2005-02-26

Fio Condutor

Tenho muito medo
das folhas mortas,
medo dos prados
cheios de orvalho.
eu vou dormir;
se não me despertas,
deixarei a teu lado meu coração frio.
(...)


Federico Garcia Lorca - Ar de Noturno


Nota prévia: Este não é um post erótico


Estava um calor imenso, um daqueles calores que se entranham na pele e na alma e deixam os corpos sufocados. O carro rugia ainda, pela estrada fora, as janelas abertas, para que entrasse algum ar, algum alívio. E, do lado de fora, o verde-amarelado com um leve cheiro a queimado dos campos onde já nada cresce. Campos em repouso, com ar de estio.

Ela olhou para o outro lado e viu um perfil quase desconhecido de alguém que conhecia bem. Embrulhou as mãos no colo, nervosa, sentindo que o estômago se queixava de tantas horas de jejum. Apetecia-lhe parar. Doíam-lhe os olhos de tanto se perderem na planície sempre igual; doía-lhe o corpo de tanto tempo sentado. E, do outro lado, o mesmo rosto sério, tão sério que parecia esculpido nos granitos a que estava habituada. Estava com saudades de casa…

As mãos nervosas, suadas, agarravam-se agora ao assento macio do banco, mas quase tinha medo de um gesto mais brusco, um que fizesse surgir palavras, palavras que ela não encontrava para dizer. Se ao menos ele pusesse música…


Sentia o corpo transpirado, desconfortável, a roupa a colar-se. Arrependia-se do preto, das calças. Arrependia-se de ter entrado no carro.


De repente, sentiu que o carro abrandava e se preparava para encostar. Olhou de lado, desconfiada. Nem uma palavra. Nem uma. Pela janela, dois ou três sobreiros prometiam a sua sombra e talvez uns restos de brisa. Iam parar, sim. Finalmente iam parar. Será que as suas pernas ainda se conseguiam manter firmes, seriam capazes de segurar o corpo cansado, depois de tantas horas na mesma posição tolhedora?


O carro parou por fim e ela tirou o cinto de segurança. Ainda sem palavras. Não havia palavras… E ele saiu lesto do carro, pegando na garrafa de água, no rosto um ar sequioso, nos olhos nenhuma expressão. Ela saiu lentamente do carro. Cansada, nervosa… "Posso beber também?" Os olhos dele caíram sobre ela e nem uma palavra, só um gesto vazio. E a garrafa mudou de mãos. Ela olhou para ele e viu-lhe ainda nos lábios um resto de humidade e nos olhos um ar gozão. Virou-lhe costas para beber. Não queria que ele a visse beber. Estava nervosa.

Ouviu um barulho atrás de si e rodou o corpo para ver o que se passava. Ele tirava da mala nesse momento uma esteira e esticava-a à sombra, ao lado do carro. Uma esteira? Será que iam ficar ali muito tempo? Não teve coragem de perguntar. Limitou-se a sorver mais uns goles de água, calada, desconfiada… Mas a sombra era convidativa e a tarde quente fazia apetecer sentar ali. Sentia-se sonolenta e muito cansada, um cansaço menos físico do que mental, cansada das horas de nervos que ainda não queriam deixar o seu corpo. Mas a sombra prometia e não lhe resistiu mais. Foi sentar-se, aproveitando o carro para encostar as costas, esticou as pernas, cruzou os pés. Cruzou as mãos também, sobre o colo. Não sabia o que tinha, por que aquela urgência em cruzar o corpo, em resguardo, uma vazio resguardo num gesto auto-protector. Fechou os olhos, encheu o peito de ar e dos seus odores, concentrou-se no zumbido das abelhas.

Sentiu-o sentar-se ao seu lado e tremeu imperceptivelmente. Tentou lembrar-se dos motivos que a fizeram embarcar nesta viagem, em todas as razões que tinha para confiar nele. Nem sequer tinha porque estar tão nervosa. Ele era sempre educado, delicado, simpático. Não a atormentava com piadas nem chorrilhos de asneiras. Era companheiro, amigo. Davam-se normalmente tão bem… Gostava de estar ao lado dele, de ver como aquela mente não parava de fervilhar. E, no entanto, tremia. Tremia como se tivesse frio naquele dia de calor maior.

