2014-04-20

40 anos depois












fonte




No FB andam a denunciar fotografias do 24/04/1974 como "violência gráfica". Há algo de profundamente repulsivo na ideia de que, tantos anos depois, ainda há quem não tenha interiorizado a liberdade de expressão e continue na velha senda da censura. Ao mesmo tempo e por mais que me custe, sei que também para estes neo qualquer coisa foi feito aquele dia. Podem denunciar tudo o que quiserem: eu reservo-me a liberdade de os denunciar a eles, sem esquecer que a liberdade é de todos e para todos, sem importar cor, credo ou ideologia, mesmo que, quarenta anos depois, me repulsem alguns subprodutos.

Aproveito, no entanto, para trazer para aqui um outro apelo. Para que não apaguem a memória. Para que esta não se perca. Mesmo e especialmente quando, quarenta anos depois, pretendem associar violência às imagens de um golpe de estado que virou uma revolução quando os cravos foram enfeitar os fuzis. É que a violência, naquele dia, estava entrincheirada e medrosa, não nas ruas.


2014-04-17

RIP Gabriel Garcia Marquez



"Não importa o quê, mas ninguém pode tirar-te as danças que já tiveste"

in Memória das Minhas Putas Tristes

2014-04-16

Dia da voz

«Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.»

António Ramos Rosa

Há em mim um esforço cansado para encontrar na magia de outros a minha voz. Tenho a imaginação a tingir-se de rouquidão e a voz a apagar-se. Estou cansada de mim. Estou cansada de quantos, antes de mim, me roubaram o meu lugar no espaço e no tempo. 

Estou em rota de colisão contra quem me rouba os mitos e os sonhos, quem teoriza a minha sem importância no mundo, no meu mundo. 

Dedilho acordes de memórias banais. Não tenho história. Não tenho reino. O meu Universo é um tecto baixo e as estrelas vão fugindo. E, em dias assim, muito mais do em tantos dos anos em que tive diariamente a voz em fuga, estou muda.

2014-04-11

"Com esta da austeridade, meu senhor nem sequer dá para ir desta pra melhor"



 «Cá se vai andando
c'o a cabeça entre as orelhas»

Obrigatório ler em Abril!

«Estou a voltar a Portugal 40 anos depois do 25 de Abril, do fim da guerra infame, do ridículo império. Já é mau um governo achar que o país é seu, quanto mais que os países dos outros são seus. Todos os impérios são ridículos na medida em que a ilusão de dominar outro é sempre ridícula, antes de se tornar progressivamente criminosa.(...) 

Este prémio é tradicionalmente entregue pelo Presidente da República, cargo agora ocupado por um político, Cavaco Silva, que há 30 anos representa tudo o que associo mais ao salazarismo do que ao 25 de Abril, a começar por essa vil tristeza dos obedientes que dentro de si recalcam um império perdido. 

E fogem ao cara-cara, mantêm-se pela calada. Nada estranho, pois, que este Presidente se faça representar na entrega de um prémio literário. Este mundo não é do seu reino. Estamos no mesmo país, mas o meu país não é o seu país. No país que tenho na cabeça não se anda com a cabeça entre as orelhas, “e cá vamos indo, se deus quiser”.(...) 

Eu gostava de dizer ao actual Presidente da República, aqui representado hoje, que este país não é seu, nem do Governo do seu partido.(...)» 

Alexandra Lucas Coelho - "O meu país não é deste Presidente, nem deste Governo"

É só seguir o link no nome do artigo de opinião.

