2011-05-15

Canções para a crise



Tu precisas tanto
de amor e sossego
e eu preciso de um emprego
se mo arranjares
eu dou-te o que é preciso
por exemplo o paraíso
anda ao deus-dará
perdido nessas ruas
vou ser mais sincero
sinto que ando às arrecuas
preciso de galgar
as escadas do sucesso
e por isso é que eu te peço
arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego
pode ser na tua empresa
concerteza
que eu dava conta do recado
e para ti era um sossego
Se meto os pés para dentro
a partir de agora
eu mete-os para fora
se dizia o que penso
eu posso estar atento
e pensar para dentro
se queres que seja duro
muito bem serei duro
se queres que seja doce
serei doce, ai isso juro
eu quero é ser o tal
e como tal reconhecido
e assim digo-te ao ouvido
arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego
pode ser na tua empresa
concerteza
que eu dava conta do recado
e para ti era um sossego
Sbendo que as minhas intenções
são das mais sérias
partamos para férias
mas para ter férias
é preciso ter emprego
espera aí que eu já chego
agora pensa numa casa
com o mar ali ao pé
e nós os dois
a brindarmos com rosé
esqueço-me de tudo
com o por-do-sol assim
chega aqui ao pé de mim
arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego
pode ser na tua empresa
concerteza
que eu dava conta do recado
e para ti era um sossego
Se em mandasse neles
os teus trabalhadores
seriam uns amores
greves era só
das seis e meia às sete
em frente a um cassetete
primeiro de Maio
só de quinze em quinze anos
feriado em Abril
só no dia dos enganos
e reivindicações
quanto baste ma non troppo
anda, bebe mais um copo
arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego
pode ser na tua empresa
concerteza
que eu dava conta do recado
e para ti era um sossego

2011-05-13

humm...

aqui

A minha relação com a fé organizada será sempre um "sei que não vou por aí". Mas às vezes era bonito acreditar. Nem que fosse por uma simples questão de estética.

Canções para a crise



Beneath the old iron bridges
Across the victorian parks
And all the frightened people running home before dark
Past the Saturday morning cinema
Lies crumbling to the ground
And the piss stinking shopping centre in the new side of town
I've come to smell the seasons change and watch the city
As the sun goes down again

Here comes another winter
Of long shadows and high hopes
Here comes another winter
Waiting for utopia
Waiting for hell to freeze over

This is the land where nothing changes
The land of red buses
And blue blooded babies
This is the place where pensioners are raped
And the hearts are being cut from the welfare state
Let the poor drink the milk
While the rich eat the honey
Let the bums count their blessings
While they count the money

So many people can't express what's on their minds
Nobody knows them
Nobody ever will
Until their backs are broken
Their dreams are stolen
And they can't get what they want
Then they're gonna get angry
Well it ain't written in the papers
But its written on the walls
The way this country's divided to fall
So the cranes are moving on the skyline
Trying to knock down this town
But the stains on the heartland
Can never be removed
From this country that's sick, sad, and confused

Here comes another winter
Of long shadows and high hopes
Here comes another winter
Waiting for utopia
Waiting for hell to freeze over

This is the 51st state of the USA

The ammunition's being passed
And the Lord's been praised
But the wars on the televisions will never be explained
All the bankers gettin sweaty beneath their white collars
As the pound in our pocket turns into a dollar

This is the 51st state of the USA

2011-05-12

Canções para a crise




Estupidez
Estupidez gananciosa
Leva-me o país prá cova
Estupidez gananciosa
Leva-me o país prá cova
Gestores, tangas, aldrabões
Já só falam de milhões
Mesmo que o resto fique a olhar
Sem ter um sítio seu para morar

Qualquer dia é tudo francês
Ou alemão
Mas não português

E depois
E depois, morreram as vacas
Ficaram os bois
Foram-se os dedos
Ficaram os anéis
E o resto
Anda tudo aos papéis
E é por isso
Que a meu ver
Está tudo mal, está tudo mal
Nesta Europa de Portugal

Qualquer dia é tudo francês
Ou alemão
Mas não português
Falta pedir ao rei espanhol
Licença para ir apanhar Sol

Uns à volta do tractor
Outros ó sr. doutor
Quem me tira desta aflição
Agarra-me aqui com a mão

Eu até era um homem honesto
Nunca fiz nada funesto
Pedi à Europa para me apoiar
E agora a minha sina é roubar

1º Ministro
1ª Dama
E tu, queres ir prá cama
Anda tudo a ver se mama
Nesta união da tanga

Qualquer dia é tudo inglês
Ou italiano
Mas não português

E depois
E depois, morreram as vacas
Ficaram os bois
Foram-se os dedos
Ficaram os anéis
E o resto anda tudo aos papeis

E é por isso que a meu ver
Está tudo mal, tudo mal
Nesta Europa de Portugal

Qualquer dia é tudo francês
Ou alemão
Mas não português
Falta pedir ao rei espanhol
Licença para ir apanhar Sol

Antes quero ser um Velho do Restelo
Que um fascista sem cabelo

Antes quer ser um Velho do Restelo
Que um fascista sem cabelo

Canções para a crise




in this proud land we grew up strong
we were wanted all along
I was taught to fight, taught to win
I never thought I could fail

no fight left or so it seems
I am a man whose dreams have all deserted
I've changed my face, I've changed my name
but no one wants you when you lose

don't give up
'cos you have friends
don't give up
you're not beaten yet
don't give up
I know you can make it good

though I saw it all around
never thought I could be affected
thought that we'd be the last to go
it is so strange the way things turn

drove the night toward my home
the place that I was born, on the lakeside
as daylight broke, I saw the earth
the trees had burned down to the ground

don't give up
you still have us
don't give up
we don't need much of anything
don't give up
'cause somewhere there's a place
where we belong

rest your head
you worry too much
it's going to be alright
when times get rough
you can fall back on us
don't give up
please don't give up