Deixou-se ficar, olhando o céu. Não queria olhar para aquela figura sentada ao seu lado. Não podia. Ele deixava-a nervosa, tão nervosa. No céu, lá em cima, dois falcões voavam num bailado só deles. "Rapinas. Acasalam para a vida", pensou, "Seria tão mais fácil ser uma rapina e voar lá longe, lá em cima, a vida decidida pela genética e a quantidade de roedores para caçar." Disfarçou um bocejo. Não queria que ele a sentisse sonolenta, mas ele notou. E talvez tivesse notado algo mais, porque o ouviu suspirar. Mas não olhou. De uma forma intuitiva, sentiu que era perigoso olhar. Sentiu que o gelo talvez não o fosse tanto e ficou outra vez nervosa e as mãos entrançaram-se e retorceram-se mais uma vez no colo.

Tentou pensar em trabalho, nos projectos arrancados a ferros depois de tantas semanas sem descanso, sem vida. Tentou pensar no tempo, nas férias, nas rapinas… Doía-lhe a cabeça do carrapito apertado em que aprisionara o cabelo. Um ar muito profissional, mas inconfortável. Custava até encostar a cabeça ao carro. Será que parecia muito mal se soltasse o cabelo? Devia estar uma lástima, depois de tantas horas de clausura. Que iria ele pensar, de um gesto tão corriqueiro e, no entanto, tão íntimo? "Nada! Não tem que pensar nada! Mas porque será que estou tão nervosa?"

"Que tens?"

Estremeceu com a suavidade da voz, não a esperando.

"Nada."


Sentiu de repente a mão dele no queixo a forçá-la a olhar para ele, suave mas firme.

"Que tens hoje? Estás calada, quieta. Pareces assustada."

Foi forçada a olhar para dentro daqueles olhos profundamente. E aqueles olhos buscavam-lhe agora os segredos, perscrutando os olhos dela. E ela estava nervosa, tão nervosa, a perder-se naquele olhar tão macio, tão quente. E era um olhar tão caloroso e ela tremia ainda, sem perceber porque estava tão assustada com um mundo de inseguranças e medos e o papão ao virar da curva da estrada...

Não, afinal talvez soubesse porque estava tão nervosa. Era ela, só ela. Era um gelo que derretia, era aquele calor…

"Só tenho calor", acabou por dizer, usando as palavras verdadeiras, escondendo os significados. Mas a voz sai tremida ainda, nervosa.

E aqueles incríveis olhos dele, que não a soltavam por um momento, olhando directo para ela e a deixa-la impotente. E os dedos fortes que não lhe largam o queixo, a forçam a olhar também. O ar entre eles ficou como que carregado de electricidade e já nem o zumbido das abelhas era perceptível. Era o próprio ar que zumbia dentro dos ouvidos dela, numa tensão crescente. Mas manteve-se calada, sem palavras.

"Meu Deus, mulher!"

E parecia ter sido necessário um esforço sobre-humano para que os olhos dos dois finalmente se separassem e o corpo dele recuasse de novo, em direcção ao carro, para longe dela.

Porquê ela? Não chegava a entender. Que estava afinal ali a fazer? Apetecia-lhe fugir, correr para longe, refugiar-se num qualquer ermo aconchegante onde ninguém lhe quisesse ler os segredos pelos olhos, onde não houvesse decisões para tomar, onde fugir ainda era possível…

Olhou outra vez para o céu quase branco de tanta luz, para as rapinas em eterna luta pela vida, procurou o som das abelhas laboriosas, sentiu o cheio da terra queimada pelo sol inclemente. Procurou tudo, buscou os silêncios, perdeu-se nos seus medos, encontrou um caminho. Sentiu então que o nervoso ia desaparecendo enquanto toda a natureza lhe acalmava o corpo. Sentiu que fazia parte da natureza também, que não havia nada mais simples. Preencheu-se de odores e de calma, entranhou o calor no corpo, combateu o papão.

Num gesto maquinal, instintivo, desatou as mãos, descruzou os pés, fechou os olhos e inalou o ar. Soltou os cabelos à brisa, ofereceu a pele branca ao sol e tirou os sapatos. Estava tão farta de pensar!

Olhou então para o lado e encontrou um par de olhos, também inseguros afinal, que lhe tinha seguido todos os movimentos, todas as expressões, todos os suores. Mas agora já foi capaz de sorrir. Estava uma tarde linda, estava um calor saboroso, estava com alguém com quem se sentia bem e que até era capaz de lhe perdoar os silêncios. E ficou de bem com ela e com o mundo e decidiu que não haveria decisões a tomar, que os medos não lhe tolheriam os gestos, que o presente não precisa de fio condutor. Olhou a estrada e já não teve medo dela. De alguma forma sabia que o destino se encarregaria de pôr tudo no seu lugar e o que tiver de ser, será. Não, não ia agora pôr-se a olhar para o futuro, se tanto tinha sido difícil correr com os papões do passado. Ia aproveitar aquele momento, os minutos de sossego, o aconchego da companhia, a certeza de estar viva e quente e preparada para viver.