2014-04-09

Antes e depois do adeus



Em Santa Comba Dão engessaram-me uma vez um pé. E não ficou particularmente bem engessado. Adiante! Porque é mesmo adiante, que ninguém se lembra que existe aquela terra nos dias normais e duvido que alguém sequer se dê ao trabalho de lá ir ver o largo que há uns anos resolveram baptizar de "Salazar". Ficaram para o engravatadinho lá do sítio os seus 15 minutos de fama à conta da polémica que gerou por ter plantando a lápide (lápide até que está giro; lembra-me que o velho das botas está morto e enterrado) a 25/04 no meio de porco assado e música pimba. É que o engravatadinho só o fez porque o velho Salazar já não existe (e como a terra deve estar-lhe a ser bem pesada, quando até já virou estrela de soft-porn nacional! Isso e a lápide em cima). É só mais um largo a que ninguém vai dar importância, como tantos outros largos com tantos outros nomes a que não se dá importância alguma. O que importa é que o velho regime morreu há 4 décadas. E hoje temos engravatadinhos. E esses engravatadinhos é que são os tais que só querem 15 minutos – e nunca terão quase meio século – porque não passam disso mesmo: o que sobrou de uma política que perdeu há muito a utopia e apenas serve para gerir os interesses da classe. E dos engravatadinhos.

2014-04-08

Ciclos

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Gosto de acreditar que só aquilo que não prendemos um dia decide voltar para nós.

2014-04-07

Astenia



E vai-se levando a vida, a coleccionar mais cicatrizes e sonhos roubados, a rotina instalada como um nevoeiro que nem sequer escapa por lhe chamarmos apenas neblina.

(...)

2014-03-21

Apre!


Como se não bastasse ter chegado a cartinha do IMI, ainda vou ter de calçar o carro. O bichinho bem que podia ter deixado passar a crise para resolver ficar pé descalço :(

2014-02-20

Apre!



O melhor comentário que alguma vez vi sobre o assunto foi de um católico praticante, profundamente irritado com um qualquer absurdo que tinha sido afirmado na RR. Lembrava - e com razão - que Jesus Cristo é filho de 2 pais e de uma mãe solteira. E, pronto, acho que está tudo dito, não é? A questão deve ser só e apenas quantos pais (ou mães) uma criança pode ter ou se precisa ficar condenada à velha moda do Estado Novo a ter um asterisco no sítio reservado à filiação. A orientação sexual não devia ter rigorosamente nada a ver com o assunto. Ou vão buscar as crianças uma a uma às casas onde elas já vivem com dois pais ou duas mães? É que as crianças já lá estão, já têm dois pais ou duas mães. Esconder debaixo do tapete não resolve rigorosamente nada. Nunca resolveu.

2014-02-17

Talvez



2014-02-12

Sochi 2014 e a polémica LGBT



Esta foi a resposta publicitária da Noruega mas, para mim, a melhor resposta está nos comentários do vídeo: um uruguaio lembra simplesmente aos russos que, apesar de no Uruguai o casamento homossexual ser possível, nem por isso o número de homossexuais disparou; passou apenas a haver uma comunidade gay muito mais feliz.

2014-02-11

Entropia

Wise Up by Aimee Mann on Grooveshark

Não, não sinto que invista o suficiente no que é necessário mudar. Porque há dias em que estou tão cansada que não tenho vontade de nada. Porque nunca vai chegar seja o que for. E não tenho voz suficiente para fazer a diferença, ou sequer empenho: há sempre um fim do mês à porta e a prestação da casa e a crise e o dinheiro cada vez mais curto e o trânsito e o que vai ser para o jantar e o arranjar o tempo suficiente para abraçar quem quero e o continuar a empilhar os livros que quero ler e os filmes que quero ver e... Sou um umbigo, na maioria dos dias. Não sobra muito espaço para o outro. Na realidade, em muitos dias já nem sequer sobra muito tempo para mim.

"The Day We Fight Back"


TODAY, FEBRUARY 11TH, 2014 
IS THE DAY WE FIGHT BACK 
AGAINST MASS SURVEILLANCE

Thousands of Websites are Protesting Surveillance. 
Reddit, Mozilla, Tumblr, Imgur, and over 6,000 other websites are protesting NSA surveillance. 
Join them.

Assine a petição!

2014-01-20

(...)

