2006-04-28

A vida é conversável











Markus Raetz (folha de eucalipto sobre papel)


Sempre tive para mim que a vida é algo conversável.
Vou transpondo os acontecimentos da vida, perguntando-lhes do entendimento. Tenho uma máxima secreta que me aconselha a não esquecer nada, que não tenha entendido bem antes.
Assim, vou fazendo uma série de recorrências ao Passado e às pessoas que o habitaram, na esperança de poder desenhar melhor uma cartografia interior:
- Sucedem-se os encontros com antigos amores, amigos desavindos e livros recusados.
Tudo isso ajuda a reencontrar o som dos passos que fazem a nossa caminhada.
Sei que tu, leitor, dirás o mesmo que eu numa tautologia que habita os dias que vamos vivendo...

12 comentários:

deep disse...

Felizmente, a vida não tem acção fechada como alguns livros ou como alguns filmes. Esses reencontros não acontecem por acaso - penso eu! Por vezes, até é bom que aconteçam numa fase em que estamos mais maduros para os integrar de forma mais positiva e menos dolorosa no nosso percurso de vida.
Bjs e tem um bom fim-de-semana.

gaivina disse...

Pois é, Deep...
Por estar a passar essa fase de maturidade, resolvi reentabelar esse diálogo com o passado...

maria_arvore disse...

O que nós somos agora não é uma montagem passada de Legos?... Em qualquer altura, podemos mudar as peças. :)
E não é essa alegria de brincarmos com as nossas construções que torna a vida interessante?...

gaivina disse...

Maria,
Importa entender bem, como e porquê se montou determinada peça naquele lugar. Remontamos a nossa existência constantemente, até durante o sono. Uma peça mal encaixada produz um incómodo na vida desconfortável...é melhor colocar o lego no lugar, bem encaixado.
Mas todos sabemos, que é preciso escolher o momento certo para voltar a abrir a caixa dos legos. Não deixem passar muito tempo... Vão lá à arrecadação e abram a caixa, sem medo: a Vida é muito curta....

jp disse...

Concordo contigo gaivina.
Esquecemo-nos vezes demais, o que fomos, o que foram, o que aconteceu e porquê.
Só conhecendo bem as peças, é que podemos "jogar".

Hipatia disse...

Às vezes, sabia-me bem poder esquecer...

jp disse...

ru ao contrário gosto de poder recordar
éuma forma de não recorrer nos mesmos erros, Hipatia.

Hipatia disse...

Eu tenho memória de elefante, Jaquelina Pandemónio. Até me lembro de andar de "voador" (mais propriamente de ir contra o frigorífico), coisa para ter acontecido bem antes dos 2 anos de existência :P

gaivina disse...

JP:
Às vezes, estar acordado doi....mas vale a pena!

jp disse...

então somos duas. eu lembro-m do axadrezado enigmático do chão da varanda quando começei a andar ;-)

e Gaivina, vale sempre a pena, que a dor faz parte da nossa existência. E não sou masoquista ;-)

Hipatia disse...

A tua varanda tinha tapetes?

:O

jp disse...

Não mulher!
Era de cimento polido, aos quadrados pretos cinzentos e brancos. E para cada lado que olhasses, as escadas eram sempre ou a subir,ou a descer.
;o)