2012-02-26

Tradição



E eis que o eterno "campeão de inverno" se arrisca mais um ano a ficar sem o caneco.

2012-02-24

sms



Gostas de amar corpos cansados, como eu gosto de amar corpos cansados. Mas não podemos permitir a aventura do cansaço a dois. Não hoje. Não neste tempo em que já não sabemos viver, correndo por entre os tantos de quilómetros que nos separam e a vida que nos quer separar e este já não saber como construir a espera, que estamos por demais habituados ao imediato. E o tempo resiste e aparta, como o espaço, e ninguém ainda descobriu a nossa equação do espaço-tempo. 

E ficamos presos ao tempo que tentamos deitar fora, enquanto agarramos esse mesmo tempo com bocas e corpos sôfregos. Sobra apenas uma mensagem escrita, perdida, finita, como bandeira luminosa da distância.

Coisas antigas

Untitled 1 by Spain on Grooveshark


(ou eu em passo acelerado para mais uma branca; ou mais um bocadinho de dores nas costas e no joelho; ou só mesmo a sentir-me envelhecida)

(...)

This Mess We're In (feat. Thom Yorke) by PJ Harvey on Grooveshark

2012-02-23

Qualquer dia



No Inverno bato o queixo 
Sem mantas na manhã fria 
No Inverno bato o queixo 
Qualquer dia 
Qualquer dia 

No Inverno aperto o cinto 
Enquanto o vento assobia ... 

No Inverno vou por lume 
Lenha verde não ardia ... 

No Inverno penso muito 
Oh que coisas eu já via ... 

No Inverno ganhei ódio 
E juro que o não queria ... 


Qualquer dia também já não há Voz em Fuga para a homenagem anual.

2012-02-22

Hugo



Uma pessoa vai ver o "Hugo" e passa meio filme a tentar identificar o Borat disfarçado de Captain Crabtree do "Allo Allo" e outra meia a tentar perceber porque é que a Dança Macabra está tão presente na banda sonora. É que os óculos do 3D chateiam e só achei que o dinheiro a mais se justificava numa cena. Tirando isso, o filme teria sido fantástico na "simplicidade" do 2D. E ainda era uma grande história, um belo filme e uma boa homenagem ao cinema (mas não ganha ao "Cinema Paraíso"!). Será que a mania do 3D não passa?

Dance Macabre by Camille Saint-Saens on Grooveshark

2012-02-19

Grafismos


Às vezes não há melhor que uma palavra graficamente explícita. Outras vezes, até isso é demais e basta só um gesto que resuma todas as grafias.

2012-02-08

"Por Toutatis!"



Se tens metro e meio, uma barriga da perna com duas vezes a circunferência da própria cabeça, por favor mantém-te longe das botinhas. Vale? A minha sanidade e algum, pouco, sobejante, sentido de estética agradecem.

2012-01-25

Mal dá para as despesas!

(recebida por mail; desconheço fonte)



Costuma dizer-se "mandem o gajo para a reforma". No caso só me apraz perguntar: porque é que não deixaram o gajo ficar lá?

2012-01-16

se não for da doença....



Comecei hoje a fisioterapia. Foda-se para o cabrão do fisioterapeuta, que deve ter torniquetes por mãos! E eu a contar com uma massagenzinha... Nah! Começou logo com choques eléctricos, que era para ficar bem preparada para o que vinha a seguir. E amanhã há mais. E depois de amanhã. E mais dezoito vezes ainda. Ai!!!

2012-01-11

A indiferença enferruja-nos


Cada vez mais atomizados e demitidos, duros e cínicos, calejados e secos. A olhar para o lado para não ver, a tentar seguir em frente sem olhar.

2012-01-02

Passagem do ano














Eu do branco da paz quero lá saber, do azul da sorte espero que se resuma à sorte que fazemos (assim como assim, passei a jogar um euro no milhões "em sociedade" com outros crentes que por acaso trabalham comigo) e o vermelho da paixão dispenso que, por agora, foder ainda é de graça. Vai daí, resolvi dar uma ajudinha ao meu ano novo e vestir uma cuequinha amarela. Afinal, é de dinheiros que andamos todos menos fartos. Agora, alguém imagina a trabalheira que me deu arranjar a dita cueca? Era com cada trambolho laçaroco ou rendinha coçada que nem dava para acreditar! Mas arranjei. Oh se não arranjei! Afinal, a barriga manda a perna e em tempos de crise cada um pede o que mais precisa.

