Ariana Richards - Reverie
E é quando chegas a desoras, por entre os espaços que a noite tece ao abrir-se à madrugada, que nasce um calafrio na minha espinha. Começa breve, no cós das costas, que para estas coisas as costas são um espaço com costura.
Sobe lentamente, como que dedilhado, imprecisa-se por entre os gumes da minha pele arrepiada. É quase como um sopro, ou um suspiro. Tem sabor e cheiro, tem tacto. É um ir e vir subtil, um ensaio quase geral a que falta a música.
Chega a saudade por entre as primeiras luzes da manhã, levanta os lençóis e aloja-se junto. Abraça-me e ficamos lá as duas.
Mas estou fria, sozinha, enrodilhada na vontade de te ver chegar a desoras, para me abraçares o corpo pelas costas, fazeres com as mãos ninho no meu peito e me despertares o corpo e os sentidos.
Comprimo-me assim contra o vazio feito lembrança. E ainda te sinto o cheiro a limão e baunilha, com laivos de maresia. Sabor agridoce, como lágrimas sorridas. Ou o toque da distância, quando a saudade me vem acordar, neste imperfeito chegar de coisa alguma.
Um fado de te sentir sem te ter verdadeiramente, sempre a desoras, como as luzes da madrugada ou os primeiros raios de sol, que não me aquecem, enquanto brilham sobre a minha pele nua.
Sobe lentamente, como que dedilhado, imprecisa-se por entre os gumes da minha pele arrepiada. É quase como um sopro, ou um suspiro. Tem sabor e cheiro, tem tacto. É um ir e vir subtil, um ensaio quase geral a que falta a música.
Chega a saudade por entre as primeiras luzes da manhã, levanta os lençóis e aloja-se junto. Abraça-me e ficamos lá as duas.
Mas estou fria, sozinha, enrodilhada na vontade de te ver chegar a desoras, para me abraçares o corpo pelas costas, fazeres com as mãos ninho no meu peito e me despertares o corpo e os sentidos.
Comprimo-me assim contra o vazio feito lembrança. E ainda te sinto o cheiro a limão e baunilha, com laivos de maresia. Sabor agridoce, como lágrimas sorridas. Ou o toque da distância, quando a saudade me vem acordar, neste imperfeito chegar de coisa alguma.
Um fado de te sentir sem te ter verdadeiramente, sempre a desoras, como as luzes da madrugada ou os primeiros raios de sol, que não me aquecem, enquanto brilham sobre a minha pele nua.
21 comentários:
Depois de um post tão bem costurado, a minha actual falta de inspiração só me permite dizer-te, plagiando os trovante, que mais vale ter saudades do futuro.
Todos os anos, enquanto o início de Maio se aproxima e vejo o calendário a marcar mais um ano sobre a maior das ausências, entro num estado de espírito que não gosto de impor a ninguém, mesmo quando, sem nem bem querer, ele passa por entre as palavras que não digo. A saudade é tramada!
A saudade também pode ser vida. Aliás deve. Não deixes que ela mate mais nada em ti.
Um grande beijo.
Isto passa...
:)
...
Muito tramada (a saudade)...
Beijinho
Porque será que não nos resolvemos antes a "inventar" a alegria?
Tramadíssima!
Como tu própria escreveste, "a saudade é tramada", mais ainda se a pessoa que a fez nascer, mesmo em presença física, não deixa de ser ausência...
Há uns posts atrás, dizia que há dias em que me deprimo a mim mesma. Infelizmente, é quase sempre contagioso. Talvez por isso ande mais silenciosa.
E somos dois....
Inventar a alegria não é tarefa solitária.
Esta tem que ser passada a alguém e devolvida, como uma bola de sabão soprada entre duas bocas.
;-)
Eu estou com o Old. Alegria é tarefa repartida. Tu cá, ele lá, os dois cá, toma lá dá cá.
Inventa-te e dá-te.
:-)
...e recebe!
Quero ver os teus olhos a rir, ruivinha. Um beijo grande.
Mas se reclamas sempre dos meus "moods", Gaivina...
:p
Tens razão, Old Man. Mas há, ainda assim, a predisposição para a alegria e essa tem de ser inventada e reinventada constantemente por nós :)
Nem sempre é assim tão fácil, Jaquelina Pandemónio :)
Eles vão sorrindo, Zu. O sentimento é "só" agridoce ;-)
Obrigada eu por teres gostado, Velvet :)
é fácil é!!
basta querer, fazer, inventar, e se for preciso esquecer para recomeçar.
sei do que falo rapariga ;-)
...esta do falo...não estava prevista,ou será que estava?
...adiante
:-)**
Eu sei do que falas - e do que falo também - durante quase todo o ano, J.P. Mas há efemérides que... bem, adiante!
Beijo
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