Tu precisas tanto
de amor e sossego
e eu preciso de um emprego
se mo arranjares
eu dou-te o que é preciso
por exemplo o paraíso
anda ao deus-dará
perdido nessas ruas
vou ser mais sincero
sinto que ando às arrecuas
preciso de galgar
as escadas do sucesso
e por isso é que eu te peço
arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego
pode ser na tua empresa
concerteza
que eu dava conta do recado
e para ti era um sossego
Se meto os pés para dentro
a partir de agora
eu mete-os para fora
se dizia o que penso
eu posso estar atento
e pensar para dentro
se queres que seja duro
muito bem serei duro
se queres que seja doce
serei doce, ai isso juro
eu quero é ser o tal
e como tal reconhecido
e assim digo-te ao ouvido
arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego
pode ser na tua empresa
concerteza
que eu dava conta do recado
e para ti era um sossego
Sbendo que as minhas intenções
são das mais sérias
partamos para férias
mas para ter férias
é preciso ter emprego
espera aí que eu já chego
agora pensa numa casa
com o mar ali ao pé
e nós os dois
a brindarmos com rosé
esqueço-me de tudo
com o por-do-sol assim
chega aqui ao pé de mim
arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego
pode ser na tua empresa
concerteza
que eu dava conta do recado
e para ti era um sossego
Se em mandasse neles
os teus trabalhadores
seriam uns amores
greves era só
das seis e meia às sete
em frente a um cassetete
primeiro de Maio
só de quinze em quinze anos
feriado em Abril
só no dia dos enganos
e reivindicações
quanto baste ma non troppo
anda, bebe mais um copo
arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego
pode ser na tua empresa
concerteza
que eu dava conta do recado
e para ti era um sossego
2011-05-15
Canções para a crise
2011-05-13
Canções para a crise
Beneath the old iron bridges
Across the victorian parks
And all the frightened people running home before dark
Past the Saturday morning cinema
Lies crumbling to the ground
And the piss stinking shopping centre in the new side of town
I've come to smell the seasons change and watch the city
As the sun goes down again
Here comes another winter
Of long shadows and high hopes
Here comes another winter
Waiting for utopia
Waiting for hell to freeze over
This is the land where nothing changes
The land of red buses
And blue blooded babies
This is the place where pensioners are raped
And the hearts are being cut from the welfare state
Let the poor drink the milk
While the rich eat the honey
Let the bums count their blessings
While they count the money
So many people can't express what's on their minds
Nobody knows them
Nobody ever will
Until their backs are broken
Their dreams are stolen
And they can't get what they want
Then they're gonna get angry
Well it ain't written in the papers
But its written on the walls
The way this country's divided to fall
So the cranes are moving on the skyline
Trying to knock down this town
But the stains on the heartland
Can never be removed
From this country that's sick, sad, and confused
Here comes another winter
Of long shadows and high hopes
Here comes another winter
Waiting for utopia
Waiting for hell to freeze over
This is the 51st state of the USA
The ammunition's being passed
And the Lord's been praised
But the wars on the televisions will never be explained
All the bankers gettin sweaty beneath their white collars
As the pound in our pocket turns into a dollar
This is the 51st state of the USA
2011-05-12
Canções para a crise
Estupidez
Estupidez gananciosa
Leva-me o país prá cova
Estupidez gananciosa
Leva-me o país prá cova
Gestores, tangas, aldrabões
Já só falam de milhões
Mesmo que o resto fique a olhar
Sem ter um sítio seu para morar
Qualquer dia é tudo francês
Ou alemão
Mas não português
E depois
E depois, morreram as vacas
Ficaram os bois
Foram-se os dedos
Ficaram os anéis
E o resto
Anda tudo aos papéis
E é por isso
Que a meu ver
Está tudo mal, está tudo mal
Nesta Europa de Portugal
Qualquer dia é tudo francês
Ou alemão
Mas não português
Falta pedir ao rei espanhol
