Que a minha raiva me devore inteira!
Que rasgue a pele e faça do meu grito punho,
que o horror do mundo entre pelos meus olhos e me sujeite ao chão.
Não quero aplausos. Não quero consolo.
Quero ver o silêncio cúmplice a sangrar na minha língua,
quero que cada mentira, cada porta fechada, cada criança roubada
me bata no peito como ferro quente.
Aí vai o meu poema — lâmina, fúria, fogo —
vai rasgar o ar, vai cortar a mentira,
vai escorrer pelo corpo de quem se fez cego e surdo.
Não é arte. Não é jogo.
É punho, é vómito, é o grito que ninguém quis ouvir.
E se não ouvirem?
Que se fodam.
Que eu grite até que o chão trema.
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