2014-01-09

Panteão Nacional




Agora que tanto se fala no Panteão Nacional a propósito de Eusébio (e sendo que presença de um não negue qualquer direito a outro), surgiu uma petição para que alguém lembre e (finalmente) honre o eterno esquecido deste país: Aristides de Sousa Mendes. Provavelmente não servirá para nada assinar. Mas a memória do homem que foi merece-nos o pequeno esforço de acrescentar o nosso nome, não para chegar aos 10000 de assinaturas necessárias para que o pedido chegue à Presidência da República, antes para ultrapassar em muito esse número, pelo respeito mais do que devido a uma figura ímpar da história nacional. Sigam o link percam 10 segundos. Não custa nada!

2013-12-23

A todos...

Por mais atarefada, não posso deixar de vir por aqui desejar a quem não deixa de por cá passar os meus desejos de festas felizes. Tudo de bom!


2013-12-07

Sim, eu sou estranha!


E este ano não me apetece escrever uma carta ao Pai Natal. Nunca traz o que lhe quero! Se lhe tomar posse do corpo será que tenho mais sorte?

2013-12-05

RIP, Nelson Mandela

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Há quase 24 anos, Mandela estava finalmente livre. Meses antes, tinha caído o Muro de Berlim e viviam-se tempos de euforia e esperança, rapidamente comidos pela realidade. Talvez por isso, para mim, para além de tudo o que foi para toda a gente, Nelson Mandela sempre representou um breve período na minha vida em que fui capaz de uma fé ingénua num futuro brilhante e que, por um instante, também eu acreditei num mundo de bem em que tudo de bom seria possível. O velho, doente e envelhecido símbolo partiu hoje; eu, na realidade e tristemente, há muito que já o tinha deixado partir.

2013-12-04

Esta é a minha linha!



Qualquer maluco tem uma máquina de filmar ou uma máquina fotográfica. E muito pouco discernimento quando chega a altura de as usar. É cada vez mais uma decisão de não ver, sabendo que existem certas imagens em todo lado. Há coisas que não deviam ser para consumo massificado. A morte, certamente, merecia maior pudor. E é agora, aqui, no destino, no suposto consumidor final, que temos de ter a coragem de saber onde traçamos a linha, até onde, em consciência, cada um de nós se permite ir num mundo que tão facilmente desumaniza, banaliza, torna em fait divers qualquer assunto, agora transformado em fogacho perecível e que supostamente se deveria esquecer com um clique, da mesma forma que esbarramos com ele à distância de um clique também. 