Licença para ir apanhar Sol
Uns à volta do tractor
Outros ó sr. doutor
Quem me tira desta aflição
Agarra-me aqui com a mão
Eu até era um homem honesto
Nunca fiz nada funesto
Pedi à Europa para me apoiar
E agora a minha sina é roubar
1º Ministro
1ª Dama
E tu, queres ir prá cama
Anda tudo a ver se mama
Nesta união da tanga
Qualquer dia é tudo inglês
Ou italiano
Mas não português
E depois
E depois, morreram as vacas
Ficaram os bois
Foram-se os dedos
Ficaram os anéis
E o resto anda tudo aos papeis
E é por isso que a meu ver
Está tudo mal, tudo mal
Nesta Europa de Portugal
Qualquer dia é tudo francês
Ou alemão
Mas não português
Falta pedir ao rei espanhol
Licença para ir apanhar Sol
Antes quero ser um Velho do Restelo
Que um fascista sem cabelo
Antes quer ser um Velho do Restelo
Que um fascista sem cabelo
Canções para a crise
in this proud land we grew up strong
we were wanted all along
I was taught to fight, taught to win
I never thought I could fail
no fight left or so it seems
I am a man whose dreams have all deserted
I've changed my face, I've changed my name
but no one wants you when you lose
don't give up
'cos you have friends
don't give up
you're not beaten yet
don't give up
I know you can make it good
though I saw it all around
never thought I could be affected
thought that we'd be the last to go
it is so strange the way things turn
drove the night toward my home
the place that I was born, on the lakeside
as daylight broke, I saw the earth
the trees had burned down to the ground
don't give up
you still have us
don't give up
we don't need much of anything
don't give up
'cause somewhere there's a place
where we belong
rest your head
you worry too much
it's going to be alright
when times get rough
you can fall back on us
don't give up
please don't give up
'got to walk out of here
I can't take anymore
going to stand on that bridge
keep my eyes down below
whatever may come
and whatever may go
that river's flowing
that river's flowing
moved on to another town
tried hard to settle down
for every job, so many men
so many men no-one needs
don't give up
'cause you have friends
don't give up
you're not the only one
don't give up
no reason to be ashamed
don't give up
you still have us
don't give up now
we're proud of who you are
don't give up
you know it's never been easy
don't give up
'cause I believe there's the a place
there's a place where we belong
E, não, não têm nada a ver com os homens da luta e a letra ridícula do pão e vinho. É de pão mesmo: aquele que faz falta nas mesas. O vinho pouco importa que IVA leva, que ninguém se entende em bebedeiras de palavras raivosas, catastrofistas, guerrilhas de interesse que pouco têm a ver com o interesse comum e se limitam a bebedeiras de fel. É desta coisa de sentir que estamos outra vez a aterrar nos anos 80 e que não é bonito. É mesmo só de pão. E de crise. E de canções que falam desta. Alguém se lembra de mais alguma?
2011-05-11
2011-05-10
2011-05-07
Demonologia(s)
Edgar Morin
2011-05-05
Brrraaaaaaggggaaaaaaaa!!!!!
Pero a todo ello el Braga le ha añadido carácter. Ése que te otorga el hecho de ir pasando eliminatorias. Sevilla, Arsenal, Liverpool... y ahora Benfica.»
Desafio Literário
aqui1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
Vários. E faço-o ou já fiz. Um dos mais repetidos – e talvez por ser tão pequenino e por o perder e reencontrar tantas vezes – é da Ursula K. Le Guin e chama-se “Tão Longe de Sítio Nenhum”.
2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Perdi a conta aos livros que nunca acabei. Gosto de ler, mas não o faço por frete. Nem manuais, nem novelas, nem romances, nada: se não me conseguem “prender”, devolvo-os à estante e sigo para o próximo, que ainda há muita coisa que não li e quero ler.
3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
Não faço ideia. Sou incapaz de escolher só um porque, como aliás com tudo na vida, os meus gostos adaptam-se aos humores e o que gosto hoje pode acabar por me cansar amanhã. Mas talvez a Enciclopédia Britânica desse algum jeito se não houvesse mais nada.
