Isobel Campbell & Mark Lanegan on Grooveshark

Lá se foi mais um. Precisava dormir três meses e, ainda assim, acho que não chegava para recuperar deste cansaço que poisou, largou amarras e agora se transformou em lastro colado aos meus dias.

2013-06-25

Brasil



«O clima das manifestações está tão forte, que hoje no trânsito eu espirrei, o motorista do lado disse: "SAÚDE" o de trás gritou "EDUCAÇÃO" e todos cantamos o hino nacional.» 

 Jô Soares



2013-06-24

Eu também tirei uma fotografia à lua


Mas foi com a caca do telemóvel e só a ponho cá hoje que, ontem, andava a brincar ao S. João.

2013-06-23

Terra-Gate

madness you are, interrogate into hate operate into hate
tomorrow it's too late
and it's terra into terra-gate

 

Tirando o facto de esperarem que uma pessoa fique sentadita e quietita no seu lugar (PIL sentado? Esta gente passa-se!), foi um concerto do caraças! E, sim, como antes quando o Punk saiu à rua para mostrar a revolta de uma geração perdida, talvez faça todo o sentido ser agora que me calhou ouvi-los. Não são os Pistols nem nunca o quiseram ser. Já não é a mesma música. Já ninguém é o mesmo. Mas, caraças!, "Grandpa Rotten" ainda sabe bem como se faz!