2009-05-02

'Acabámos de perder a manifestação'

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«A pequena multidão aguerrida dissipa-se. Vital Moreira segue o seu caminho e Ana Rosa afasta-se. “É isto que vai abrir os telejornais. Acabámos de perder a manifestação”. A profecia cumpriu-se. As palavras de ordem cederam lugar aos protestos contra a “intolerância”, o “sectarismo” ou a “instigação do ódio”. »

in, Público


E, sim, perderam a manifestação e perderam acima de tudo respeito, porque, para lá de qualquer rivalidade político-ideológica, as regras de civilidade têm de continuar a valer para alguma coisa. Um cabeça de lista a umas eleições não perde nem pode perder direitos cívicos, por mais que o apelidem de traidor os antigos camaradas. Depois, qualquer pulhice, com agressões e insultos à mistura, não pode passar a ser desculpável só porque o visado é político. Eu não embarco nessa lengalenga de que os direitos dos políticos passam a estar coarctados por aquilo que exercem ou pelo que defendem, tirando em casos extremos em que defendem a perda de direitos de outros. E é por isso que não entendo a facilidade com que se desculpa o que aconteceu ontem culpando antes o agredido. Pediu Vital Moreira para apanhar porrada? Faria parte do seu programa de campanha acabar insultado e agredido de filho da puta e traidor em pleno 1º de Maio?

A manifestante citada no público tem razão: a cegueira de uns poucos deu cabo de qualquer valor intrínseco que se pudesse aproveitar dos discursos da esquerda no dia que é dos trabalhadores. É que – tirando da equação Vital Moreira, que obviamente até anda à caça do voto – perderam votos (e credibilidade) por uma coisa tão simples e aparentemente evidente que é o facto de validarem e desculparem a agressão. Visto deste lado, não me parece justo ou sequer saudável – e a bem da democracia – dar votos a quem acha que a democracia é palavra vã, a campanha eleitoral anedota, o voto livre piada, só sobrando como válidos a agressão física, o insulto e a política musculada.

20 comentários:

maria_arvore disse...

As pancadas no Vital feitas por um punhado de exaltados só fez ganhar votos à vítima que aliás logo na hora se lembrou que o mesmo aconteceu com Mário Soares na Marinha Grande.
Quem o fez só garantiu um tempo extra de campanha nas televisões e restantes meios de comunicação ao Vital, impedindo assim de serem ouvidos os protestos dos trabalhadores no 1º de Maio. A falta de civilidade fez com que dessem um tiro no próprio pé.

Hipatia disse...

Vital foi convidado. Não se meteu lá por acaso à cata de zaragata, muito menos de insultos. Não pediu para ser insultado. Muito mais do que qualquer futuro aproveitamento político deste tema, choca-me que ainda haja quem pense que é à traulitada que se faz política. E, sim, infelizmente não foi a primeira vez que aconteceu, faz parte de uma forma de estar em política, alimentada até hoje nos discursos dos seus agentes, de um punhado de gente que pensa que política são esperas, perseguições, ovos arremessados e insultos. Depois desculpam-se dizendo que foi a populaça. Mas não foi uma qualquer populaça, foi aquela populaça. Foi tiro no pé, obviamente. Mas não porque acabou Vital Moreira na posição de vítima. Antes porque mais uma vez se tornou evidente como agem e como lidam com aqueles que defendem e se posicionam de forma diferente e a evidência de como, em tanto lado, acabou o comunismo transformado em totalitarismo: à traulitada e com purgas e insultos e agressões.

josé quintas disse...

tudo muito certo (é reprovável e não sei quê, só beneficiou a vítima, etc). da minha parte só lamento que tenha acontecido numa manif da CGTP e que estes episódios não se repitam com outros visados (banqueiros e por aí fora).

deixariam de ser casos isolados e os sacanas que mandam realmente nisto (não me refiro ao governo que tanto defendes) que começariam provavavelmente a repartir umas migalhas com quem está desesperado.

um cheque em branco de 4 em 4 anos para poderem fazer o contrário do que prometeram avaliza por si só o direito à indignação, ao desespero, e ao que daí advier.

quanto a ti, cara Hip, continua assim p.f. talvez daqui a 4 anos sejas recompensada pelos bons serviços à "causa deles" com um lugar elegível para o parlamento europeu.