4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Acho que não tenho nenhum. Não vejo motivo para deixar de ler um livro qualquer, ainda que possa haver coisas maravilhosas – e que desconheço – em línguas que não consigo perceber. Mas em português, inglês, francês, espanhol (italiano com um dicionário ao lado também era capaz de dar; o mesmo para o alemão e se tivesse mesmo de ser, que os dois anitos de aprendizagem ainda dão para perceber a lógica da coisa) marcha tudo.
5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?
Vários e normalmente distopias. Estou a lembrar-me, por exemplo, de “O Admirável Mundo Novo”, do Aldous Huxley.
6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Papei tudo o que a minha mãe não me tirou a tempo das mãos, desde BD até ao Júlio Dinis, passando por romances de cordel e as “Anitas” e os “Cinco”, os “Sete”, as “Gémeas” e a Agatha Christie, até bater de frente com o Eça e o Corto e passar a ser mais selectiva.
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Tirando qualquer calhamaço para qualquer cadeirão na Universidade e manuais de qualquer electrodoméstico, não estou a ver nenhum livrinho a que tenha feito o frete.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Impossível responder a esta. Há demasiados e ia por certo esquecer-me de qualquer coisa importante. Nem sequer respondi a essa perguntinha no perfil do blogue. O mesmo para filmes e música, aliás.
9. Que livro estás a ler neste momento?
Tenho aqui os “Contos Carnívoros”, do Bernard Quiriny, para começar. Estou a acabar o “Deixemos a Liberdade Vencer”, de Nelson Mandela.
10. Indica dez amigos para o Meme Literário:
Estão abertas as inscrições. Tenham a bondade…
As eleições
aquiEu sou da geração que viu o comunismo e o socialismo de Estado pelo lado de fora com o seu pior ar e ainda acha que a Queda do Muro de Berlim foi das melhores coisinhas que aconteceram nos finais do século defunto. E na esquerda temos em Portugal dois partidos que só servem para estorvar e disso fizeram a razão da sua existência. Se um deles ainda apresenta, no meio de muita merda, algumas coisas com que concordo, os jurássicos do costume não têm para mim hoje uma única proposta com nexo, adaptada à realidade. E a utopia não enche a barriga e a utopia nunca foi o que praticaram, nem sequer o que é praticado nos regimes que, cegamente, alguns continuam a defender. E a minha ideia de oposição, em democracia, passa por muito mais do que só estorvar. Tenho destas manias de que eles estão lá para fazerem alguma coisa e não apenas para dizerem que o que é feito não serve, sem apresentarem qualquer alternativa com sentido. Depois, sendo de esquerda, fiquei sem o velho centro-esquerda em que me revia. Este PS é mais direita do que muito do que o PSD podia ou queria ser e hoje parece demasiadas vezes resumido a José Sócrates que, valha-me a paciência, é pior de engolir do que a pílula mais amarga ou uma colherada de óleo de fígado de bacalhau. E o PSD neste momento não é ou continua sem ser: um bando de cães atrás de um osso, em guerra de facadas em todas as costas que apareçam, não é alternativa para nada, muito menos quando contrata marqueteiros incompetentes para venderem a última figura vazia e a prazo de uma longa lista de queridos líderes. Quanto ao PP do PP é anedota: apesar da aparente coerência do discurso, não evita que me lembre das fotocópias, da vida de príncipe no forte militar, da Moderna, dos submarinos, ou do voto a preço de queijo limiano. Como se não bastasse, vai andar por cá a troika e, com um bocado de jeito, afinal o voto talvez não sirva realmente para nada. Às vezes pergunto-me se ainda vale a pena ir votar ou, estando o tempo de feição, não seria melhor ir ver o mar.
2011-05-04
Estranho!
O Jumento
Sou só eu ou a oposição que temos não acerta uma e o mais certo é ter perdido as eleições com aquela comunicação ao País (no intervalo de um jogo de futebol?) de José Sócatres (com Teixeira dos Santos tipo múmia na lateral) e o seu anúncio, não do que aí vem, mas antes do que parece que nos safamos que venha?
