2026-02-24

Inverno 2026


Pronto. Cá estou eu outra vez, estendida na horizontal existencial, qual boneco de neve pós-época alta, espetada por tudo o que é faca terapêutica que existe na gaveta lá de casa.

“Ah e tal, reforça a imunidade.” Reforcei.
“Bebe chá com limão.” Já nado em citrinos.
“Descansa.” Estou a um espirro de pedir baixa por tempo indeterminado até março.

Este inverno decidiu que eu sou o seu projeto pessoal. Não me larga. Não me supera. Não me esquece. Somos tóxicos, claramente. Ele manda frio, eu mando ranhoca. Ele sopra vento, eu respondo com tosse cavernosa às três da manhã. Ele chove, eu espirro em dissonância. 

Se me virem por aí, não se assustem. Não é dramatização. É só mais uma edição limitada: Eu — Inverno 2026, versão constipada remix.

Aceitam-se mantas, Netflix e uma cura milagrosa. Ou um exorcismo meteorológico. Tanto faz.

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