Hipatia disse...

A questão, Zé, é que isto aconteceu numa manifestação da CGTP. Parece haver tendência para acontecer nessas manifestações. Porque será? E que nem me venham com a luta da classe operária e não sei quê. Qual classe operária? Aquela a quem chulam as cotas quando a fábrica está para fechar? Ou a classe média ressabiada desta minha geração sem juízo que só sabe exigir a conta com uma crise generalizada e mundial e regras que não são, nem podem ser, as do tempo dos nossos pais e desses representantes jurássicos que é tudo o que sobra do sindicalismo?

E não defende o Governo. Não mesmo. Mas também não entro no jogo da histeria geral que culpa o governo por tudo e só sabe exigir. Talvez o meu mal seja trabalhar no privado. Se fosse do público, talvez fosse fácil sentir-me atingida de alguma maneira e temesse perder benesses. E talvez até pudesse fazer greve a torto e a direito sem temer ficar sem o emprego. Como sempre trabalhei no privado e tive que dar à perna, há muita coisa – demasiada – que não me convence.

Depois, eu convivo diariamente com esse tal povo que todos enchem a boca para dizer que é explorado. E sei que com os meus impostos sustento muita gaja parideira que, entre subsídio de reinserção e abonos pelos filhos, nunca na vida vai trabalhar nem precisa. E muito gajo que agora vai fazer em 3 meses – e pago também com os meus impostos – o nono ano que eu tive de batalhar para ter. E os tantos de outros que não tiveram juízo e compraram tudo a crédito e agora estão à nóia para pagar. E porque vejo isso tudo – e sim entram-me diariamente porta dentro e acho que nem queres bem saber o quê – sei que o tal governo que desprezam às tantas até anda a dar demais.

Pelo andar da carruagem, ainda fico é mais à direita do que este Governo. É que eu não falo no abstracto. Lido com eles. Lido com os que compram as casas e os que vendem as casas, vejo como todos fogem e o que declaram e o que escondem. Há desesperados? Claro que há. Alguns, não tiveram mesmo sorte. A maioria, não teve juízo. Muitos outros, berram apenas por berrar.

Agora, uma coisa te digo: PC e CGTP nunca levarão o meu voto. Por variadíssimas razões. E uma delas é, sem dúvida, terem parado naquele tempo em que até havia gulags e purgas e a politica da traulitada saia à rua convencida que isto ia virar uma pequena URSS.

josé quintas disse...

sim, pois, claro, os gulags e a sibéria cuja capital é voroxilogrado ou o catano do lenine que também chamou nomes ao vital, sim é isso que está em causa...

"Há desesperados? Claro que há. Alguns, não tiveram mesmo sorte. A maioria, não teve juízo. Muitos outros, berram apenas por berrar"

ninguém duvide: a culpa é só deles e de mais ninguém. ah pois, já cá faltava a falta de sorte...

repito: continua assim. tens fortes possibilidades de receber o Prémio Pinto de Sousa (às tantas não conheces; não faz mal, quando te tocar a ti vais dar por ele)
parabéns

PreDatado disse...

Ena pá o que para aquui vai por causa de uns insultos e empurrões ao Prof. Vital Moreira. Só de me lembrar o que fizeram ao Francisco Assis os seus camaradas de partido em Felgueiras ou a peixeira (provável causa próxima da morte de Soares Franco), em Matosinhos isto são mosquitos por cordas. Além disso, e dando de barato que foram pessoas afectas ou simpatizantes do PC a dar os tais empurrões isso não deveria admirar tanto o Prof. Vital Moreira. Ele militou nesse partido durante a asa protectora do PCUS reconhecidamente em época de cariz estalinista do PCP. E olha Hip que nessa época era bem pior e tinha concerteza o seu aval (ele estava lá) pois nunca o ouvi pedir desculpas por isso. E discutirmos isto, que diga-se de passagem também me parece preciso, mas com tanto afinco, não é desviarmos a atenção do essencial?