Coisas tão estranhas que nos sobram da crise, caneco! A mais estranha de todas é não ter aparecido alternativa a Sócrates e o principal partido da oposição ter-se mostrado incompetente e incapaz para capitalizar uma vitória que, em Março, parecia mais que certa e maioritária. E à esquerda? Ontem, Louçã, no "Cinco para a Meia-Noite", lá ia dizendo que "Sócrates não ganha com maioria absoluta". Não era suposto estarmos antes a prever os números de uma suposta hecatombe eleitoral do PS?
2011-05-02
E agora?
aquiÉ fácil perceber como um inimigo designado pode ser confortável. E, hoje, os EUA puseram fim ao seu inimigo designado de uma década. No entanto - e até pelo que percepciono da mentalidade americana e a forma como querem sempre ver o Mundo a preto e branco, onde eles são sempre os cowboys bonzinhos e os outros os índios a abater -, pergunto-me que inimigo irão agora designar. Faz parte e assim tem sido a postura da super-potência que restou da Guerra Fria e que continua à toa à procura do preto e branco. Mas não sei se me serve o simplismo do olho por olho, dente por dente; já era tempo de deixar certas justiças para o Tribunal Penal Internacional e esperar que "twelve good men and true" fosse mais do que uma frase sem sentido a nível internacional.
2011-05-01
Eleitoralismo incompetente
A revogação do sistema de avaliação dos professores tinha sido aprovada a 25 de Março pela oposição parlamentar, com os votos favoráveis de PSD, PCP, BE, PEV e CDS-PP e contra da bancada do PS e do deputado social-democrata Pacheco Pereira.»
O Público, 29/04/2011
2011-04-30
2011-04-29
2011-04-28
2011-04-27
Partilha
Love me with a touch of the sorrow
That burst open to disappear with the mist
Take me like the young
Days are numbered
I'm highly-strung
I can't feel a thing anymore
Love me just like the ocean cripples upon the shore
Love me with a line of devotion
Going backwards to what was before
Take me like the young
Days are numbered
I'm highly-strung
But I can't feel a thing anymore
I can't feel a thing anymore…
2011-04-26
Das pontes
2011-04-25
25-A
Baptista Bastos
Qualquer Nação que não se olha de forma completa, quer para o bem, quer para o mal, nunca terá um retrato real do que foi, do que é e do que quer ser no futuro. Não, eu não entendo mesmo para que serve uma memória amputada, em que até os simples cravos são convenientemente esquecidos, como se resumidos ao direito de serem empunhados pelos que estão à esquerda da barricada política e mero engulho esquecido para os que se quedam à direita. E o próprio ícone deixa de ser capaz de medir - e homenagear - o sentido mais profundo do golpe de estado que se tornou revolução. Termos hoje uma democracia anémica e desacreditada não deveria ser o bastante para esquecermos que, naquela madrugada, jovens capitães arriscaram tudo e, no dia seguinte, as gentes juntaram-se nas praças e nas ruas e, em vez de armas e balas, pintaram o dia de flores. E antes uma pobre democracia do que democracia alguma. Especialmente uma que nasceu, não de sangue derramado, mas de um sentido profundo de alegria e esperança consubstanciadas numa flor rubra. É que hoje, como então, estamos à espera que nos convidem a ressurgir, mas para isso é preciso lembrar - e simbolizar - como foi.
O que faz falta
aquiHoje e como sempre, cravos pelo meu avô, pelo meu bisavô, pelos meus que foram à Guerra, pelos que por cá ficaram e resistiram e foram perseguidos e insultados e sobreviveram à pobreza e ao tal de deus pátria e família e que não se foram a salto, até ao dia em que o salto foi realmente dado, mas para a liberdade, consagrada nas ruas antes de haver tempo para ver o tempo andar para trás.
E mesmo que já tão pouco reste desse tempo, para além das homenagens, ou dos cravos que, por memória e respeito, deveriam sempre enfeitar este dia.
2011-04-22
Dia da Terra
U Thant, 21 de Março de 1971
Com a crise, não ficará ainda mais esquecida?