'got to walk out of here
I can't take anymore
going to stand on that bridge
keep my eyes down below
whatever may come
and whatever may go
that river's flowing
that river's flowing

moved on to another town
tried hard to settle down
for every job, so many men
so many men no-one needs

don't give up
'cause you have friends
don't give up
you're not the only one
don't give up
no reason to be ashamed
don't give up
you still have us
don't give up now
we're proud of who you are
don't give up
you know it's never been easy
don't give up
'cause I believe there's the a place
there's a place where we belong



E, não, não têm nada a ver com os homens da luta e a letra ridícula do pão e vinho. É de pão mesmo: aquele que faz falta nas mesas. O vinho pouco importa que IVA leva, que ninguém se entende em bebedeiras de palavras raivosas, catastrofistas, guerrilhas de interesse que pouco têm a ver com o interesse comum e se limitam a bebedeiras de fel. É desta coisa de sentir que estamos outra vez a aterrar nos anos 80 e que não é bonito. É mesmo só de pão. E de crise. E de canções que falam desta. Alguém se lembra de mais alguma?

2011-05-07

Demonologia(s)

.

«Les guerres se multiplient sur la planète et sont de plus en plus caractérisées par leurs composantes ethniques religieuses. Partout la conscience civique regresse et les violences gangrènent les sociétés. (...) La loi de la vengeance remplace la loi de la justice en se prétendant la vraie justice. Les conceptions manichéennes s'emparent d'esprits faisant profession de rationalité. Les fous de Dieu et les fous de l'or se déchaînent.»
Edgar Morin


O problema nunca esteve com a religião, afinal: todas elas apenas se esforçam por juntar os homens "sub-sino", reunindo em comunidade e fortalecendo laços. O pior são os homens que fazem as igrejas, os tais que se esquecem que não basta parecer bom e puro e imaculado. Há que praticar cada voto, não matar em nome da fé, não festejar uma morte em nome de um deus. Ou as fronteiras entre comunidades continuam fracturadas e fracturantes e os rancores alimentados de dogmas e cegueiras. E ódio. Destrutivo e obsoleto, porque fundamentado na ausência de diálogo, de prova e de razão e apto a julgamentos sumários e execuções breves.

2011-05-05

Brrraaaaaaggggaaaaaaaa!!!!!






«El equipo de Paciencia es el proletario de esta Europa League. Humilde, con los recursos justos y la calidad precisa para presentar batalla. Ni más ni menos. La superioridad, el factor desequilibrante lo descubre en su rigor táctico, su coordinación de movimientos, su solidaridad y una necesaria efectividad en los últimos metros.

Pero a todo ello el Braga le ha añadido carácter. Ése que te otorga el hecho de ir pasando eliminatorias. Sevilla, Arsenal, Liverpool... y ahora Benfica.»






(vou continuar a navegar pelos comentários estrangeiros, que, ao contrário do que se passa nas televisões portuguesas, têm a tónica em quem ganhou, em vez de só falarem num derrotado)

Desafio Literário

aqui

A I. passou-me este desafio e cá vão as minhas respostas. Não nomeio ninguém, mas quem por aqui passar e tiver vontade de responder, que pegue e leve que estas coisas, por aqui, têm piada e são de graça, que a troika ainda não as descobriu.

Cá vai:




1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

Vários. E faço-o ou já fiz. Um dos mais repetidos – e talvez por ser tão pequenino e por o perder e reencontrar tantas vezes – é da Ursula K. Le Guin e chama-se “Tão Longe de Sítio Nenhum”.

2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Perdi a conta aos livros que nunca acabei. Gosto de ler, mas não o faço por frete. Nem manuais, nem novelas, nem romances, nada: se não me conseguem “prender”, devolvo-os à estante e sigo para o próximo, que ainda há muita coisa que não li e quero ler.

3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

Não faço ideia. Sou incapaz de escolher só um porque, como aliás com tudo na vida, os meus gostos adaptam-se aos humores e o que gosto hoje pode acabar por me cansar amanhã. Mas talvez a Enciclopédia Britânica desse algum jeito se não houvesse mais nada.

4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

Acho que não tenho nenhum. Não vejo motivo para deixar de ler um livro qualquer, ainda que possa haver coisas maravilhosas – e que desconheço – em línguas que não consigo perceber. Mas em português, inglês, francês, espanhol (italiano com um dicionário ao lado também era capaz de dar; o mesmo para o alemão e se tivesse mesmo de ser, que os dois anitos de aprendizagem ainda dão para perceber a lógica da coisa) marcha tudo.

5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?

Vários e normalmente distopias. Estou a lembrar-me, por exemplo, de “O Admirável Mundo Novo”, do Aldous Huxley.

6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Papei tudo o que a minha mãe não me tirou a tempo das mãos, desde BD até ao Júlio Dinis, passando por romances de cordel e as “Anitas” e os “Cinco”, os “Sete”, as “Gémeas” e a Agatha Christie, até bater de frente com o Eça e o Corto e passar a ser mais selectiva.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

Tirando qualquer calhamaço para qualquer cadeirão na Universidade e manuais de qualquer electrodoméstico, não estou a ver nenhum livrinho a que tenha feito o frete.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

Impossível responder a esta. Há demasiados e ia por certo esquecer-me de qualquer coisa importante. Nem sequer respondi a essa perguntinha no perfil do blogue. O mesmo para filmes e música, aliás.

9. Que livro estás a ler neste momento?

Tenho aqui os “Contos Carnívoros”, do Bernard Quiriny, para começar. Estou a acabar o “Deixemos a Liberdade Vencer”, de Nelson Mandela.