Um beijo Hip e desculpa lá o mau jeito de não estarmos de acordo.

PreDatado disse...

onde se lê peixeira por favor ler peixeirada.

josé quintas disse...

Vítor, tens razão quando te admiras com o tom da discussão só por causa de uns insultos e borrifos de água. Reconheço alguns momentos de acidez da minha parte (p.ex. ali em cima quando escrevi «quando te tocar a ti» deveria ter intervalado com «espero bem que não», como agora faço).

Por outro lado, se não se puder ter discussões acesas com os mais próximos, com quem mais? Com desconhecidos? Da maneira que a bloga e as ruas andam, ou ninguém ligaria ou acabaria tudo à porrada:) o que, pensando melhor… vou ficar à espera da próxima investida neoliberal da Hip, para borrifá-la com uma coca-cola mais light:)

PreDatado disse...

Zé e eu vou borrifá-la com um abraço de amizade que embora virtual é já de mais de cinco anos. Quando a gente tem apreço pelas pessoas até as tiradas neoliberais servem para cimentar essa relação.

Um abraço aos dois.

josé quintas disse...

Vítor, quando se discute ideias a amizade deve passar para 2º plano, sob pena de prejudicarmos a franqueza.

Aliás, a amizade em geral, ou mau uso dela, explica muito dos esquemas sicilianos que contaminam este país e até a blogosfera.
A minha discordância com certas posições políticas da Hip não é recente. Apenas se manifestou ontem.

Tem acontecido sempre que defende pontos de vista que indirectamente coincidem com políticas que só têm servido para aumentar desigualdades sociais e esquemas de exploração prejudiciais a quase todos (o que inclui a Hip, se bem que ela pareça não se aperceber disso).

Isto também pode ser encarado como uma prova de amizade. Se ela me fosse completamente desconhecida ou indiferente não teria dedilhado tantas palavras.

maria_arvore disse...

Ora ainda bem que aqui se referiu Felgueiras e a desgraça de Sousa Franco por terras de el-rei Narcisito porque vi jeitos da inauguração da artéria de Santa Comba Dão ter contaminado os tempos e se fosse agora proibir partidos e sindicatos para encarreirarmos todos na senda de «o meu trabalho é a minha política».

É que trabalhem no sector público ou no sector privado, os deficientes deste país viram os seus impostos aumentados, bem como os pais de filhos deficientes passaram a depender da boa vontade dos seus chefes para os acompanharem, ao mesmo tempo se davam milhões dos contribuintes aos bancos para salvar os ricos e cavar ainda mais o fosso entre ricos e pobres deste país.

Para além do caso particular do nosso vizinho do lado que até conhecemos e nos irrita parece-me que as estatísticas apontam para a perca da qualidade de vida da maioria dos portugueses como não se via há muitos anos e não é calando os protestos que se resolvem as situações.

Hipatia disse...

O partido comunista português é um anacronismo. Não fosse por breves fogachos pirotécnicos aqui e acolá à conta de meia dúzia de assuntos a que se atrela para continuar a ter tempo de antena, sobra-lhe um discurso cadavérico, um corpo teórico em decomposição e uma estrutura moribunda que impede que se adapte ao Mundo, mesmo quando rebusca a cassete. Deixou de existir como força política a ter em conta e reservou-se a um lugar no sindicalismo à moda dos anos 70, um sindicalismo também ele datado, incapaz de se adaptar aos tempos, feito, na maior parte dos casos, à base de reformados, como é por exemplo o meu sindicato. Não são, realmente, uma alternativa para nada.