2011-12-24

2011-12-19

Rais'parta!











Sabem aqueles pneusinhos que me custaram os olhos da cara há um par de semanas? Hoje furei um :(

2011-12-14

O Pai Natal esqueceu-se da bateria...



... mas já lá foi pôr a casa outra coisa. Não para mim. Para a vovó. Mas a família está toda pelo beicinho. Não é linda? :)

2011-12-13

Meus queridos



Há na minha memória beijos embrulhados em abraços, que são os mais vivos que encontro nos meus arquivos de carinho. Beijos especiais que, assim enovelados no amplexo de braços queridos, plantaram sempre aconchego e calor de ninho. Foram sempre beijos de "chegada a casa". Beijos completos pela proximidade de corpos prontos para se darem por inteiro. Beijos que ainda sinto, com a saudade com que recordamos a completude. E é em alturas como estas do ano, com o frio a fazer-me eremita no calor da casa e por entre as luzes, os cheiros e os sons que nos anunciam o Natal, que mais saudades tenho de alguns abraços, alguns beijos, algumas distantes e perdidas "chegadas a casa". Vou então aos arquivos da memória, sabendo-os lá, porque meus, porque nunca esquecidos; e fico mais quente assim, eu aqui, a olhar a chuva, a enroscar-me no meu ninho com os meus fantasmas por companhia.

Eu tinha que ter tido uma bateria!



Oh Pai Natal, afinal...

2011-12-05

Agnes Obel

Carta ao Pai Natal



Querido Pai Natal,

Vai à merda!

Maria Hipatia Ludovina da Silva, uma menina sempre bem comportada (e à beira da falência, depois da revisão do carro, do IUC, do seguro, da inspecção e dos pneus)

2011-11-15

Calimera


Estou doente. Sem voz outra vez. Dói-me a garganta. Parece que um tractor me passou por cima. Estou tão infeliz!!!

2011-11-09

Humm...



 «Rise up and take the power back/ it's time that the fat cats had a heart attack» 

Um dia destes? É isto, Manel?

2011-11-08

Em casa onde não há pão...

«Les hommes n'acceptent le changement que dans la nécessité et ils ne voient la nécessité que dans la crise» 

Jean Monnet

A crise na Europa apresenta-se como a crise de sempre: quando a fartura se esvai, o mito e o desígnio sonhado da supra-cidadania são subjugados a ditames e medos velhos, rivalidades comezinhas, tudo envolvido numa bela imagem economicista e legalista e liberal. Mas um dia destes fica provado que os alicerces são tudo menos sólidos quando falta a lente de aumento da bonança. E tenho medo que ainda seja só o princípio e que quem anda a puxar os cordelinhos desta merda toda ainda não tenha percebido que a necessidade vai sair à rua, porque há um limite de tolerância para todos os sacrifícios.

2011-11-03

Zé Povinha



Tenho encargos e, à conta delas, acabo prostituída ao horário fixo e aos desmandos de uns quantos. Era fácil ter ideais antes de ter contas para pagar. Agora resigno-me, como todos, agrilhoada à necessidade de garantir o vil (e escasso) metal que me paga a casa, põe comida na mesa, luz, água, gás, televisão, internet, gasolina e todas as tretas onde, por mais que tente, parece sempre impossível poupar. Conformada? Nunca! Mas manietada sim. Porque há coisas que não me posso dar ao luxo, infelizmente, por mais que - tantas vezes, em tantos dias - me apeteça mandar tudo para trás das costas, mandar uns quantos para o caralho e fazer de conta que sou livre. E é por isso que ranjo os dentes, escrevo um post e, amanhã, bem cedo, estarei a bulir outra vez, à espera que a semana passe depressa e que, no fim do mês, continue a chegar algum. Sinto-me uma marioneta e há muito que já nem distingo os bonecreiros. São já quase uma entidade abstracta, que me levam cada vez mais e mais dinheiro e nem adianta culpar um apenas (o Estado, o Banco...) que aparece logo outro para me tentar enrabar mais um bocadinho.