2013-12-02

Porto de encontro

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Apanhei com a família de americanos à saída da estação do metro da Trindade: pai, mãe e duas filhas adolescentes. A mãe, loira, queria entrar em todas as lojas e tentava converter euros e dólares sem acertar uma para muita risota da filha mais velha; a mais nova, 15, 16 anos, queria saber se eu conhecia o Hot Jesus, mas eu respondi-lhe que estava na cidade errada e eu, de qualquer forma, nesta altura do ano dava mais para o Baby Jesus do que para outra coisa. O pai, ruivo, era uma torre de dois metros de altura com quase tanto de largo. Queriam ir para os Clérigos e apontaram-me um mapa do Porto com ar de quem nem sabia para que lado ficava o rio. Ok. Follow me. Vou mesmo para aqueles lados. O pai fez a despesa da conversa. É que eu não conhecia o Hot Jesus… Quis saber o que comer, onde comer, bufou a subir, bufou a descer, foi ficando cada vez mais corado. Às tantas perguntou se a torre tinha elevador. Hemmm! Nop! Sorry, big guy. São quase 250 degraus e é preciso dar ao pedal. Depois olhei melhor e tentei lembrar-me da balança do "The Biggest Loser" e de quanto valem as pounds em quilos e tentei imaginar o americano gigante no topo da Torre dos Clérigos. É! Não vai caber: nem a minha imaginação dá para tanto. Se aquela coisa sobe, fica lá atracada. Como é que se diz isto ao americano sem o ofender? Não foi preciso. Bastou ver a Torre e resolveu que tinha fome. Mandei-o provar um éclair à Leitaria da Quinta do Paço. Quando o encontrei na volta (sim, também não resisto aos éclairs) estava com um sorriso de orelha a orelha e jurou-me que Portugal era o paraíso dos gulosos. Mas o problema da rua dos Clérigos é que ninguém pode notar que és cá do burgo e percebes mais do que português. Em 5 minutos despachei uns italianos com uns ciao e uns a sinistra, uns espanhóis com uns olás e uns sí, por supuesto e uns franceses com uns descendre, tourner à gauche e, de repente, caiu-me na sopa um japonês. Oh caraças! Aqui não passo mesmo do arigato. A Torre dos Clérigos nem a 20 metros em toda a sua glória. E perguntem-me lá o que queria o japonês? Pois queria a Torre. Aquela logo ali, mesmo em frente ao nariz e à máquina de filmar. Pensei que estava a gozar comigo. Juro que pensei. E como não sei japonês, apontei. O japonês ficou roxo de vergonha e riu muito amarelo. E saiu-se com um tiny. Pequena o caracinhas, oh minorca! Que estavas à espera? A Burj Dubai em estilo barroco? Acabou a conversa! Saquei dos fones, dos óculos escuros e meti a primeira. Ao chegar à Praça, dois autocarros descarregavam mais não sei quantas alminhas chefiadas por senhoras de guarda-sol. Rais-ma-parta! Parecem formigas, com os mapinhas, os chapeuzinhos, as máquinas fotográficas e o ar perdido. Costumava ser uma baixa tão sossegada para ir dar à perna ao sábado de manhã!… Bem, pelo menos trouxe os éclairs e o americano não ficou atracado na Torre a servir de ninho para os pombos.

2013-11-21

Pepsi e outras tretas


Eu não sei quem é o António Pinto. Sei que, certamente, deve ter-se sentido muito ofendido com a Pepsi e com os suecos por se atreverem a transformar um boneco numa espécie de fac-símile do Ronaldo antes do jogo da Selecção. Também não gostei da brincadeira e achei imensa piada a algumas das imagens de resposta, como aquela da latinha que, em lugar de esmagar a cabeça do boneco, passou a servir de almofada para o boneco apanhar banhos de sol no Rio de Janeiro. Mas esta não! Esta nunca! Choca-me demais que se pegue com leviandade no brutal acidente de comboio de Santiago de Compostela para fazer uma piada só porque estamos muito ofendidos com a Pepsi. Não terão os galegos todo o direito de estarem neste momento profundamente ofendidos com os portugueses? É que há mesmo coisas com que não se brinca.

2013-11-09

Avaliação das escolas

«Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar.»

Esopo

Quando a média da melhor escola - privada, como não se cansam de repetir até à exaustão e como se a população que a frequenta fosse exactamente igual à que frequenta a maioria das escolas públicas - não chega sequer ao bom, alguma coisa está mal no ensino. Muito mal. Talvez os critérios com que avaliam estas coisas. É que pelo lado dos alunos e dos professores parecem ter já experimentado tudo e mais um par de botas e já não me parece que se possa ir por aí.

2013-11-07

(...)



«We must not let the doomsayers and the naysayers cause us to lose our faith
Because without love and without hope there can be no future…»

2013-11-04

Memória curta

«O Presidente da República disse que "os partidos têm que se habituar a trabalhar em conjunto", num forte apelo ao entendimento entre a maioria governativa e o PS.»

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Mas será que já se esqueceu do que disse no discurso de tomada de posse?

Desilusão



Tired of America by Rufus Wainwright on Grooveshark

2013-11-02

Ontem



Cheguei atrasada, mas vi o suficiente para gostar. Tantas vezes parecem uma coisa e depois não se seguram em palco, que tem dias em que já vou a medo...