E a minha geração que viu o Muro de Berlim ir abaixo, o Nicolae Ceauşescu ser assassinado, o folhetim Fidel, os Khmer Vermelhos criminosos e olha agora com desdém para a Coreia do Norte e afins, pensa no PC como uma coisa que apenas está ali, faz muito barulho de vez em quando e não concretiza nada. Uma espécie de bibelô em casa da tia-avó, datado, empoeirado, sem serventia real. Só não se parte e deita fora porque faz parte dos bibelôs de família. E eu também tenho desses, obviamente, que descendo em linha directa de um comunista daqueles que até lutaram mesmo contra qualquer coisa e pagaram caro as suas escolhas. Mas hoje só nos sobram uns comunistinhas de pacotilha, agarrados a um discurso mofado e sem terem uma ideia de fundo que se prove alternativa viável na política contemporânea. A tal política que continuou a evoluir – com e à conta do Mundo que não pára – enquanto o PC mumificava nos seus dogmas.

E é por isso que não são para mim nem podem ser alternativa de voto. Não contam, por mais que estrebuchem – ou mesmo quando estrebucham à base da cacetada – como alternativa seja o que for, até mesmo a este Governo Sócrates. É que entre o que lá está e o que vimos como concretização prática desse tipo de comunismo, nem sequer se questiona que nunca, mas nunca mesmo, será preferível um totalitarismo à semelhança de todos os governos e todos os formatos de Estado decorrentes dessa forma de pensar.

Fala ali o Pré na questão do PC do tempo do PCUS e do que foi quando o Vital Moreira por lá andava. Ok, visto deste lado, de quem viveu o PREC de fraldas, apenas me sobra dizer que pelo menos Vital Moreira evoluiu e preferiu afastar-se desse modo de pensar e fazer política. O mesmo não se poderá dizer de muitos outros. E, por mais que queiram – e isto é especialmente para ti, Zé, não importa do quanto me queiras acusar de sabuja do Governo – PC e Intersindical não muito obrigada. Não a discursos de quem sabe que nunca vai fazer governo e, por isso, pode ser lírico e inflamatório a belo prazer; não para os chorrilhos acerca da classe operária num País que hoje é, maioritariamente, terciarizado; não para uma visão da economia que já não existe nem pode existir num mundo globalizado; não para propostas absurdas e lutas inglórias que, na prática, só tramam os trabalhadores que vão na cantiga.

Que querem! Talvez a minha geração tenha mesmo morto as ideologias e só nos bastem visões pragmáticas. O mesmo tipo de visão pragmática que me faz repetir que eu até lido com todos, esses mesmos que são idealizados como os coitadinhos e pobrezinhos e sobre eles tenho uma opinião que tem muito pouco de teórica. E convivo com eles há tempo suficiente para saber que, por mais que protestem tantos, estão muito melhor hoje do que alguma vez estiveram e, de certeza absoluta, alguma vez tinham ficado se o PREC tivesse tido outro desfecho. Como mantenho o olhar pragmático sobre a realidade e não me limito a culpar o Governo de tudo. Ou sequer particularizar apenas no caso dos deficientes quando vejo, por exemplo, quando vai de rendimento de inserção para certas famílias e me pergunto para que fará aquela gente algum esforço para trabalhar quando estão a receber tanto para andarem a cozer o cu pelas cadeiras dos cafés à minha pala. E é que eu não acredito mesmo que PC e CGTP apresentem qualquer quadro alternativo às tais "políticas que só têm servido para aumentar desigualdades sociais e esquemas de exploração prejudiciais a quase todos". Como também não olho para o Mundo e esqueço que há uma crise nunca vista e que, em lugar de ver tanta gente de mão estendida a berrar pelo pedaço, preferia por uma vez ver alguém a estender a mão noutro sentido. Nem vou nessa cantiga dos sacanas dos bancos e coisa e tal. Que os bancos até sejam sacanas concedo, mas não ponho palas e esqueço que, se a banca não recupera, a crise não passa, por mais que melindre as ideologias. E vejo que, ao fim de 100 dias de Obama, a Banca americana continua de rastos e, se a Banca americana não recupera, o mundo vai continuar de rastos. E consigo até ver o cenário de catástrofe que tinha acontecido se os Governos dos diferentes países europeus não tivessem posto a mão sob a Banca europeia. Mas obviamente isso nem interessa para nada: é só dar mais aos mesmos e fomentar desigualdades. Obviamente que é! E eu até vou mesmo acreditar nisso! Só não sei onde é que fica esse mundo ideal.