2011-10-31

"Okupa" qualquer coisa

Cada vez percebo menos os "brandos costumes" e me pergunto até quando para aparecer alguém que "ocupe" alguma coisa por cá. Sei lá... que tal a AEP ali para os lados de Santa Maria da Feira?

2011-10-30

Social-Democracia

aqui


Três décadas depois, estando o homem há muito convertido em mito, não deixa ainda assim de ser evidente o longe que estamos dos tempos e dos valores fundadores. Ninguém sabe o que se teria passado se tivesse tido mais do que os magros 11 meses em que esteve à frente do Governo; ou sequer o que teria acontecido após a derrota do seu candidato à Presidência da República. Mas isso pouco importa quando se trata de mitos e pais fundadores. Só seria de esperar hoje que tantos que se reclamam seus herdeiros dignificassem a figura com atitudes menos patéticas e projectos menos vazios e decisões virulentamente anti-sociais. Sá Carneiro terá sido muita coisa. Mas nunca foi pateta. Nem vazio. Muito menos um liberal sem memória de onde, por entre ideias vagas e retóricas, se fundamentou sempre a social-democracia.


(quase um repost)

2011-10-25

Ah!

Blown away, blown away and waiting
Blown away and waiting on a fair wind
Sweeping through my window

Will you move me like you did once more?

Blown away, I'm blown away
Feeling everything, with you
Blown away, blown away and waiting
Blown away and waiting on...

I'm blown away, yet you're always with me still
You can say what you will now, but it's wrong
Is the love I give just a trinket to you?
Kept with all your playthings, and dreams that were new
Somewhere in a dream life that never comes true

If we can't dream it up again then what do we do?

2011-10-19

hmm...


Esperemos que aproveitem para estabelecer limites para essas subsvenções que funcionem realmente e que até o AJJ seja obrigado a pagar e que seja aplicada a medida com carácter geral e não só para as novas subvenções a atribuir. O mal está, muitas vezes, naquelas que já existem. Interessante ver que o Mira Amaral foi logo um dos primeiros a acusar o toque...

2011-10-11

Coisas que não percebo

???by Charles Chan


Mas é que não percebo mesmo! Não bastava arranjarem um mecanismo tipo o que se aplica às garantias - deixa de correr o tempo enquanto está em reparação o objecto garantido - e aplicá-lo às prescrições? Assim, cada vez que um advogado manhoso tentasse fazer dos recursos supérfluos os melhores amigos da defesa, o tempo para a prescrição estava parado até ao fim do ou dos ditos recursos. No fim do passo de lesma que é a justiça portuguesa, continuávamos a ter uma condenação ou uma absolvição, em lugar de crimes prescritos de que já ninguém pode ser culpado. Era, não era? E ficávamos todos contentes - menos os mafiosos e os caloteiros e alguns advogados habituados a engonhar - garantindo-se uma justiça com direito a recursos, mas sem os filmes do costume.

2011-10-07

Ah e tal, a República, bla, bla, bla...



Gostava tanto de me sentir realmente patroa daquela gente que senta o cu no Parlamento e, munida de avaliação por objectivos, análises de produtividade, gráficos de absentismo, etc, etc, etc, ter o real poder (para além das várias tentativas inócuas com quatro anos de permeio) para lhes terminar a mama - perdão! o emprego - por cauda mais que justa. Não acham que, há muito, a maioria já provou a sua incapacidade para se adaptar ao posto de trabalho? É que, olhando para os resultados do desempenho e as contas finais do exercício, diria que já nem são precisas mais provas. Só faltava mesmo era eu conseguir despedir a cambada sem a suspeita mesquinha de que apareceria logo cambada igual.

2011-10-06

Steve Jobs


Eu ainda me lembro do tempo em que os computadores não tinham nem rato nem reciclagem. Depois apareceu o Mac...

2011-10-02

Grande Peter Murphy!




As fotos são da mana. Eu limitei-me a curtir o som e o homem. (E a dar cabo do joelho mais um bocadinho, mas isso agora não interessa nada)

Foi um concerto do caralho! 