2011-04-21
2011-04-20
As vozes do contra
Fonte
2011-04-19
2011-04-18
2011-04-17
2011-04-15
Underdogs
Já esteve mais longe
O Jumento
Não sei se é melhor, mas que lá vai dando ares vai. E já ganhou por menos. Talvez a estratégia do Relvas de tentar mandar palpites na liderança do PS, apesar dos socialistas terem renovado a confiança no "querido líder", seja a única que se safe: se não conseguem apresentar um candidato credível que seja, o melhor é mesmo decapitar a concorrência. Eu até fornecia o machado, mas depois como é que ficávamos com as sobras que nos propõem?
2011-04-14
2011-04-13
2011-04-12
Inacreditável, mesmo!
fonte 2011-04-11
Nobre
fonte Eu gostava realmente de ver, de repente, nascer uma fauna nova: o político amador. Isso! Um gajo capaz de fazer apenas por amor à política e ao povo, na carolice; alguém que não se importasse se ia ou não aparecer nos jornais, nas notícias, nas próximas listas para as próximas eleições, ou se ia receber alguma coisa por fazer. É que, convenhamos, da merda dos profissionais já estamos todos fartos, não é?
2011-04-01
Oh Caraças
Discurso de PR, 31/03/2011
2011-03-31
2011-03-29
2011-03-26
Pedaço de mim
E há dias em que olho raivosa essa imagem do eu que fui, numa espécie de acerto de contas com o destino irremediavelmente perdido pelos tantos e excessivos passos, com tudo o que pus de parte para seguir em frente, as concessões, as cedências, o falhanço provável de (quase) todos os sonhos.
Nesses dias sobra um quase gosto de derrota, um reconhecer de que seguir em frente, mesmo tendo sido o único caminho possível, não foi necessariamente a forma perfeita de me manter fiel a mim mesma, senhora do meu direito à utopia. E não me chega que me digam que foi crescer.
____
Obrigada a quem por aqui passou a dar os parabéns.
2011-03-24
2011-03-19
2011-03-17
Braga!
aquiSo it is Domingos Paciencia's side who go in tomorrow's draw for the quarter and semi-finals of the Europa League — and not the side who lifted this trophy back in 2001.»
fonte
Do outro lado do mar
Não morri ainda, quase vivo.
Uns querem que eu morra.
Outros que eu viva.
A quem me afirmo, sendo morto-vivo?
Com que expressão
posso nomear-me?
Ninguém quis saber da minha vida
nem do que eu sentia.
Eu, soldado raso, digo:
não trapaceiem comigo.
Sou homem,
não sou palha.
Sou homem
dentro da farda.Ruy Cinatti - Tropa d'África
2011-03-16
Meus pais tão breves
O mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada.
Eu canto para ti o mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema
Porque tu me disseste quem me dera em Lisboa
Quem me dera em Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro
Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio
Porque tu me disseste quem me dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol, Lisboa com lágrimas
Lisboa à tua espera ó meu irmão tão breve
(des)culpas
aqui2011-03-14
2011-03-12
Geração à rasca
em 1994 foi assim
E hoje vou ver os jovens sair à rua, esperando que as convocatórias pelo facebook lhes garanta realmente um verdadeiro direito à indignação e que não deixem que políticos e sindicalistas à moda antiga lhes cavalguem a onda de protesto. E espero que dali saia mais do que palavras vazias e actos nados-mortos: protestar apenas, sem fazer, é filme que já vi, vejo todos os dias, nas caras e nas acções dos que, como eu, há muito se arrastam à espera que amanhã seja um dia melhor para acabar com mais um qualquer castigo às costas. E pergunto-me se servirá realmente para algum coisa o protesto de hoje. Afinal, eu fiz parte da tal que foi chamada a geração rasca, a geração que saiu à rua contra as políticas de educação do cavaquismo para ser tratada à paulada e insultada e resumida, passados uns anos, à geração dos 1000 euros por mês. E os protestos foram nada e temo que os de hoje sejam menos ainda. É que à rasca estamos quase todos. Mas protestar apenas também já sei que não leva a coisa alguma.
2011-03-11
2011-03-10
2011-03-09
Sobressalto cívico?
aqui(e eu gostava mesmo era de ter escrito isto)
Tico e Teco
aquiGosto muito de neurónios. E uns bons neurónios raramente ficam bem em fotografias de publicidade duvidosa.