10. Indica dez amigos para o Meme Literário:

Estão abertas as inscrições. Tenham a bondade…

As eleições

aqui


Eu sou da geração que viu o comunismo e o socialismo de Estado pelo lado de fora com o seu pior ar e ainda acha que a Queda do Muro de Berlim foi das melhores coisinhas que aconteceram nos finais do século defunto. E na esquerda temos em Portugal dois partidos que só servem para estorvar e disso fizeram a razão da sua existência. Se um deles ainda apresenta, no meio de muita merda, algumas coisas com que concordo, os jurássicos do costume não têm para mim hoje uma única proposta com nexo, adaptada à realidade. E a utopia não enche a barriga e a utopia nunca foi o que praticaram, nem sequer o que é praticado nos regimes que, cegamente, alguns continuam a defender. E a minha ideia de oposição, em democracia, passa por muito mais do que só estorvar. Tenho destas manias de que eles estão lá para fazerem alguma coisa e não apenas para dizerem que o que é feito não serve, sem apresentarem qualquer alternativa com sentido. Depois, sendo de esquerda, fiquei sem o velho centro-esquerda em que me revia. Este PS é mais direita do que muito do que o PSD podia ou queria ser e hoje parece demasiadas vezes resumido a José Sócrates que, valha-me a paciência, é pior de engolir do que a pílula mais amarga ou uma colherada de óleo de fígado de bacalhau. E o PSD neste momento não é ou continua sem ser: um bando de cães atrás de um osso, em guerra de facadas em todas as costas que apareçam, não é alternativa para nada, muito menos quando contrata marqueteiros incompetentes para venderem a última figura vazia e a prazo de uma longa lista de queridos líderes. Quanto ao PP do PP é anedota: apesar da aparente coerência do discurso, não evita que me lembre das fotocópias, da vida de príncipe no forte militar, da Moderna, dos submarinos, ou do voto a preço de queijo limiano. Como se não bastasse, vai andar por cá a troika e, com um bocado de jeito, afinal o voto talvez não sirva realmente para nada. Às vezes pergunto-me se ainda vale a pena ir votar ou, estando o tempo de feição, não seria melhor ir ver o mar.

2011-05-04

Estranho!

.
«A comunicação de Sócrates ao país foi a maior humilhação que Pedro Passos Coelho poderia ter sofrido, a troika autorizou José Sócrates a fazer uma comunicação antes de um acordo com o PSD e em que o primeiro-ministro em vez de comunicar o conteúdo do acordo informou e tranquilizou o país afastando o cenário negro que estava a ser criado pela comunicação social. Foi uma comunicação inédita nestes processos negociais, antes da divulgação do acordo e quando se sabe que se está a meio de um processo eleitoral, um governo é autorizado a dizer aos concidadãos o que não fará parte do acordo. Pior do que isso, deixou no ar que o acordo com as organizações internacionais é o PEC IV e mais algumas medidas.»
O Jumento


Em Março passado, a oposição juntou-se para revogar a avaliação dos professores e foi humilhada pelo TC e juntou-se ainda para chumbar o PEC IV, levando à queda do Governo e sendo agora, aparentemente, humilhada pela tal da Troika que fez aprovar o PEC IV e mais umas coisinhas.

Sou só eu ou a oposição que temos não acerta uma e o mais certo é ter perdido as eleições com aquela comunicação ao País (no intervalo de um jogo de futebol?) de José Sócatres (com Teixeira dos Santos tipo múmia na lateral) e o seu anúncio, não do que aí vem, mas antes do que parece que nos safamos que venha?

Coisas tão estranhas que nos sobram da crise, caneco! A mais estranha de todas é não ter aparecido alternativa a Sócrates e o principal partido da oposição ter-se mostrado incompetente e incapaz para capitalizar uma vitória que, em Março, parecia mais que certa e maioritária. E à esquerda? Ontem, Louçã, no "Cinco para a Meia-Noite", lá ia dizendo que "Sócrates não ganha com maioria absoluta". Não era suposto estarmos antes a prever os números de uma suposta hecatombe eleitoral do PS?



2011-05-02

E agora?

aqui


É fácil perceber como um inimigo designado pode ser confortável. E, hoje, os EUA puseram fim ao seu inimigo designado de uma década. No entanto - e até pelo que percepciono da mentalidade americana e a forma como querem sempre ver o Mundo a preto e branco, onde eles são sempre os cowboys bonzinhos e os outros os índios a abater -, pergunto-me que inimigo irão agora designar. Faz parte e assim tem sido a postura da super-potência que restou da Guerra Fria e que continua à toa à procura do preto e branco. Mas não sei se me serve o simplismo do olho por olho, dente por dente; já era tempo de deixar certas justiças para o Tribunal Penal Internacional e esperar que "twelve good men and true" fosse mais do que uma frase sem sentido a nível internacional.

2011-05-01

Eleitoralismo incompetente

.

«O Tribunal Constitucional declarou hoje a inconstitucionalidade da revogação da avaliação do desempenho docente, cuja fiscalização preventiva tinha sido pedida pelo Presidente da República.(…)

A revogação do sistema de avaliação dos professores tinha sido aprovada a 25 de Março pela oposição parlamentar, com os votos favoráveis de PSD, PCP, BE, PEV e CDS-PP e contra da bancada do PS e do deputado social-democrata Pacheco Pereira.»

O Público, 29/04/2011


Cada um de nós, que trabalha ou já trabalhou, aprendeu rapidamente quais as suas funções e as suas competências e quais as que não são nem nossa responsabilidade nem nossa obrigação, muito menos nosso direito representar. E se é certo que muitas vezes nos caem em cima bem mais responsabilidades do que as que queríamos, porque não há gente que chegue, porque há quem esteja doente (alguns sempre doentes) ou de férias, porque o patrão quer poupar no pessoal, etc, etc, etc, também é uma questão básica do profissionalismo: saber que funções desempenhar e desempenha-las o melhor possível. Ora, tirando Pacheco Pereira e os deputados do PS (um e outros só nesta matéria, mas enfim…), parece que temos um bando de incompetentes na AR, com a mania das grandezas ainda por cima, a quem pagamos um chorudo salário para descobrir de quando em vez que nem eles sabem para que sentam o cu no hemiciclo. Eu também não. E se é certo que de x em x anos os tento despedir, também me parece que nesta matéria, nós povo – que seríamos teoricamente os patrões – nunca conseguimos invocar com sucesso despedimento com justa causa para nos livrarmos de vez da cambada. Acho que está na hora de rever o acordo colectivo de trabalho daquela “empresa”.