2011-09-30

Le bouc émissaire

.
«O autarca de Oeiras passou a noite na prisão. Isaltino Morais foi detido ontem à noite para cumprir os dois anos a que foi condenado num caso de fraude fiscal e branqueamento de capitais, que remonta a 2005.»

Pena que não sejam apanhados todos os Isaltinos deste País. Talvez nem fosse preciso a Troika. Mas, sabendo-se quantos e quantos estão impunes, pergunto-me até que ponto Isaltino Morais não passa - mesmo provado criminoso - a ser apenas uma espécie do proverbial bode expiatório de todas as manigâncias, cumplicidades e prostituição entre os poderes económicos e políticos, quer à escala local, quer à escala nacional.

2011-09-23

Pegada

Intacta memória - se eu chamasse
Uma por uma as coisas que adorei
Talvez que a minha vida regressasse
Vencida pelo amor com que a lembrei.


Sophia de Mello Breyner


Se uma vida for passada num total isolamento, se não houver quem lhe tenha visto os pormenores, os bons e os maus, se nada sobrar na memória dos outros, então essa vida foi esgotada, apagada e nada sobra depois.

Se, pelo contrário, por actos, por presenças, por carinhos, por memórias, uma vida ganhar espaço na história de outro, nem que seja de forma leve, fugidia, então há uma memória que não se perde, há uma ínfima possibilidade de eternidade, recontada em tom de história pelas palavras de outros que a conheceram, reconheceram, fizeram sua.

A perenidade da memória - dos outros na nossa memória; nossa na memória dos outros - é a única garantia que temos contra o vazio do esquecimento e o fim definitivo de uma vida, por mais breve que tenha sido. É a única possibilidade de eternidade.


Into the mercy seat I climb



E Troy Davis foi executado, por entre suspeitas de inocência e os resíduos grotescos do barbarismo das políticas e práticas que rodeiam as sentenças à morte nos E.U.A.

2011-09-22

Até sempre, Mestre


Por motivos profissionais, conheço bem o caminho para O Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende. E tive o grande, grande prazer de conhecer o pintor. Ficou a obra, é certo, mas sempre pensei que ficaria connosco mais uns tempos, ainda que lhe soubesse a idade e a fragilidade. E lamento tanto a partida!

2011-09-21

Waltz # 2 - XO


I'm here today, expect it to stay on, and on, and on 
I'm tired, I'm tired 
Looking out on the substitute scene 
Still going strong 
XO Mom 
It's OK, it's alright, nothing's wrong 
Tell Mr. Man with impossible plans 
To just leave me alone 
In the place where I make no mistakes 
In the place where I have what it takes

2011-09-18

Mais do mesmo



O povo trabalha, pois então. Que mais há-de fazer o povo? O povo que vê as anedotas das reformas dos outros, que vê as cunhas em debandada, sem rédeas. O povo que paga os aumentos de gasolina ou suporta os aumentos do pão. O povo que resiste, resiste e vai levando, continuando a tentar não cair. Vai gemendo. Geme cada vez mais este povo. Um povo a que impõem os fardos, mas não se lembram de dar migalha, só sermão. 

Vai gemendo, povo, enquanto trabalhas. Sol a sol, que ainda há disso. Mais as horas que passas no trânsito, povo, a remoer o que não tens. Tu povo, que sustentas o país. E se não tens como te sustentar, povo, cada vez mais pobre e sem quinhão da fartura das elites, como sustentarás todos os outros, os comedores, os arrivistas, os Jardins? 

Resiste, povo. Mais não te sobra. Geme e resiste.

2011-09-15

Quebranto



Costumava cirandar com frequência e dar à língua, usando as teclas. Também era costume ter tempo para fazer essas coisas, antes de até as palavras se tolherem de fadiga. E costumava haver uma vontade imensa de lutar contra o cansaço. Acho que sabem quem está aqui em cima. Acho que já me devem ter visto por aqui algumas vezes e também era costume verem-me por outros sítios. Sou o boneco verde de pantufas roxas, com uma joaninha pendurada na peruca e uma chávena de café sempre cheia para segurar os dias. Às vezes ponho maquilhagem ou tomo vitaminas: nuns dias resulta; noutros não. Ultimamente, o café não tem feito efeito e as vitaminas acabaram. Ultimamente, a pintura tem estado sempre borrada. Ultimamente, aliás, acho que já nem me pinto, de tão enfastiada com que começo cada dia. Estou, decididamente, a precisar de ir arejar a joaninha!

