2007-08-09

IX.


aqui


Não há ponto de partida. Não há ponto de chegada. Só um infinito virado oito, deitado, dorminhoco, preguiçando para além de qualquer verbo, desembaraçado de todo o apocalipse.

Linhas paralelas que se anulam mutuamente. E, no entanto, continuam lá. Existem fora da esfera da vontade, fora da zona de compromissos e dos contornos com que se amofina a rotina.

Linhas em espelho cego brilhante, sempre iguais. Rotas comprometidas com o desconhecimento, sem atritos, sem fricções. Sem sombras, sem fazerem qualquer sombra. Completamente incapazes de sombrearem a presença na ladeira comum.

Flores minhas...


aqui


As flores de estufa parecem-me sempre imperfeitas na sua beleza inteira.

Acho que gosto mesmo é das flores da beira da estrada, ou das que crescem selvagens pelos quintais, ou coladas aos muros e às paredes das casas. Flores onde a natureza se reproduz. Flores coloridas e perfumadas. Flores plenas.

2007-08-08

VIII.


aqui

Terá de existir um dia um acidente. Um acidente que reconheça que nada se faz com duas linhas paralelas, excepto continuar vê-las trilhar o seu rumo com destino a sítio nenhum.

Terá de haver um acidente, um erro, um quebrar de protocolos, de dogmas, de impossibilidades.

Terá de haver um dia um acidente e, após o desastre, já nada será linear.

Excepto talvez V. e F., ainda seguindo lado a lado, sem saberem que percorrem o mesmo caminho e sem imaginarem a intersecção.

Cansam-me cada vez mais estas paralelas sem encontro marcado com a curva onde a verdade se pode quebrar.

Joe Cocker - Summer in the City

É!

2007-08-07

VII.


aqui


Cansam-me os destinos paralelos. Cansam-me profundamente. Cansam-me de tão monolíticos, avessos a alternativas. Cansam-me na forma como se assumem "um", como o "um" passa a "único", como lhe colam um rápido "ismo" em contramão.

Cansa-me a cegueira; a incapacidade ou impossibilidade de verdade de um mundo perfeitamente ordenado no meio do seu paralelismo.

Cansa-me a mesma música, tocada da mesma forma, uma oitava abaixo ou acima e sempre com a mesma dissonância.

Cansa-me...

Só dez?


Magnolia, Paul Thomas Anderson, 1999



Edward Scissorhands, Tim Burton, 1990



City Lights, Charles Chaplin, 1931



Notorious, Afred Htchcock, 1946



All About Eve, Joseph L. Mankiewicz, 1950



Before Sunrise, Richard Linklater, 1995



Velvet Goldmine, Todd Haynes, 1998



Pleasantville, Gary Ross, 1998



The Constant Gardner, Fernando Meirelles, 2006



What's Eating Gilbert Grape, Lasse Hallström, 1993



Fui apanhada numa corrente que me pede Dez Filmes, Dez Cineastas. E cá vão eles (os primeiros que me lembrei, por isso devem estar bem) e amanhã logo vejo a quem passo isto :)


Passo a corrente à I., à Tuxa, à Fábula, ao Cap, à JP, ao Jorge, ao José, ao , ao Miguel e à Luna.

Enola Gay



Enola Gay, you should have stayed at home yesterday

2007-08-06

Can a man ever be too wet?


Ewan Macgregor

Se estava ali em baixo a cantar, porque não aqui mais acima a encantar?

Espremendo...


aqui

A Voz tem até ao momento 1176 entradas. Desafiada aqui há tempos pelo Gaivina (onde andará o passaroco?...) para escolher os que gosto realmente e aos quais dou (algum) valor, descubro que são pouco mais de 90. É uma percentagem assustadora!

VI.


aqui

V. e F. são comboios sem rota de colisão. São mapas indecifráveis feitos de hieróglifos sem Pedra de Roseta. Não há tradução da história de V. para a língua de F.; não há tradução da história de F. para a língua de V.

E também não é preciso. V. e F. desconhecem-se mutuamente. Não precisam inventar um lugar no seu real para o parelelismo desconhecido.

No entanto, V. e F. têm a mesma história. São as alternativas de um feitas rota no outro. Ou ao contrário. Porque V. e F. são dois destinos em tudo iguais. Nem bons, nem maus. Apenas dois destinos paralelos, incapazes de dizerem "bom dia" ao vizinho.

Será que só queremos conhecer o que julgamos existir?

2007-08-04

Can a man ever be too wet?


Christian Bale

Hmm...

Olha o balão!


aqui

Desculpem lá, mas se fosse para sentar o meu rabinho dentro de uma (possível) bomba, capaz de explodir na descolagem em directo para todas as televisões do Mundo, só mesmo com uma valente bebedeira.


2007-08-03

Can a man ever be too wet?



Acho que está na hora de animar o blogue. Ou pelo menos animar--me a mim, nesta contagem decrescente das férias que nunca mais chegam.


Estava a pensar num por dia. Escolho um loiro para começar. Hmm...





(
ficas muito chateada se aproveitar este para te dar os parabéns que ontem esqueci?)

V.


aqui


V. e F. não sabem ainda, mas o seu mundo está a encolher. Não a encolher o bastante para que possam, desta forma, conhecer-se. Mas a encolher, ainda assim.

Mas as paralelas não deixam de ser paralelas só porque o espaço que as desune se condensa em distâncias infinitesimais. O fosso continua lá, fundo, intransponível. E o fosso é também cortina de fumo e reposteiro de veludo escuro.

O mundo encolhe e, ainda assim, a partilha não desata os laços feitos pontes. É que não há pontes entre paralelas. Só nada feito espaço.

V. e F. são a improbabilidade, a impossibilidade matemática, o dogma intocável e irreversível feito palavra paralela.

2007-08-02

Meritocracia


aqui


Em Portugal, o mérito continua a esbarrar sempre no tamanho da cunha do gajo da frente. E o País é pequenino, até para as cunhas.

IV.


aqui


V. e F. são caminhos paralelos em momentos diferentes do espaço e do tempo. Não se encontram, não se medem, não concebem sequer o confronto improvável na simetria.

O velho não aprende com o novo. O novo não aprende com o velho. São caminhos paralelos distantes, que nem abeirando-se da balaustrada do destino conseguem surripiar uma miragem do outro.

V. e F. não se conhecem, nem conhecem sequer a possibilidade de se conhecerem.

V. e F. têm um caminho igual a trilhar, experiências feitas e sem sentido.

Que adianta saber o que se não pode partilhar?

2007-08-01

Plágio ou algo assim

Woven Hand - Sparrow Falls




Fiquei tão contente de ver o regresso!

III.


aqui


F. era destino cobiçado, capricho, onda de choque. Era rota vespertina imaginada pela manhã.

F. era trilho, sem muralhas nem prisões. Era o rio tumultuoso, em choque contra os pedaços do caminho.

F. era desígnio assolapado, conjuro de forças ancestrais. Era Astarte, era Ísis, a Lua, a Mãe Terra em combustão.

F. era fogo quente e velho, já borralho, sabedor. Era enciclopédia de oportunidades perdidas, dicionário de rotas novas.

F. era receptáculo, destino desprendido de acasos.

F. era fado já, cantando ainda um caminho.