"Dás-me um cigarro, por favor?", disse por fim, enquanto deitava calmamente a cabeça no colo dele. "Só me falta mesmo um cigarro para este momento ser perfeito".


1 comentário:

Hipatia disse...

Fio Condutor

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On : 2/26/2005 1:34:44 AM vague (www) said:


Está lindo Hipatia, na forma como foste capaz de transmitir os sentimentos deles e do ar carregado de electricidade. E sabes, o que não se diz é muito sugestivo também ;) Gostei.

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On : 2/26/2005 7:47:19 AM duende (www) said:


Por qualquer motivo que não te sei explicar, sinto que esta é uma história verídica. Também eu gostei muito.

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On : 2/26/2005 11:37:08 AM Hipatia (www) said:


Obrigada, Vague

E, sim, às vezes sugerir apenas é bem mais difícil. É quase um exercísio de auto-controlo.



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On : 2/26/2005 11:43:04 AM Hipatia (www) said:


Por acaso, Duende, esta não é uma história verídica. Era o final do que pretendi que fosse um conto, cheio de aventuras, muitas voltas, um desfecho tipo "e seguiram a caminho da linha do horizonte". Uma treta assim. Ficou tudo tão mauzinho que nunca tive coragem para o recuperar. Mas, esta parte final, por acaso achei que ficava bem na sequência do comPILAções. Por não ser erótico mas porque, ao apresentar tantas nuances relacionadas com corpos e inseguranças, o sinto carregado de alguma dose de sensualidade.

Obrigada

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On : 2/26/2005 11:52:25 AM duende (www) said:


Tem até grande dose de sensualidade. Precisamente porque a descreve sem a mostrar.

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On : 2/26/2005 11:59:02 AM Hipatia (www) said:


Era mesmo essa a intenção.

Obrigada, Du

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On : 2/26/2005 2:38:00 PM Mar (www) said:


Bonito mesmo. Apetece que continues para sabermos o que se passa a seguir ao cigarro...;-)

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On : 2/26/2005 2:53:28 PM Hipatia (www) said:


Vão os dois em paz a caminho da linha do horizonte...

Vão experimentar a esteira de várias formas e fumar mais um cigarrinho depois...

Vai aparecer o The End...

...

Podes continuar a história ao sabor da tua imaginação, Mar e, depois, ponho-te ali em baixo no comPILAções

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On : 2/26/2005 3:57:19 PM cachucho (www) said:


O que é que tu andas a tomar Hipatia? Queres partilhar comigo? :)

Não sei o que andas a tomar, mas gosto cada vez mais de te ler!

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On : 2/26/2005 4:05:15 PM Hipatia (www) said:


Foi só uma gripezite, afonice completa e uns "relaxantes". O resto, foi mesmo ver-me fechada em casa e dar asas à imaginação para não dar em doida com a clausura.

Ainda estou à espera do teu, oh peixinho... o Frogas já contribuiu e tudo. Ao menos isso: Frogas - o digno representante dos Enresinados no comPILAções

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On : 2/27/2005 7:54:31 AM Caliope (www) said:


Está....... tão lindão!

EHEHEH


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On : 2/27/2005 10:35:55 AM Mar (www) said:


A "desafiar-me" cara Hipatia?...
(não me sinto inspirada para posts eróticos)

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On : 2/27/2005 10:53:36 AM Mar (www) said:


"Dás-me um cigarro, por favor?", disse por fim, enquanto deitava calmamente a cabeça no colo dele. "Só me falta mesmo um cigarro para este momento ser perfeito".

Ele observou o fumo em espirais que se desprendia da sua boca semi-aberta. Vermelha e cheia, húmida, a boca dela.
Sem se aperceber, roçava um dedo suavemente pelo desenho dos lábios, pelos olhos fechados enquanto ela permanecia imóvel. Apenas a respiração acelerada denunciava o coração aos saltos, o baixo-ventre a ontrair-se, o corpo dela a liquefazer-se aos poucos, numa vertigem doce.
Num impulso, ele baixou a cabeça até que a sua boca se colou na veia que pulsava devagar no pescoço dela. E, de repente, nada mais importava, a estrada, as decisões, o calor, o cansaço, o cigarro apagado contra o tronco da árvore. Entraram um no outro, sobre a mãe-terra, os corpos num só, fundidos como se quisessem ser raíz a rasgar o solo, as bocas num sorvo mútuo, as mãos, loucas, a gravar a pele do outro em cada palma.
Amaram-se ao entardecer, incendiados na volúpia de se pertencerem e nem deram conta de outro fogo, no horizonte, o sol a tingir de vermelho o céu da planície à medida que se afundava na noite.