2011-09-13

E a dar um passo em frente, não?

aqui

«“O diagnóstico tem de ser severo, rigoroso e deve ter o grau de alarme e emergência que a situação exige. Estamos à beira do precipício”, afirmou. “Por que não dizer que estamos à beira do precipício? Ou é preciso saltar para o precipício para reagir?”, lançou Felipe Gonzalez.»
Fonte

2011-09-01

BSO


Alguns filmes para adolescentes - estou a lembrar-me, por exemplo, da série dos vampiros "Twilight" - têm-me surpreendido. Não pelos filmes, claro, mas pelas bandas sonoras. Acima está mais um exemplo de uma coisinha chamada "Beastly". O filme não tem muito que se lhe diga, mas as escolhas musicais que o acompanham são... interessantes.



(mas agora que já cheguei à idade "cougar", aquele loirinho bem que marchava, lol)

2011-08-26



Touch me t-touch me baby
But don't mess up my hair



Pois há.

(uma fauna que não entendo)

2011-08-22

Derrocada

aqui

Um norueguês psicopata que acredita demais em ideias reaccionárias e xenófobas e mata crianças sem culpa nem arrependimento; jovens ingleses que já não acreditam em nada e por isso tudo violam e incendeiam; populações migrantes deixadas a morrer no meio do mar que nunca como antes separa; comunidades imigradas que recusam o caminho da integração, refugiando-se em guetos por escolha e por força. Fundamentalismo. Extremismo. Niilismo. O Estado Social em retirada. A crise, também, a enredar tudo e todos e a expor indecentemente a fragilidade dos líderes. E o medo. Muito medo.

2011-08-21

Os bigodes estão tão demodé!


Paulo Rodrigues, ASPP/PSP


Era Cavaco Primeiro Ministro (1989) e mandou polícias socarem polícias que queriam apenas o direito que assiste a todos nós de ter um sindicalismo organizado e reconhecido. Não sei se ser uma organização tão recente tem alguma coisa a ver com o caso, mas agora quando o sindicalismo das forças de segurança vai à TV eu fico sempre a pensar que é uma pena não haver mais assim. Penso na presidência do meu sindicato e encolho-me quase de vergonha da aparência com que se apresentam e quando penso nos comentários néscios com que volta e meia nos brindam, evidentemente a léguas da realidade profissional dos trabalhadores que juram defender. E o meu sindicato não costuma aparecer nem nos jornais nem na TV. Depois penso nos que aparecem - com o bigodinhos da FENPROF à cabeça - e acho que os professores estão bem piores do que eu, depois de tanta bojarda em horário nobre para agora se sujeitarem a ter os gajos no topo da carreira sem avaliação e todos os outros a lutarem pelo que resta, sendo avaliados só porque tiveram o azar de nascer depois e sem qualquer garantia de justiça numa avaliação parcial necessariamente inquinada. Para já não falar no fim da avaliação antes das eleições e na forma como voltou em passo de corrida mal a oposição passou a não o ser. E penso que, pelo menos, deviam ter bom aspecto. Basta comparar as figurinhas. É que a "pantalha" não se compadece com as múmias, pois não?.