2011-03-08
Mulher
2011-03-07
A fulanização
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Pois têm!

2011-03-03
2011-02-28
Tempestade
aqui2011-02-23
2011-02-21
Parabéns, JP
aquiSe
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Se me tivesses perdido, talvez hoje fosse diferente a forma como te acho.
2011-02-18
2011-02-16
Lisístrata
aqui2011-02-14
2011-02-12
Memória curta
(começo a ficar demasiado cansada desta democracia doente e de doentes)
2011-02-09
Se esta pega...
aqui
2011-02-06
2011-02-04
E agora?
2011-02-03
Siso?
aquiPrimeiro tinha dois, depois fiquei só com um e agora até esse vai ter de ir à vida. É que é um cabrãozinho do tipo daquele ali na imagem no campo superior direito, sem espaço para nascer, de ladecos e, ainda assim, com a mania que manda e se não há espaço que se arranje, mesmo que dê cabo de tudo à volta. E mesmo na hora da morte não vai calmamente, que já fui avisada que é para ser à sexta ao fim da tarde para recuperar durante os dois dias seguintes. Isso: o cabrãozinho ainda me vai conseguir foder um fim-de-semana. Apre!
2011-02-02
2011-02-01
2011-01-30
Jovens deuses
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E éramos. Às tantas ainda somos. É que antes não havia nada, tirando talvez a romaria anual à festa do Avante ou outras coisas igualmente jurássicas e depois passou a haver e depois passamos a ir e continuamos a ir e agora ainda vamos. Mesmo quando já há alguém que pede licença, minha senhora e puta-que-pariu para a senhora que eu cá parto-me toda, fico que não me mexo no dia seguinte, mas pulo e salto e danço e canto como se nunca tivesse saído da adolescência e sempre a ouvir o do costume - ou coisas parecidas com o costume -, coisas que as rádios mainstream só se lembram de longe a longe. E continua a ser bom, muito bom, muito para lá do pop efémero e plastificado ou de um certo rock que nem percebo bem porque se atreve a usar o nome. E sim, já sou minha senhora, mas ainda me sinto demasiado jovem e talvez seja apenas por pertencer a um grupo de pessoas, hoje todas mais ou menos com a mesma idade que, no início, não tinha nada, depois passou a ter alguma coisa e agora é público alvo e talvez, pelo espaço de umas poucas horas, são jovens deuses a vibrar ao som da música, das luzes, das batidas e do espectáculo em palco e depois, no dia seguinte, todos partidos, sem conseguirem sentir bem as pernas e com os pés a lembrarem que foram partidos demasiadas vezes, ainda vêm para a net para que fique para a posteridade possível da banalidade gritante do resto dos dias que, sim, estive lá, adorei, dancei e saltei, mas agora tenho de ir ali descansar um bocadinho que, mesmo pertencendo a estes jovens deuses já não tão jovens, tenho decididamente pés de barro, ou outra coisinha igualmente debilitante. Vá, a PDI e está tudo dito.
2011-01-27
Matar pulgas à paulada
aquiÉ como se, ao mesmo tempo que vemos as macro-causas definharem, víssemos as micro-causas ganharem uma relevância inaudita. Mas não é pelo facto de terem a buzina mais ruidosa que passam a ser os mais importante da sua rua, não é? Assim – e ainda que o impacto mediático de dois ou três grupos faça parecer que são muito importantes e têm muitos seguidores –, na prática sabemos que, na maioria dos casos, têm um impacto realmente restrito. Mas nunca como hoje uma imagem com o ângulo certo para esconder o número ou um rodapé em permanência a piscar na televisão deu manias de grandeza a tão poucos, os tais que, não fossem os megafones, não passariam eles mesmos de rodapés nos factos pouco ficcionados do dia-a-dia.
2011-01-26
(...)
I was born too late into a world that doesn't care
Oh I wish I was a punk rocker with flowers in my hair
2011-01-25
Oh caneco!
2011-01-24
Velhos
aqui2011-01-22
2011-01-21
Sebastianismos
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Fernando Pessoa - Liberdade




















