2004-11-16

Desnorte

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.

Maria Teresa Horta - Poema Sobre a Recusa


Sem rumo, suspiro num esgar sorridente mascarado para o mundo, enquanto busco a bússola que me guie.

Sem ti, meu astrolábio de desdita, minha caravela de esperança, mais perdida fico, mais perdida estou.

Não há rotas; não há mapas.

E não chegas sequer a ser terra da boa esperança, escondida nos desenganos dos dias.

Só a busca. Só o desnorte. Só a recusa...

4 comentários:

Mofo disse...

Muito bem escrito.

Fora do contexto; tu tens uma biblioteca de poesia em casa? :)

Hipatia disse...

Obrigada :)

Quanto à biblioteca de poesia, não tenho, até porque nem tenho espaço para qualquer tipo de biblioteca... Mas tenho uns livritos ;)

Gosto de coleccionar palavras. A poesia afinal mais não é do que palavras em ritmos estranhos e sugestivos. Talvez por isso nos mostre tão bem a essência das coisas.

A piada é que não gosto de escrever em verso. Onde me sinto à vontade é na prosa...

:*

Maria Branco disse...

Belissimo... estas tuas palavras fazem-se sentir!

Hipatia disse...

Obrigada, Maria :)

(Não sei mais o que dizer... às vezes as partilhas são difíceis; é bom saber que outros também as sentem)