2013-11-01

Dia de Finados

«Do lado esquerdo carrego meus mortos.
Por isso caminho um pouco de banda.»

Carlos Drummond de Andrade 


Observo do meu canto o ir e vir. Observo o não chocar. A passagem dos corpos por entre outros corpos, como se passassem antes por entre pingos de chuva. Rostos fechados. Olhos assustados. E, nos braços, intermináveis ramos de gerberas, para pintar de cor e lágrimas os cemitérios.

2013-10-31

Cover - "This is Halloween"





Este é um dos filmes do Burton que mais gosto. E está de acordo com o dia. E quanto ao MM, acho que vive num eterno dia de finados :)

2013-10-29

Cover - "The Man Who Sold The World"





Parece que até hoje Bowie não acha grande piada por lhe darem os parabéns por ter feito uma versão de uma música dos Nirvana :))

Cover - "Planet Earth"





E que tal uma banda de metal portuguesa a tocar Duran Duran?

Cover - "Lullaby"





OK, por mais que goste do barítono do Tom Smith, ninguém ganha ao Robert Smith. Mas está uma boa tentativa...

Cover - "My City of Ruins"




Cada um tem o "boss" que quer...

Cover - "Summer Wine"





Olha, Alien, só por tua causa o Villizinho vem para aqui outra vez :))

Cover - "Nothing Compares 2 U"





Durante muitos anos, pensei que era "apenas" um original do Prince. Afinal, o Prince também fez um cover da versão que escreveu para os The Family.

Cover - "The House Of The Rising Sun"





Sugestão da Deep.

Cover - "Magnolia"





Sugestão da Deep.

2013-10-28

RIP



«Sem Lou Reed não existiria David Bowie tal como o conhecemos. Eu? Seria provavelmente um professor de Matemática.»

Lloyd Cole

2013-10-26

(...)

Estou viva, eu juro!


Editors


"Evangelista" e Carla Bozulich a cantar no meio da assistência.


Chelsea Wolfe



Kim Gordon

Tem sido é um mês de loucos! (e ainda não acabou...) Como algumas coisas têm prova visual, deixo-vos a abertura do concerto dos Editors no dia 15 no Coliseu do Porto, os Evangelista da Carla Bozulich (grande concerto e grande mulherão, apesar do metro e meio!) no dia 19, Chelsea Wolfe (banho de água fria depois de todas as espectativas) e Kim Gordon, ex-Sonic Youth (que me partiu toda, mesmo sem perceber como ficou ela inteira) no dia 20, as três no Amplifest'13.

2013-10-11

Não acho justo, pá!

«Sequestrador de Cleveland terá morrido por "asfixia erótica"»

JN - 11/10/2013

Então vai-se a ver e o sacana do cabrãzinho foi-se a vir-se?

Os gregos


«A Greek court sentenced a former defense minister and socialist party heavyweight to 20 years in jail on Monday for money laundering and for collecting kickbacks of tens of millions of euros, in one of the most high-profile corruption cases in the country's modern history. Akis Tsochatzopoulos, 74 years old, was given a maximum sentence for accepting and hiding some €55 million ($74.6 million) in bribes from a series of arms deals dating back to the 1990s.»

Wall Street Journal - 08/10/2013

Cada vez que nos tentam comparar com os gregos, é para dizer como somos bem melhores. Pois os gregos pelo menos parecem saber prender os grandes mafiosos que há anos se escondem ou em cargos políticos ou nas amizades e compadrios ai criados para assaltar o País e deixar sempre os mesmos a sustentar toda a comandita. Já agora, parece que na Alemanha também já puseram a ver o sol aos quadradinhos os gajos do ruinoso negócio dos submarinos. E em Portugal? Há sequer investigação?

2013-10-08

Cover - "Big in Japan"

Acho que nem deve ser a mesma música... :)

Cover - "Hallelujah"

Acho que não é preciso explicar...