É que no fim disto tudo, por mais que pensem o contrário, não é uma defesa do Governo. Por mim, até saudava um Governo de coligação entre o PS e o BE, parecer-.me-ia o cenário ideal, desde que acabassem as larachas folclóricas e demagógicas do "as empresas com lucro não podem despedir" e cenas que tais. Mas dai a sequer tolerar a hipótese de dar o poder aos comunistas, seria para me revoltar tanto as entranhas como o ver entregue ao CDS ou algo ainda mais à direita. E agora digam-me sinceramente se querem entregar esta choldra ao PC e à Intersindical. E se há desculpa para cenas de pancadaria nas ruas, trinta e cinco anos depois de se viver em democracia participativa, como se fosse legítima toda a traulitada num País de voto livre. Nem que fosse pelo princípio da coisa, se os princípios ainda servem para algo E digam-me como, com base em que modelo, acham mesmo que isto estava mais bem entregues ao Jerónimo ou ao Carvalhas. Tenham dó!

mfc disse...

É intolerável o sectarismo de alguns apparatchiks.
Mas também é intolerável o aproveitamento político sequente.

josé quintas disse...

Hip, escusavas de te estender tanto sobre a 58ª Internacional Comunista que aconteceu em 1649 nas estepes do Casaquistão (foram coisas assim distantes que referiste, não foi?).

Bastava assumires que estás de acordo com as políticas dos governos PS/PSD, que os tipos que te pagam o salário só querem o nosso bem, e ficávamos conversados.

Hipatia disse...

Sem dúvida, Manel. Mas aproveitamentos políticos de ambos os lados da barricada. É que antes mesmo de um gritar que é vítima já estava a ver os outros a gritarem que se ia fazer de vítima por ter ido lá "provocar".

Hipatia disse...

Parece que estamos mesmo conversados, Zé. Porque não vês, ou não queres ver, que aquela gente age e pensa como se estivesse ainda na "58ª Internacional Comunista". E como não vês isso, nem queres ver, tudo que eu diga te vai fazer acusar-me de defender os "tipos que me pagam o salário" e as políticas do PS e do PSD. Pois olha, volto a dizer-te: antes essas do que as dos tipos que pensam que o Mundo continua igual ao que estava na 58ª Internacional Comunista. Queres voltar a ensinar-lhes os caminhos do "patronato" e dos "capitalistas" para que se queimem as várias CUF e já agora também a Constituição? Deves querer. Afinal, os anti-democratas para ti são os PSD e os PS. Obviamente que nunca são os que andam à cacetada e a enfiarem-se em manifestações a ver se o sangue corre pelas ruas, como já o fizeram antes, quando uns magros 12,5% nas primeiras eleições livres os levaram para o caminho do malho, do insulto, do "saneamento" de empregados e quejandos. E agora que, apesar da crise, apesar do ódio ao Sócrates, apesar do ódio ao Socrates nos media, se sujeitam a nem 12,5% terem? Mas obviamente que são uns santos. Devem ser. Tu até acreditas que os gajos prestam e que estão lá para defender o povinho, como se estes 35 anos não fizessem mais do que mostrar que são todos iguais. Tão iguais como poderás comprovar nos concelhos onde esses santos conseguiram fazer política real. É só lá ir ver como protegeram o povinho.