Maias

aqui

2011-04-27

Partilha

Love me just like tomorrow relentlessly long to exist
Love me with a touch of the sorrow
That burst open to disappear with the mist

Take me like the young
Days are numbered
I'm highly-strung
I can't feel a thing anymore

Love me just like the ocean cripples upon the shore
Love me with a line of devotion
Going backwards to what was before

Take me like the young
Days are numbered
I'm highly-strung
But I can't feel a thing anymore

I can't feel a thing anymore…




Chegaremos algum dia a ficar realmente mais fortes? Eu queria fazer-te acreditar que sim. Dar-te num beijo tudo o que já aprendi; sorver noutro tudo o que já aprendeste. Fazer da nossa estranha partilha o caminho para encontrar o caminho verdadeiro. Lavar da alma o feio, o dolorido, secar todas as lágrimas, as choradas e as que nos sufocam de tão contidas. Calar a dor, todas as dores. Dores novas e dores antigas, dores suportáveis e aquelas que nos rasgam. Escoar da memória cada slide sem sentido, cada frase que se repete, ecoa, nos amordaça e nos mirra por dentro.

2011-04-26

Das pontes



Eu precisava de um fim-de-semana prolongado uma vez por mês. Sem barulho; sem confusão. Venho muito mais produtiva!

2011-04-25

25-A

fonte

«Os jovens capitães de Abril possuem uma dimensão de coragem adveniente da espessura comovente do seu humanismo. Há qualquer coisa de épico e de poético na arrancada militar desse dia tão longínquo, tão próximo e tão delido no tempo e no esquecimento dos nossos desleixos. "O dia inicial inteiro e limpo", como lindamente lhe chamou Sophia, era o dia esperado pelos melhores de nós. E os melhores de nós desanimavam de o conhecer quando um grupo de homens muito novos nos convidou a ressurgir.»

Baptista Bastos


Qualquer Nação que não se olha de forma completa, quer para o bem, quer para o mal, nunca terá um retrato real do que foi, do que é e do que quer ser no futuro. Não, eu não entendo mesmo para que serve uma memória amputada, em que até os simples cravos são convenientemente esquecidos, como se resumidos ao direito de serem empunhados pelos que estão à esquerda da barricada política e mero engulho esquecido para os que se quedam à direita. E o próprio ícone deixa de ser capaz de medir - e homenagear - o sentido mais profundo do golpe de estado que se tornou revolução. Termos hoje uma democracia anémica e desacreditada não deveria ser o bastante para esquecermos que, naquela madrugada, jovens capitães arriscaram tudo e, no dia seguinte, as gentes juntaram-se nas praças e nas ruas e, em vez de armas e balas, pintaram o dia de flores. E antes uma pobre democracia do que democracia alguma. Especialmente uma que nasceu, não de sangue derramado, mas de um sentido profundo de alegria e esperança consubstanciadas numa flor rubra. É que hoje, como então, estamos à espera que nos convidem a ressurgir, mas para isso é preciso lembrar - e simbolizar - como foi.

O que faz falta

aqui
Hoje e como sempre, cravos pelo meu avô, pelo meu bisavô, pelos meus que foram à Guerra, pelos que por cá ficaram e resistiram e foram perseguidos e insultados e sobreviveram à pobreza e ao tal de deus pátria e família e que não se foram a salto, até ao dia em que o salto foi realmente dado, mas para a liberdade, consagrada nas ruas antes de haver tempo para ver o tempo andar para trás.

E mesmo que já tão pouco reste desse tempo, para além das homenagens, ou dos cravos que, por memória e respeito, deveriam sempre enfeitar este dia.

2011-04-22

Dia da Terra

*«May there only be peaceful and cheerful Earth Days to come for our beautiful Spaceship Earth as it continues to spin and circle in frigid space with its warm and fragile cargo of animate life.»

U Thant, 21 de Março de 1971



A Terra, bola redonda de brincar, prenha de vida na sua forma feminina, arredondada de promessas, tece os sonhos nas suas vestes de mar azul e algodão branco, enquanto alonga os desejos nos ocres e nos verdes dos seus ais. Corpo de fartura, avara promessa de vida. Aqui. Só ainda está aqui. E, a cada dia que passa, mais pequeno o respeito que lhe temos; cada vez mais fartas as dores que lhe impomos.

Com a crise, não ficará ainda mais esquecida?

2011-04-20

1-3?

fonte



Caraggggoooooo!!!!!!!!!!!!!!


(já não deve dar tempo para inventarem mais penaltis...)

As vozes do contra

.

«O Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista foram convidados, mas não vão comparecer ao encontro desta tarde com as instituições internacionais que estão a trabalhar no processo de ajuda externa a Portugal.»
Fonte


E talvez quando mais o país precisava de alternativas e de vozes vindas da esquerda para uma real defesa de direitos consagrados num estado social com os cães aos calcanhares e contra o liberalismo acéfalo em debandada louca, eis que temos mais do mesmo e como de costume, ou pelo menos o costume que teimo em ver e não me convence: ficar de fora, sem ter de ser realmente alternativa, limitando-se depois ao discurso do costume, cada vez mais demagogicamente vazio, deve ser bem mais confortável. E, no fim, é por isto mesmo que, mesmo querendo, mesmo esperando que fosse possível desta vez, acabo sempre por não lhes dar o meu voto.

2011-04-18

Dia Feliz, menina!