Covers - "Hurt"

Original dos Nine Inch Nails e a cover de Johnny Cash que morreu pouco depois.

Covers - "See of Love"

Resolvi fazer uma série de posts sobre temas de que gosto mais das covers do que dos originais. O post está aberto a sugestões, assim quase como antigamente fazia com os desafios. Não sei é se ainda tenho leitores suficientes para desafiar alguém :)

2013-10-07

Haja paciência!

Monkey Gone to Heaven by The Pixies on Grooveshark

Eu, que não tenho sequer pachorra para mim, que chego ao fim do dia nos fumos da paciência, às vezes ainda preciso aparelhar um sorriso amarelo e ficar a ouvir argumentos estapafúrdios atrás de argumentos imbecis, com a certeza absoluta de que umas palmadas em alguns adultos faziam milagres. Nem sei como ainda sou tão pacifista!...

A irrealidade de um ideal

O Primeiro Canto by Dulce Pontes on Grooveshark

Pátria é uma palavra que podemos dizer
sem que a maioria do povo a reconheça
Ela não pertence ao léxico das palavras comuns
e se os políticos a referem é quase sempre com a violência
de uma retorica vã
Mas seja qual for a forma e substância dos seus símbolos
bronze ou pedra bandeira chama música ou palavra
nós sabemos que ela está viva e vitoriosa
sobre todos os obstáculos e desastres
grávida de um futuro de comum liberdade

Se a pátria é uma herança ela é também o espaço que está à nossa frente
em que temos de projectar as suas dinâmicas linhas
em que vibrará o ritmo do nosso sangue e da nossa respiração
porque ela será a realidade do que em nós é a irrealidade do nosso ideal

António Ramos Rosa - Pátria é uma palavra que podemos dizer

2013-09-29

Dos votos


Quase quatro décadas de democracia e os tecnocratas da treta saíram dos cueiros e os ex-fedelhos da vida fácil puseram-se à frente deste naufrágio anunciado. As eleições agora são espectáculo; as guerrilhas políticas fedem; o debate nunca traz nada de novo e é normalmente ganho pelo melhor artista. O povinho continuará tramado e a pagar a factura como de costume. E eu, rais’ma’parta!, fui outra vez ao voto útil, ao voto contra, ao voto de protesto. Mas a verdade é que há demasiados anos que só voto contra. Pelo menos não sou eleitora de sofá, que reclama apenas sem se dar ao trabalho de intervir no sistema. Mesmo quando fica - e tem ficado demasiadas vezes - o gosto amargo e a sensação de que o meu voto serve para rigorosamente nada.

Rui Costa



"sta arrivando rui costa"

Dos canecos


A ver se Ti Cavaco reserva os mesmos elogios para o campeão do mundo de ciclismo Rui Costa que teceu à vitória de João Sousa (sem desprimor do tenista, que merece todos os parabéns) no Open de Kuala Lumpur. É que não lhe ouvi palavra sobre, por exemplo, o facto do canoísta Samuel Amorim ter-se sagrado campeão do mundo de sub-23 ainda a semana passada...

2013-09-25

Ups!



- A minha filha quer ir aí ao Porto ver um concerto no Dragão... 
- OK. Manda a miúda. Qual é a banda? 
- One Direction... 
- Acho melhor vires também, que sou mesmo muito tua amiga, mas já estou em contra-mão.

(...)

Back Broke by The Swell Season on Grooveshark

2013-09-23

Mercados



E naquele que era para ser o dia D, Portugal deu um passinho em frente para o dia F: de fracasso, falhanço, fiasco, fodidos!



(btw, nunca percebi porque nunca se usam vogais nestas coisas)

RIP




Não sei se respondo ou se pergunto. 
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio. 

Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra. 
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho. 
De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante. 
A minha tristeza é a da sede e a da chama. 
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio. 
O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono. 
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente. 
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim. 
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido. 
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença. 
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível. 
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra. 