É o melhor que me sai, assim de repente...


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On : 2/27/2005 11:38:59 AM Hipatia (www) said:


Gostei mesmo da tua lua, Caliope. Mas isso deve ser de eu ter uma relação estranha com ela. Aliás, acho que esta semana na minha Voz tem sido uma semana de "boa lua". Afinal, ela ainda é a Astarte que condiciona os nossos humores, os nossos ciclos, a nossa sensualidade

Estava lindinho mesmo

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On : 2/27/2005 11:41:15 AM Hipatia (www) said:


Mar, que te saiam muitos repentes desses

Já estás ali em baixo. Chamei "Fogo" ao teu texto e espero título, se quiseres mudar.

Muito melhor essa continuação do que qualquer uma que eu pudesse ter imaginado. Fantástico!

Beijinho e obrigada por também teres aceite o desafio.

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On : 2/27/2005 1:29:54 PM Mar (www) said:


"Fogo" está muito bem, sim senhora, Hipatia, gostei deste trabalho de parceria.
(foi só mesmo por ser "de repente", se me pusesse a pensar muito não saáa nada...)

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On : 2/27/2005 1:30:35 PM Mar (www) said:


saaa...era saía, pois claro...

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On : 2/27/2005 1:42:42 PM Hipatia (www) said:


Está lindo o texto, Mar.

(e, às vezes, nestas coisas, são os impulsos os momentos mais saborosos, não é?)

Deixo o título então

Beijinho

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On : 2/27/2005 4:47:46 PM Mar (www) said:


Pericaso sou bastante impulsiva... Obrigada Hipatia, é um texto normal a tentar encerrar de forma poética o encontro daqueles dois.

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On : 2/27/2005 5:06:55 PM Hipatia (www) said:


Um dia talvez eu me resolva a dar uma volta completa ao conto onde fui buscar esta parte final. É que estava mesmo mauzito... Mas, se um dia fizer isso, acho que vou ter de te dar uma palavrinha

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On : 2/27/2005 7:21:58 PM corpo visível (www) said:


Muito bem Hipatia!!!
Despertaste-nos a curiosidade. Agora queremos mais!!!

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On : 2/28/2005 3:51:17 AM Mar (www) said:


Ora hipatia, assim fico envergonhada, onde é que foste buscar a idéia de que o que eu escrevi está melhor que toda a história que o antecede?
Mas se quiseres outra parceria é só dizer.


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On : 2/28/2005 5:19:21 AM Luis_Duverge (www) said:


Adoro ler-te quando assim escreves ...imagina duas pessoas que se conhecem pela primeira vez e antes de falarem, as duas frente a frente a antecipar o encontro descrevendo-o uma em frente à outra, que textos surgiriam ?
Beijo .

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On : 2/28/2005 6:27:14 AM Diálogos Interactivos (www) said:


Já alguma vez pensaste em escrever um livro ? Este é um excelente texto que poderia ter sido retirado de um livro, não sei se do inicio do meio ou do fim . * * * * *
Beijinho

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On : 2/28/2005 11:47:23 AM Hipatia (www) said:


Hoje não estou para grande coisa, Corpo Visível. Dormi uma hora e tinha uma semana de serviço à minha espera...

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Olha que ideia gira, Mar. Estava a ler a proposta abaixo do Luís e a pensar que até era capaz de ser uma boa ideia para um início de história.

Começas tu ou começo eu?



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Luís, alinhas numa parceria também?

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Pensar já pensei, Diálogos. Mas não ia ser grande coisa. Falta-me disciplina e inspiração.

E que exagerado és sempre nos elogios. Obrigada

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On : 3/1/2005 5:39:31 AM Mar (www) said:


Tu, minha querida, que eu nem sei como é que me meti nisto...


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On : 3/1/2005 11:02:55 AM Hipatia (www) said:


Podemos sempre tentar fazer qualquer coisa do tipo do que andam a fazer no Afixe. Mas sem o non sense. Tenho que ir para o dentista e não sei quanto tempo demoro. Mas hoje ainda tento pegar nesse início de história, a ver no que poderia dar

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On : 3/2/2005 6:01:17 AM Mar (www) said:


o cadáver é muito mais fácil que essa proposta de história com pés e cabeça. Precisamente pelo non-sense. Fazer sentido é que é difícil...

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On : 3/2/2005 11:57:47 AM Hipatia (www) said:


Ando cansada e pouco inspirada, Mar. Ainda não recuperei totalmente da gripe e, voltar ao ritmo de trabalho depois de uma semana sem fazer nada, está a mostrar-se mais complicado do que previa. Mas não vou desperdiçar esta ideia