Mário Nogueira, FENPROF

2011-08-17

Crise

aqui

Quando estava a escrever a minha tese, pensei que seria a sustentabilidade a dar um impulso em direcção ao futuro, que a ideia de um bem global e comum talvez desmantelasse pouco a pouco os velhos conflitos e as velhas lógicas do lucro, deitando fora os velhos conceitos operativo-ideológicos e começando tudo de novo. Olhando hoje para trás, não sei se ainda acredito. Sei que as ideologias estão velhas e gastas. Que o capitalismo sem açaimos teima em provar Marx correcto, engalanando as suas deficiências e os genes da sua auto-destruição. Mas também sei que ninguém parece saber como ou sequer querer livrar-se das velhas formas de fazer. E a crise vai longa e dura, prometendo piorar; e as mudanças são assustadoramente lentas, deixando que, nos intervalos dessa lentidão, todas as catástrofes sejam possíveis por entre os estertores do velho sistema, gasto e falido. Já só parece sobrar sobreviver e esperar que do caos de hoje saiam as ideias novas para reconstruir um mundo que se prove mais sustentável, mas também mais solidário e, se possível, sem as derrapagens ideológicas para os velhos "ismos" do costume (nacionalismo, fundamentalismo, racismo...) e as suas prováveis e mais do que evidentes consequências nefastas. É que tem sido nos períodos de crise mais exacerbada que têm surgido os piores "gaiteiros de Hamelin".

2011-08-16

Hmm...

aqui

Um quarteirão de filmes depois, que mais haverá a dizer?



(O 3D faz-me dores de cabeça; a voz do Matthew MacFadyen... bem! talvez me faça perder a cabeça, mas não chega para a estopada, pois não?)

2011-08-12

Este ano o Inverno ainda vai ser mais frio

«O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, anunciou hoje que a partir de Outubro o IVA sobre a electricidade e gás passa de 6% para 23%, antecipando uma das medidas de consolidação orçamental programadas para 2012.»
Fonte


Foda-se!

2011-08-08

Tantos que não chegaram a Lampedusa



J'assume les raisons qui nous poussent de changer tout,
J'aimerais qu'on oublie leur couleur pour qu'ils esperent
Beaucoup de sentiments de races qui font qu'ils desesperent
Je veux les deux mains ouvertes,
Des amis pour parler de leur peine, de leur joie
Pour qu'ils leur filent des infos qui ne divisent pas

2011-08-06

Os tugas

aqui

Eu já estava habituada àquele estranho hábito de baterem palmas quando um avião pousa na pista, mas nunca tinha visto baterem palmas no fim de um filme. Oh gente estranha!

Hiroshima




Durante muitos anos, este poster esteve no meu quarto, ao lado da minha cama. Durante muitos anos, eu acreditei que, sim, um dia, alguém havia de aprender diferente. Hoje, apenas acredito que Hiroshima ainda pesa nas memórias. Mas apenas isso.

2011-07-10

Independência. E agora?



A sombra da Eritreia no horizonte, as fronteiras em debate, o petróleo como chamariz dos interesses mais estranhos ao humanitarismo e a pobreza, como de costume. Foi dia nove que começou um futuro ainda tingido de demasiadas perguntas e demasiados medos e demasiados cenários.

2011-07-08

Está mal!

«If much of this is true, there were no qualms, and few limits, in the way the paper went after scoops.»

The phone-hacking scandal



Aqui não há desta pouca vergonha nem tanta sofisticação no acesso aos dados confidenciais: basta constituírem-se assistentes no processo ou mandarem o Sr. Palma dar uma entrevista.

2011-07-07

Raios!

aqui

Não gosto que me mexam, não gosto que invadam o meu espaço, detesto que me melguem. E tenho de ir cortar o cabelo. Alguém quer ir por mim e levar a peruca (juba também ia bem...) só para uma aparadela?

2011-07-05

Nobre nome para fraco político

aqui


E do folhetim sobra a náusea. Que não haja dúvidas: Assunção Esteves é talvez o único rasgo de génio que vi em PPC. Ter andado de mão dada com esta anomalia que agora dá de frosques foi um desastre que lhe podia ter saído caro. Nada garante que não volte para o assombrar.

2011-07-01

E agora para algo que não interessa a ninguém



Recuperei a imagem que mais tempo esteve a pintalgar de fogachos de cor o fundo às vezes demasiado escuro do blogue. É que, ultimamente, estava - estranhamente! - demasiado "folclórico" para o meu gosto.

2011-06-30

Ufa!


Found at bee mp3 search engine


Silence is here again tonight

Pronto!



Amor com amor se paga! E já ali estão estes a bombar, que acho que não tenho nada mais barulhento. Mas se a gaja não se toca, a seguir vai apanhar com Diamanda Galas.