Inaptidão


Lembras-te desta conversa, Paulo? Então vai ver este filme - garanto-te pelo menos hora e meia de gargalhadas e bem andamos precisados de rir - e depois talvez voltemos ao assunto da inabilidade. E afinal nem é preciso as malas à porta.

2011-04-15

Underdogs


Gosto do termo em inglês, até porque, muitas vezes, as equipas mais pequenas da Liga são tratadas abaixo de cão pela comunicação social. E deve ser por isso que eu – que gosto muito de canitos e às vezes bem mais do que algumas pessoas – dou por mim invariavelmente a torcer pelos pequeninos, sendo que muitos desses supostos pequeninos se portam realmente como os grandes se deviam comportar, mas com um esforço incomensuravelmente maior. Parece que era o Liverpool que tinha um jogador que, sozinho, tinha custado tanto como o plantel inteiro do Braga. E o Liverpool também caiu. Como antes o Celtic, ou o Sevilha com aquele fantástico jogo de golo em riste. Ou quantos mais viessem pelo caminho. Ontem lá se foi o Dynamo. Feito! Adio, adieu, auf wiedersehen, goodbye e до побачення para completar o ramalhete. Agora, venham de lá os lampiões que, cheira-me, é desta que vão conhecer a porta da rua via túnel. Siga! E que no fim venha o FCP. Ah que era bonito, carago! Muito bonito. Especialmente se o Braguinha também os despachar para levantar a taça.

Já esteve mais longe

.
«Ou estou muito enganado ou no fim disto tudo o Passos Coelho sai, o Cavaco retira-se para Boliqueime, Nobre volta a significar lata de salsichas e Sócrates fica, é paneleiro, é corrupto, é autoritário, é mentiroso, é manipulador da comunicação social, não sabe falar inglês, é incapaz de desenhar uma barraca, mas é melhor do que cinco líderes, mais o Cavaco, o Fernando Lima e a dona Maria juntos.»

O Jumento

Não sei se é melhor, mas que lá vai dando ares vai. E já ganhou por menos. Talvez a estratégia do Relvas de tentar mandar palpites na liderança do PS, apesar dos socialistas terem renovado a confiança no "querido líder", seja a única que se safe: se não conseguem apresentar um candidato credível que seja, o melhor é mesmo decapitar a concorrência. Eu até fornecia o machado, mas depois como é que ficávamos com as sobras que nos propõem?

2011-04-13

Naufrágio

aqui

E, sim, queria manter a esperança na capacidade de reconstrução da barca naufragada. E, no entanto, há dias em que parece apenas fraca empresa, derrotada à nascença.

2011-04-12

Inacreditável, mesmo!

fonte

«Foda-se, é inacreditável que não haja um caralho com dois palmos de testa no maior partido da oposição. O país em ruínas, o Governo nas mãos de um Goebbels da esquerda gira e moderna e aquele atrasado mental desce nas sondagens a dois meses das eleições. Puta que o pariu!»

Luís M. Jorge

E já nem vale a pena retirar da equação a hipótese de haver dentro do PSD quem queira dar cabo do PSD de vez.

2011-04-11

Nobre

fonte

Eu gostava realmente de ver, de repente, nascer uma fauna nova: o político amador. Isso! Um gajo capaz de fazer apenas por amor à política e ao povo, na carolice; alguém que não se importasse se ia ou não aparecer nos jornais, nas notícias, nas próximas listas para as próximas eleições, ou se ia receber alguma coisa por fazer. É que, convenhamos, da merda dos profissionais já estamos todos fartos, não é?

Fosse eu islandesa...

2011-04-01

Oh Caraças

. «A campanha eleitoral deve ser uma campanha de verdade e de rigor. Ninguém deve prometer aquilo que não poderá ser cumprido. Este não é o tempo de vender ilusões ou falsas utopias. Prometer o impossível – ou esconder o inadiável – seria tentar enganar os Portugueses e explorar o seu descontentamento. »

Discurso de PR, 31/03/2011

Mas isto quer dizer o quê? Que partidos tipo BE e PC, sem ambição de serem governo e por isso sempre tão lestos a prometerem mundos e fundos, ficam impedidos de ir a votos? E onde fica a demagogia dos outros, tipo o PP do PP e os beijos lambuzados nas velhinhas das feiras? E os pequeninos, aqueles com programas para os amigos? Só nos sobra a alternância do costume e, mesmo assim, desde que nenhum dos actuais dirigentes e militantes se possa apresentar a votos? Oh senhor Presidente, até parece que já não anda a chafurdar na pocilga da política portuguesa há muitos (demasiados!) anos e com as suas mentirinhas e explorações pelo meio!

2011-03-29

Bolas!

aqui

Uma gaja tira uma semana de férias e depois leva quase o mesmo tempo a tentar encontrar a secretária por baixo dos pendentes.

2011-03-26

Pedaço de mim



Ainda estou aqui eu, só não sei se plena. Sem dúvida mais velha, mais cínica, mais magoada. Como se tivesse sido um acaso encontrar e perder um rumo e, depois, como se não me restasse muito mais do que deixar congelado um pedaço de mim. O pedaço onde encerro ainda todas as verdades fundamentais, tudo o que sei, tudo o que sou.

E há dias em que olho raivosa essa imagem do eu que fui, numa espécie de acerto de contas com o destino irremediavelmente perdido pelos tantos e excessivos passos, com tudo o que pus de parte para seguir em frente, as concessões, as cedências, o falhanço provável de (quase) todos os sonhos.

Nesses dias sobra um quase gosto de derrota, um reconhecer de que seguir em frente, mesmo tendo sido o único caminho possível, não foi necessariamente a forma perfeita de me manter fiel a mim mesma, senhora do meu direito à utopia. E não me chega que me digam que foi crescer.



____
Obrigada a quem por aqui passou a dar os parabéns.

2011-03-24

hmm...

aqui


Lá diz o povinho:
Atrás de mim virá quem de mim bom fará.
E, para nosso mal, mais uma vez parece que o povinho vai ter razão.