Hipatia disse...

«Espero que a estas horas os agressores de Vital Moreira já tenham sido identificados. Quem são eles, afinal? Que foi que os levou a um procedimento em todos os aspectos repulsivo? Que ligações partidárias são as suas? Sem dúvida a resposta mais elucidativa será a que vier a ser dada à última pergunta.

A Vital Moreira chamaram-lhe "traidor", e isto, queira-se ou não se queira, é bastante claro para que o tomemos como o cordão umbilical que liga o desprezível episódio do desfile do 1º. de Maio à saída de Vital Moreira do Partido Comunista há vinte anos. Neste momento estamos assistir a algo já conhecido, toda a gente, com a mais clara falta de sinceridade, a pedir desculpa a toda a gente ou a exigir, como vestais ofendidas, que outros se desculpem. De repente, ninguém parece interessado em saber quem foram os agressores, dignos continuadores daqueles célebres caceteiros que exerceram uma importante actividade política pela via da cachaporra em épocas passadas. Não tanto por contrariar, mas por uma questão de higiene mental, gostaria eu de saber que relação orgânica existe (se existe) entre os agressores e o partido de que sou militante há quarenta anos. São militantes também eles? São meros simpatizantes? Se são apenas simpatizantes, o partido nada poderá contra eles, mas, se são militantes, sim, poderá. Por exemplo, expulsá-los. Que diz a esta ideia o secretário-geral? Serão provocadores alheios à política, desesperados por sofrerem esta crise e que pensam que o inimigo é o PS e o candidato independente às eleições europeias?… Não se pode simplificar tanto, nem na rua nem nos gabinetes.»

Estas são palavras de José Saramago no DN.

josé quintas disse...

Muita parra, pouca uva, Hip.
As tuas respostas continuam a deixar-me (e a quem te leia) na dúvida-quase-certeza que concordas com as políticas neoliberais seguidas pelos governos PS/PSD desde 1983, e que és bem capaz de achar que os banqueiros e a malta da alta-finança é tudo gente bem-intencionada, longe de ser responsável pelo pântano quem que nos encontramos.

Eu consigo ser crítico para quem me paga o salário? E tu? Não consegues, pois não?


(em resposta à tua citação, toma lá uma que anda aí a correr pelos emails:
última hora: Vital Moreira anunciou que irá no próximo fim-de-semana ao estádio do dragão; envergará uma camisola do Benfica e assistirá ao jogo no meio da claque dos Superdragões:)

Hipatia disse...

Zé, tu insistes em misturar aquilo que é uma crítica minha ao PC e à CGTP com uma defesa de outra coisa qualquer. Não é preciso concordar com os outros para acusar estes: chega o que fazem e o que são.

Quanto ao Vital Moreira com camisola do Benfica no meio da claque dos Super-Dragões, talvez acabasses espantado com o resultado. Agora, se quiseres mandar o Vieira experimentar, já não digo que não enfarde. E, mesmo assim, às tantas ainda nos íamos surpreender com o resultado: é que às vezes não devemos assumir que, lá porque uns são rufias e caceteiros, todos vão ser. Obviamente que já não dizia o mesmo se viesse um parolo qualquer ai da capital para o meio da claque. Mas alguém conhecido não devia ser, assim só porque sim, apelidado de traidor. De filho da puta ainda vá. Afinal é o Porto e, por cá, filho da puta é tratamento de família. Numa rua de Lisboa é que já não me parece que seja.

Anónimo disse...

Mais Vozes

Pois pois os que instigam à violência , claro que as palavras de um certo coelho agora retirado para covinha confortável em nada te devem incomodar .
frogas | 05.04.09 - 1:19 am | #

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Estás a falar do "quem se mete leva"? Infeliz, sem dúvida. E por mim fortemente criticado. Não escolho a crítica em função da cor. E não tenho memória curta.
Hipatia | Homepage | 05.04.09 - 1:23 am | #