António Ramos Rosa - Uma Voz na Pedra

Nem todas são ridículas



Queria escrever uma carta de amor que nunca se perdesse nos arquivos e que nunca chegasse a ganhar pó. Queria fazer uma canção, talvez em lá maior, nada muito complicado, mas que trauteássemos para sempre. Queria que tivéssemos uma canção com um refrão incontornável e insidioso, impossível de deixar de trautear.

2013-09-22

Velhos amigos

Goodbye to Old Friends by Stuart A. Staples on Grooveshark

«I say goodbye to so many old friends
Here I left them to the wind
And there ain't much point in chasing
The things you can never get back again»

Mas depois também há dias em que se volta a dizer olá...

2013-09-21

Campanha eleitoral


«quanto mais a desmotivação política cresce, mais a cena política se assemelha a um strip-tease de boas intenções.» 

Gilles Lipovetsky

2013-09-15

Claustrofobia

People Keep Comin' Around by Tindersticks on Grooveshark

You keep turning 
You keep running away

Há algo de profundamente claustrofóbico quando nos sentimos meros elos nas cadeias de alucinações de outros.

2013-09-13

Círculo

Damaris by Patrick Wolf on Grooveshark

Soletro um lamento 
E deixo cair 
As palavras tristes 
E recomeço 
No limite da linha 
Em traço 
Com palavras novas 
Os poemas 
Que não sei fazer

Armistice by Patrick Wolf on Grooveshark

Hábito

 fonte

Durante muitos anos não estive de bem o suficiente comigo para me sentir livre para o jogo lúdico do olhar, ou de qualquer outra forma de sedução só pelo prazer de seduzir. Hoje é só um caso de estar demasiado cansada para qualquer esforço extraordinário.

2013-09-12

Cãs

 fonte

Tenho um batalhão de brancas a bater continência às rugas que se perfilam para a inspecção das cãs. E afinal já não é hoje que lhe mudo o uniforme...

2013-09-10

Discos Pedidos


Às tantas, é mais um disco "perdido" que aterrou aqui na Voz e pediu para divulgar um blogue sobre como se enfrenta a crise de carteira vazia. Passem por lá.

2013-09-05

Pronomes

 fonte


É verdade: temos um País com um problema de interpretação de pronomes e até precisa ir esclarecer o assunto ao TC. Deve ser do novo acordo ortográfico...

2013-09-04

(In)conveniências

Quem recordará como foi
Duvido que ainda haja alguém de pé

Trovante - Beirute

E enrezina-me por dentro esta ideia de que todas as guerras e todas as intervenções internacionais são um nadinha diferentes em função não das vítimas mas dos seus supostos salvadores. E que o sol não vai nascer para os corpos que ninguém quer contabilizar hoje na Síria como antes não foram realmente contados no Sudão, ou em Beirute, ou em Timor, ou em Burma, ou no Kosovo, ou na Tchetchenia, ou no Ruanda ou na Ex-Jusgoslávia ou... E que, quando mais esta passar e mais uns poucos encherem os bolsos e muitos encherem as covas escavadas a sete palmos, então, mais uma vez, ninguém recordará como foi e tudo voltará a ser o que cedo foi esquecido pelos caminhos mal trilhados da história que só se ri para os vencedores.

Alternativas...

Pau de dois bicos

This Mess We're In by PJ Harvey & Thom York on Grooveshark

A verdade é que, se não esqueço o Iraque de quem todos falam, estou farta de me lembrar dos Balcãs que todos já parece terem esquecido.

2013-09-03

Remendos

 fonte

Uma das coisas que os anos nos ensinam é que não precisamos chegar sem remendo a qualquer lado. E que vamos acabar sempre remendados de alguma forma. Mas, no fim, a vitória é, quase sempre, conseguir chegar com os pespontos ainda no sítio.

2013-09-02