2006-03-28

As palavras não morrem!



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As palavras bailam sempre. Dançam uma melodia inventada em acordes dissonantes. Vivem. Escoam-se na afinação, redefinem-se na própria música. Bailam palavras, são nosso útero. Ou cordão umbilical tecnológico onde prendemos umas quantas de horas que se transformam em romaria. Uma romaria de festa e de palavras. Palavras amestradas ou agrestes, doces ou iradas. Palavras bailarinas, dançando em frente a um écran. São também armas de arremesso ou de defesa e ironias de pacotilha, estilhaçadas, sem desígnios novos ou resignadas. Palavras ainda. Palavras e mais palavras. À espera. Palavras suspensas, humanismo circense engalanado. São cordas, lianas, grilhetas. São cones de vulcão ou simples lagos. São mar, onda, deserto, fogo. São caminho. Destino às vezes. Pontes suspensas prenhes de simbolismo. São vertigem, fundo negro, luz além. Palavras em confessionário asséptico e vazio, teia ressequida de desencontros. Palavras-ponte. Palavras nossas. Vivas. A precisarem de rumo.

Segurem-lhe as palavras!

8 comentários:

Bastet disse...

São tudo isso mas também por isso eu acho que morrem. Um beijo.

Hipatia disse...

Não! Silenciam-se apenas. Acolitam-se. Ganham força. E reaparecem prenhes de vida :)

MRF disse...

Assunto: Escritor Famoso/Actos de Cinema

Hipátia, depois de (re)ler o teu fantástico texto, chego à conclusão que ele não obedece à proposta desta V Edição. Por isso, ele não entrará no Concurso. Mas, como em todos os festivais, existe uma programação paralela, e ele vai integrar - e inaugurar - o Ciclo "Grandes Homenagens". Começar com Chaplin é um luxo!

Muito obrigada. e por favor atira-te agora a "um acto de cinema" !

Amanhã posso postar o teu texto no Divas?

beijo

Hipatia disse...

Duvido que dê para ser amanhã. Mas vou tentar. De qualquer forma, a ver se arranjo qualquer coisa até ao sexta-feira que, depois, vou de férias.

Não há crise não ir a concurso. Sabes bem que escrevo bem mais pelo mote do que pelo motivo :)

M. disse...

Incrível esse "pequeno gigante", conjundo ou a solo, mas tão cheio de significação... não é? E força...

Sabes, tenho uma amiga que diz que sem escrever não vive, que escolheu amar as palavras...mesmo que elas não retribuam.

São uma porta aberta para a alma de quem escreve, mas um elevado e indiscritivel sentir, para quem as sabe ler, mas sobretudo...sentir com a alma.
Uma promessa verbal...

Beijos, parabéns e feliz aniversário à mana :)

(bebe uma por mim, que eu não estou muito no espirito de festas...)

Vivam as palavras, vivam quem as sabe escrever de maneira a ressoarem coisas boas e textos assim, que se sentem do principio ao fim...

Hasta...
M.

maria_arvore disse...

As palavras não morrerão mas como se alimentam da água que nós somos, podem definhar muito quando sofremos os efeitos da seca.
É por isso que devemos beber água em todas as fontes. :)))

Hipatia disse...

M, as palavras são sempre o que quisermos fazer com elas. Dependem da nossa vontade, até quando descodificamos a vontade dos outros. Mas, pelo menos no meu caso, são uma das poucas formas que conheço para dar ordem ao meu caos, sem ser devorada por ele. Há dias em que são tristes e feias; noutros dias, vestem-se de alegria e beleza. E, num mundo que não controlo por mais que me esforce, são sempre o pouco que detenho e dão-me uma miragem de poder. Mesmo mudas. Ou até quando estão mudas. É que basta um sopro e hei-las, de novo bailarinas, cheias de vida :)

Obrigada :)

Hipatia disse...

Às vezes, correm também o risco de se afogarem, Maria Árvore. Só que aparece sempre alguém que as resgata, devolvendo-lhes o brilho e a vida. Já viste como andam tantas palavras esquecidas neste mundo de siglas, k's e x's? Talvez por isso me faça tanta espécie ver a ameaça de encerramento de um blogue onde as palavras se multiplicavam :/