Ai a minha vida!

aqui

A minha vizinha descobriu a Rihanna. E pelos vistos gosta da Rihanna. Muito e muito alto. O problema é que a grandessíssima vaca está há mais de duas horas a pôr sempre a mesma música. Não há cu para isto, bolas!

2011-06-28

Dias assim...



Nem sempre os corpos guardam marca do tanto maltratados. A insónia, cíclica, teimosa, demolidora, deixa-me sempre a alma (e os humores) em ruínas.

Coisas assim...

.
«Todos os dias há pais, avós, filhos, irmãos, maridos e mulheres em salas de espera de hospitais à espera de milagres pelos seus. À espera de que a medicina salve quem à partida não deveria estar naquelas camas. Todos os dias há gente devastada pela perda, pela estupidez destas mortes que poderiam ter sido evitadas.»

Luna


... e então foi preciso escolher e desligar as máquinas. E eu fiquei sozinha. Dezassete anos depois, ainda tenho esta solidão por companhia. E a certeza da estupidez de uma - de todas - as mortes que podiam ter sido evitadas, especialmente as daqueles que foram vítimas da estupidez alheia. Vítimas as que partiram extemporaneamente de forma estúpida e evitável, mas vítimas também as que foram deixadas sozinhas em salas de espera com corações destroçados.

2011-06-26

Canções para a crise



Oh, it's a mystery to me
We have a greed with which we have agreed
And you think you have to want more than you need
Until you have it all you won't be free

Society, you're a crazy breed
Hope you're not lonely without me...

When you want more than you have
You think you need...
And when you think more than you want
Your thoughts begin to bleed
I think I need to find a bigger place
Because when you have more than you think
You need more space

Society, you're a crazy breed
Hope you're not lonely without me...
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me...

There's those thinking, more-or-less, less is more
But if less is more, how you keeping score?
Means for every point you make, your level drops
Kinda like you're starting from the top
You can't do that...

Society, you're a crazy breed
Hope you're not lonely without me...
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me...

Society, have mercy on me
Hope you're not angry if I disagree...
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me...

2011-06-17

Rotina


Dusanka Badovinac - Dispair


Desdenho este pouco tempo que me sobra, como se fosse farto em horas o dia que mal reconheço; como se não houvesse excesso e a sobra fosse miséria engalanada, assim quase como eu, a correr atrás do tempo e a tentar fazer de conta que o tempo e os quebrados chegam para tudo; como se bastasse aparafusar a cara gaiteira, a caminho de mais um par de rugas e as cãs que não desistem de avançar nesta amazónia de cabelos que me pesam hoje na cabeça que me pesa, quase a sentir-se vazia por entre a enxurrada de informações que não pedi, que nunca peço e o zelo com que as debitam para o meu ar incrédulo, um ouvido ali, outro na conversa da mesa do lado e os olhos que apenas espreitam e já não fixam o que se vai passando do outro lado da rua. Suplico por um pouco de silêncio e não há sequer ruído e fico para ali porque não me apetece apenas a minha companhia silenciosa. E ouço falar de traições e de dor e de desespero e penso apenas como o final do mês ainda está longe e o dinheiro está curto e hoje é 6ª feira e que a vida afinal vai encarreirar na lufa-lufa ordenada, esquizofrénica, sempre à espera do fim-de-semana e do fim do mês, enquanto um ouvido diz que sim se um olho diz que não e me falam de traições e de desespero e eu quero é o silêncio e no silêncio estou apenas eu e já nem sei desesperar enquanto olho lá para longe e me pergunto como estará a lua, como estarão as estrelas e se ainda sobra vontade de ir para a rua mondar os sonhos a ver se há espaço para ser semente de algum sentimento neste espaço vazio, pesado, ocupado apenas de rotina.


Um reposte demasiado actual. E vou de férias e pronto! Talvez na volta, como de costume, haja mais paciência para mim e para o mundo.

2011-06-13

Sinta quem lê




Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

Fernando Pessoa - Isto

2011-06-09

Apre!

aqui

Se soubessem o que me irrita as florzinhas de pano manhosas espetadas nas perucas!...