Tantos!

aqui

... e o instante em que aqui cheguei!

2011-03-17

Braga!

aqui

«The Anfield side can have no complaints about going out after failing for 180 minutes to find a way past Braga.

So it is Domingos Paciencia's side who go in tomorrow's draw for the quarter and semi-finals of the Europa League — and not the side who lifted this trophy back in 2001.»
fonte


Porto e Benfica estiveram bem, mas o Braguinha é o máximo. E o que eu gosto de ver uns portugueses pequeninos a fazerem uns ingleses grandalhões engolirem toda a merda que disseram e publicaram esta semana!

Do outro lado do mar

Eu, soldado raso, me confesso.
Não morri ainda, quase vivo.
Uns querem que eu morra.
Outros que eu viva.

A quem me afirmo, sendo morto-vivo?

Com que expressão
posso nomear-me?

Ninguém quis saber da minha vida
nem do que eu sentia.

Eu, soldado raso, digo:
não trapaceiem comigo.
Sou homem,
não sou palha.
Sou homem
dentro da farda.
Ruy Cinatti - Tropa d'África


Quantos de nós tiveram colegas sem pais, ou porque fugidos a salto, ou porque mortos numa guerra que os forçaram a fazer durante dois, três, quatro anos? Quantos os receberam mutilados física e psicologicamente e depois os viram esquecidos, como as campas perdidas e já sem nome, cobertas de erva seca, dos lá longe enterrados e que nunca houve vontade política para fazer regressar? Quantos dos vossos filhos apenas sabem dos avós que voltaram numa caixa de pinho do outro lado do mar? Quantos ainda guardam aerogramas em casa? Quantos de nós se atrevem a enaltecer a vergonha que foi a sangria que, em África, enterrou em violência e tristeza o último estertor do Estado Novo?

2011-03-16

Meus pais tão breves

Canção com Lágrimas by Adriano Correia De Oliveira on Grooveshark

Eu canto para ti o mês das giestas
O mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada.

Eu canto para ti o mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema

Porque tu me disseste quem me dera em Lisboa
Quem me dera em Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro

Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio

Porque tu me disseste quem me dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol, Lisboa com lágrimas
Lisboa à tua espera ó meu irmão tão breve

(...o tempo escoa-se mas não se esquece, excepto nos discursos iníquos do presidente de alguns portugueses.)

(des)culpas

aqui

Nem o medo nem a culpa, que a cultura judaico-cristã impôs em todos nós, lida bem com qualquer resquício de felicidade. É suposto sermos filhos de um Deus castigador e castrador e irmãos de um outro Deus flagelado. A pomba acho que só lá esteve sempre para enganar...

2011-03-12

Geração à rasca


em 1994 foi assim


O que nos foi prometido em conforto material, em suaves prestações mensais, levou junto o nosso inconformismo. Eu olho para trás e lembro um tempo em que fui capaz de sonhar com um Mandela livre, um mundo sem bombas nucleares, sair à rua para festejar a queda do Muro de Berlim. Mas a última vez que sai à rua por qualquer coisa foi Timor há mais de 10 anos atrás. Pelas vítimas do Tsunami de 2004 fui a um concerto. Dentro do País, há muitos anos envolvi-me com uns tais de Estados Gerais e esperei que tudo ficasse melhor agora que, finalmente, o cavaquismo estava apeado ou assim parecia. Mas acabei rapidamente desiludida. E sobrou o referendo da interrupção voluntária da gravidez e a minha cidadania cada vez mais confortavelmente sentada no sofá. E a minha geração, excepto os que entre nós se fizeram especialistas da cunha e tecnocratas cinzentos dos aparelhómetros partidários, resume-se hoje a um bando de gente, derrotada à partida, incapaz de agir, sentada no sofá a insultar a televisão e a sorte, mas sem fazer nada para mudar a maré. E eu faço parte desta geração, envergonhada de fazer, mas sem mais vontade do que os outros de levantar o cu e os braços e fazer mais do que protestar.

E hoje vou ver os jovens sair à rua, esperando que as convocatórias pelo facebook lhes garanta realmente um verdadeiro direito à indignação e que não deixem que políticos e sindicalistas à moda antiga lhes cavalguem a onda de protesto. E espero que dali saia mais do que palavras vazias e actos nados-mortos: protestar apenas, sem fazer, é filme que já vi, vejo todos os dias, nas caras e nas acções dos que, como eu, há muito se arrastam à espera que amanhã seja um dia melhor para acabar com mais um qualquer castigo às costas. E pergunto-me se servirá realmente para algum coisa o protesto de hoje. Afinal, eu fiz parte da tal que foi chamada a geração rasca, a geração que saiu à rua contra as políticas de educação do cavaquismo para ser tratada à paulada e insultada e resumida, passados uns anos, à geração dos 1000 euros por mês. E os protestos foram nada e temo que os de hoje sejam menos ainda. É que à rasca estamos quase todos. Mas protestar apenas também já sei que não leva a coisa alguma.

2011-03-09

Sobressalto cívico?

aqui

E lá foi dia do discurso do gajo que se reelegeu enquanto o pessoal – que gosta tanto de passeatas e manifs e homens da luta – foi dar uma curva, à espera que cinco anos passem depressa e, para a próxima, apareça alguém realmente de fora, que se proponha realmente a fazer alguma coisa nova, a favor de nós todos em vez de contra os inimigos do costume. E esta fava que nos saiu no bolo-rei do destino, com discurso do velho azedo, ressabiado, vingativo, que até "os dele" ostraciza, tirando se fizeram negócios em tempos ou lhes pediu para ir tomar um cafezinho numa avenida qualquer, não promete nada de novo, tirando o fazer a folha aos que lhe destaparam a carapuça das negociatas e ao Sócrates, só porque sim. Se for mulher e defender uma IVG, ou se for transexual e quiser mudar de nome depois de já ter mudado de sexo, não contem com ele. Cuidado com as uniões de facto, que o senhor também não gosta. O segredo de Estado, só se for para esconder-lhe os podres, ou os podres dos amigos. Se for pobrezinho, melhor convidar para o casório. Se for do PSD e ameaçar fazer-lhe sombra, então que proteja as costas, para que não vire um qualquer Nogueira, ou Santana, ou Ferreira Leite, ou até este tanso que lá está agora e que vai pelo mesmo caminho. Se for de esquerda, não conte com ele; se for de direita também não. Sejam por ele. Só assim lá vão, nem que precisem inventar umas escutas, chamar o SIS e uns amigos jornalistas prontos a fazerem o frete para ver se ele dá outro veto ao estatuto. E cuidado com o que ai vem: é que a verdade é que este nunca foi nem soube ser o presidente de todos os portugueses. Agora menos que nunca. Agora vai começar o bailinho da vingança. E o País que se foda, que o velho está zangado.


(e eu gostava mesmo era de ter escrito isto)

Tico e Teco

aqui


Gosto muito de neurónios. E uns bons neurónios raramente ficam bem em fotografias de publicidade duvidosa.

2011-03-07

A fulanização

The Hives - Puppet On A String
Found at bee mp3 search engine

De um momento para o outro, pior do que um tutear que não foi pedido ou concedido, temos a fulanização total e absoluta, passando toda a gente a fulano. E os fulanos, por norma, são aqueles que berram pelos direitos que nem sabem que têm porque outros berraram antes e berram ainda contra os direitos dos outros, os tais que nem sabem que existem. E estes fulanos que berram e berram há muito que se eximiram da cidadania. Pior, nesta democracia de fulanos, os fulanos são sempre os outros. E, esses, claro que não têm os mesmos direitos que o fulano que berra, especialmente se os direitos de uns e outros estão em confronto. Porque a liberdade dos fulanos nunca acaba onde começa a liberdade de outro fulano. Enquanto berra, assume que a sua liberdade de fulano é a única ilimitada. Se for preciso, até se arranja uma manifestação de muitos fulanos pelas ruas. Berrando contra tudo e contra todos. Propor ou fazer é que já não é coisa de fulano, parece, mas podemos sempre mandar uns fulanos à Eurovision.

Pois têm!





«Os meus heróis têm nome». Gostei tanto deste título! E de, numa noite em que só se fala de futebol na televisão, dar com ele. E com o post, claro.



Braga!

aqui

Desta vez o Benfica esqueceu-se de inventar uns túneis e foi o campeonato pelo cano. Temos pena! Ou melhor, não temos peninha nenhuma.

2011-03-03

hmm...

aqui

Às vezes parece que a Ângela Merkel não se importava que Sócrates lhe saltasse à espinha. E, no entanto, cada vez que estes dois se encontram, só me parece que é cá o povinho que acaba com o rabo mais a jeito.

2011-02-28

Tempestade

aqui

A posse irrita-me. A falta de espaço é claustrofóbica. A tua voz a escorrer dentro de mim liberta um mar que não conheço, irado, tormentoso, cinzento e tempestivo. Depois, arrulha com os temas da Primavera, acalma-se, escorre. Desato os sons presos na garganta e rio. Não de ti. Rio de mim e deste rio tormentoso pronto a estourar contra a tua voz ciumenta, como onda nas praias de Inverno. E rio. Tanto e tanto que te levo comigo. E é então, quando a tua gargalhada cresce no meu ouvido, que te quero.

2011-02-21

Parabéns, JP

aqui

Tenho tantas saudades de te ler por aqui, Jaquelina Pandemónio!

Toma lá um beijo de parabéns, a ver se (re)apareces :)

Se


Found at bee mp3 search engine


Se me tivesses perdido, talvez hoje fosse diferente a forma como te acho.

2011-02-16

Lisístrata

aqui

Esposos e esposas, companheiros e companheiras, namorados e namoradas (ou qualquer tipo de trabalhador contratado a termo certo) capazes de dar prazer sexual à merda dos políticos que temos, sigam por favor a sugestão da senhora belga (ou do Aristófanes antes dela) e ponham-me estas bestas todas a seco. Pode ser que lhes subam uns humores à cabeça diferentes da merda que por lá parece sempre andar.

2011-02-09

Se esta pega...

.«A senadora socialista flamenga Marlene Temmerman propôs uma iniciativa inédita para resolver o impasse político na Bélgica, que já bateu o recorde de país europeu que mais tempo viveu sem um Governo. Propõe a abstinência sexual para que os políticos se entendam.»
aqui

Tradução ligeira: continuem a foder o país e não fodem mais nada. Mas eu, que nem sou mulher de político nem de outra forma parte interessada, acho que os gajos ainda vão todos visitar o Berluscas e, por isso, às tantas é melhor ameaçá-los logo com a castração.

2011-02-04

E no entanto...













... se fosse a "minha revolução", será que também não ia para a rua?


_______
(imagens aqui)

E agora?



Da última vez que vi tanta esperança junta à conta de revoluções, acabou tudo de boca aberta a contar corpos e barbáries lá para os lados da ex-Jugoslávia. E sobrou a Tchechenia e o Kosovo. E feridas ainda à espera e banhos de sangue e muito pouca esperança. E ali em baixo aquilo é um barril de pólvora sentado sobre um barrilaço de petróleo. E os anos 90 do século passado levaram para sempre as minhas utopias e agora só me sobra medo. Muito medo.

2011-02-03

Siso?

aqui


Primeiro tinha dois, depois fiquei só com um e agora até esse vai ter de ir à vida. É que é um cabrãozinho do tipo daquele ali na imagem no campo superior direito, sem espaço para nascer, de ladecos e, ainda assim, com a mania que manda e se não há espaço que se arranje, mesmo que dê cabo de tudo à volta. E mesmo na hora da morte não vai calmamente, que já fui avisada que é para ser à sexta ao fim da tarde para recuperar durante os dois dias seguintes. Isso: o cabrãozinho ainda me vai conseguir foder um fim-de-semana. Apre!

2011-01-30

Jovens deuses


Found at bee mp3 search engine
E éramos. Às tantas ainda somos. É que antes não havia nada, tirando talvez a romaria anual à festa do Avante ou outras coisas igualmente jurássicas e depois passou a haver e depois passamos a ir e continuamos a ir e agora ainda vamos. Mesmo quando já há alguém que pede licença, minha senhora e puta-que-pariu para a senhora que eu cá parto-me toda, fico que não me mexo no dia seguinte, mas pulo e salto e danço e canto como se nunca tivesse saído da adolescência e sempre a ouvir o do costume - ou coisas parecidas com o costume -, coisas que as rádios mainstream só se lembram de longe a longe. E continua a ser bom, muito bom, muito para lá do pop efémero e plastificado ou de um certo rock que nem percebo bem porque se atreve a usar o nome. E sim, já sou minha senhora, mas ainda me sinto demasiado jovem e talvez seja apenas por pertencer a um grupo de pessoas, hoje todas mais ou menos com a mesma idade que, no início, não tinha nada, depois passou a ter alguma coisa e agora é público alvo e talvez, pelo espaço de umas poucas horas, são jovens deuses a vibrar ao som da música, das luzes, das batidas e do espectáculo em palco e depois, no dia seguinte, todos partidos, sem conseguirem sentir bem as pernas e com os pés a lembrarem que foram partidos demasiadas vezes, ainda vêm para a net para que fique para a posteridade possível da banalidade gritante do resto dos dias que, sim, estive lá, adorei, dancei e saltei, mas agora tenho de ir ali descansar um bocadinho que, mesmo pertencendo a estes jovens deuses já não tão jovens, tenho decididamente pés de barro, ou outra coisinha igualmente debilitante. Vá, a PDI e está tudo dito.

2011-01-27

Matar pulgas à paulada

aqui

É como se, ao mesmo tempo que vemos as macro-causas definharem, víssemos as micro-causas ganharem uma relevância inaudita. Mas não é pelo facto de terem a buzina mais ruidosa que passam a ser os mais importante da sua rua, não é? Assim – e ainda que o impacto mediático de dois ou três grupos faça parecer que são muito importantes e têm muitos seguidores –, na prática sabemos que, na maioria dos casos, têm um impacto realmente restrito. Mas nunca como hoje uma imagem com o ângulo certo para esconder o número ou um rodapé em permanência a piscar na televisão deu manias de grandeza a tão poucos, os tais que, não fossem os megafones, não passariam eles mesmos de rodapés nos factos pouco ficcionados do dia-a-dia.

Memória

2011-01-26

(...)



I was born too late into a world that doesn't care
Oh I wish I was a punk rocker with flowers in my hair

2011-01-25

Oh caneco!

.
«El político equilibrado, comedido e institucional desapareció de un plumazo para dar paso a un orador resentido que descalificó a todos sus adversarios, sin excepción, en un tono tremendamente agresivo.»


O outro nem o quis na sala oval e aqui ao lado só falta alguém berrar ¿Por qué no te callas?.

2011-01-24

Velhos

aqui


Cavaco Silva está podre de velho. Alegre também. Mas Alegre perdeu e os outros não sei se tinham realmente importância, mas de novos nada têm. E ao deparar-me com o discurso poucochinho do presidente minguado, tirei o som à televisão e fiquei a olhar-lhe para a cara franzida de amarguras e fel e a pensar que era velho, velho, caduco em tanta coisa, cavernoso nos ângulos da cara que sempre teve mas que agora se aguçam, já que a velhice não lhe adoçou nem o feitio, nem os humores, muito menos a canície latente que talvez traga nos ossos desde novo, desde o carro a fazer rodagem, desde antes disso, nas finanças a pôr a coisa a jeito para o FMI ou na Universidade a ser velho, mais velho do que qualquer trapo, para os alunos que por certo bocejavam a ouvir-lhe a oratória do jeitinho ou da doutrina também ela velha. E é um espelho de uma certa classe que as pessoas já não suportam, pelo menos aquelas que querem só um amanhã novo, sem o ranço e o bolor destes políticos que não morrem nem saem de cima. Velhos, alheados do povo que somos mesmo quando falam dos pobrezinhos, agarrados ao que são e sempre foram e aos laços que coseram de mil traços de interesses e conveniências. E o povinho, mesmo o pobrezinho, já nem lá vai, não lhes vê valia, a estes velhos demasiado velhos de um País que nunca soube livrar-se de todos os velhos do Restelo, mesmo quando os enfiam em Belém. Talvez tenha sido a última vez e, daqui a cinco anos, talvez apareça alguém que pense de forma nova e não tenho aquele ar de caverna bafienta. Ou talvez este esteja velho, muito velho, tão velho que ainda morra pelo caminho. Ele e todos como ele, os que agora estavam com ele, alegres, nobres, coelhos, defensores e xiquinhos. Tudo podre. Tudo velho. E o Portugal que há-de ser – e já é agora – olha para esta velharia toda e vai antes gozar o domingo para outro lado, não sei bem se em protesto, mas certamente em fastio dos gajos à moda antiga, com campanhas à moda antiga, as passeatas como antigamente e os discursos onde apenas sobram teias de aranha e maledicência e déjà vu remoto e alheado.

2011-01-21

Sebastianismos

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Fernando Pessoa - Liberdade


Que mania esta nossa de, em cada geração, inventarmos mais um D. Sebastião! E continuamos a construir um País de miragens, com Desejados que nunca o são, salvadores da pátria de pés de barro, boca aberta para a opinião néscia e o palpite fútil. E o Desejado nunca pode vir. Nunca veio, afinal.