2006-09-21

Fora de serviço


aqui

Coluna da esquerda – graças às trocas e baldrocas e aos silêncios e às desistências e aos fins e aos recomeços e ao caracinhas… – a ser actualizada.

2006-09-20

Ainda a propósito de cores



You with the sad eyes
don't be discouraged
oh I realize
it's hard to take courage
in a world full of people
you can lose sight of it all
and the darkness inside you
can make you feel so small

But I see your true colors
shining through
I see your true colors
and that's why I love you
so don't be afraid to let them show
your true colors
true colors are beautiful
like a rainbow

Show me a smile then
don't be unhappy, can't remember
when I last saw you laughing
if this world makes you crazy
and you've taken all you can bear
you call me up
because you know I'll be there

And I'll see your true colors
shining through
I see your true colors
and that's why I love you
so don't be afraid to let them show
your true colors
true colors are beautiful
like a rainbow

True Colors - Cindy Lauper



Toma, Emiéle. Vai também à conta do primeiro aninho de Pópulo.


2006-09-19

Cromoterapia


aqui

Gosto de vermelhos e laranjas, de amarelos suaves, de dourados pouco opulentos. Gosto dos verdes discretos e esperançosos, nem que se escondam numa jarra, ou na capa de um livro sempre perdido na cabeceira. Gosto dos azuis profundos, aveludados, para acalmar chamas incendiárias. E gosto dos negros porque sim, porque o escuro me permite contrastar tudo - até a mim - com a luz e porque adelgaça as sombras que me limitam e me fascinam.

Dispenso os rosas em qualquer declinação, os cinzentos pardacentos e os castanhos sem perfume…

A (des)propósito...


aqui

os pobres eram sempre ruidosos, mesmo na expressão dessa gente feliz com lágrimas

João de Melo - Gente Feliz com Lágrimas


... de comentários e MSN...

2006-09-18

Egoísmo


aqui


A felicidade só pode ser mesmo um estado de espírito egoísta. Talvez por isso nos seja sempre tão mais fácil partilhar as tristezas e as lágrimas. Dessas, não vemos hora para nos livrarmos; na felicidade, todos os momentos são demasiado pequenos e, atrapalhados em aproveitá-los ao máximo, viramo-nos apenas para nós. Depois vamos ter com os amigos e partilhamos o contentamento. Mas isso já não é bem, bem, contar da felicidade.

De qualquer forma, ando a precisar de estar contigo e contigo e contigo e com a Cota sem link. Apesar dos reveses que, volta e meia, me atingem, ando a precisar contar-vos do contentamento, para que percebam que - algures, de quando em vez - estou a ser banhada de momentos felizes. Como se, ao expressá-los, os cristalizasse de alguma forma...

LOL


(recebida por mail)

Posso sempre contar com os amigos para uma boa gargalhada :))))

2006-09-17

Herança



E quando alguém chega a conhecer-nos tão bem que não importa quantas máscaras, quantos disfarces, quantos embustes construímos para enganar o sentimento? E quando deixam cair umas quantas palavras certas, umas quantas imagens e, de súbito, tudo rompe e se alaga num mar de lágrimas que o tempo, a dor, a frustração, o crescer e o sobreviver, já não calam nem escondem? E quando alguém sabe como enganar os nossos enganos e subterfúgios e a pose e os anos e os desencontros? E quando fazem jorrar tudo num momento único?...

Cerco


aqui

A Rosarinho desafiou-me e cá vou eu, ao acaso, dizer cinco tretas sobre mim. E cá está o que sai, poucochinho e pobrezinho, apesar de eu até ter um blogue feito de intimidade. É que assim, de supetão, não estou a ver nada de curioso para dizer. Não sou particularmente interessante para revelar coisas. As coisas são como são e as minhas não carecem de revelação: trago-as pespegadas no que sou e no que faço.

1.
Sempre achei que ia conseguir mudar as coisas e hoje apenas resisto para que as coisas não me mudem a mim.

2.
Tenho pavor de perder o controlo, porque sei que fico cega, irracional, descontrolada, incapaz de suster um qualquer gesto que depois não tem mais volta.

3.
Apesar da idade veneranda que já conto, continuo a não ver um boi do que se passa à minha volta, especialmente se usam subterfúgios que eu nunca fui capaz de usar.

4.
Tenho muito má memória para pessoas que não fizeram mossa, nem para o bem nem para o mal, apagando-as prontamente dos arquivos. Mas lembro uma imensidão de factos sem qualquer valor.

5.
Adoro falar sobre mim e sou péssima a falar sobre mim: raramente conto as coisas realmente importantes, preferindo gerir o caos intimamente e só depois, decisões ou assunções feitas, revelo o que andava a matutar.


Passo palavra à Lisa, à Bastet, à Vague, aos Enresinados e à Viajante. Talvez sejam capazes de fazer melhor do que eu…

2006-09-15

Grilhetas


aqui

Sinto que, muitas vezes, acabamos voyeurs da vida alheia, ao mesmo tempo que a nossa vida também é observada. Depois, há as empatias e as antipatias. É normal que aconteçam. Como é normal que, numa imensidão de blogues, acabemos por seleccionar uns poucos onde nos sentimos bem, que entendemos, onde nos sentimos bem recebidos. Mas não fazemos o mesmo na vida real? E não somos nós todos animais gregários dispostos a mostrar os dentes cada vez que vemos quem queremos bem ser atacado e ofendido? Porque seria diferente na net?

Posto isto - e admitindo que sou bem capaz de afiar as unhas e de sair à luta por aqueles de quem gosto - só tenho a dizer que a única coisa que me faz verdadeiramente espécie é a covardia. E cansa-me cada vez mais abrir blogues e ficar a pensar que os textos são estudados ao pormenor com o único fim de dispararem alfinetes a torto e a direito, ainda que na maior parte das vezes se limitem a balas vazias. Estragam tudo, porra! E, sim, também estou para aqui a mandar um alfinete, mas seriam tantos os nomeados que me falta a paciência para enumerar cada um. Aliás, falta-me a paciência para permanecer em várias páginas mais do que os segundos bastantes para recordar a mim mesma que fui outra vez (sim, Cap, tens razão) ao engano.

Tanta guerra já vista em tantos anos por aqui, uma coisa há muito que me parece clara: a mediocridade mede-se mais do que pela qualidade do escriba e talvez seja o escudo dos que não sabem ser mais...

(aos amigos: perdoem este regresso de férias tão silencioso)

2006-09-14

Vai no Batalha!


aqui


O vendedor de carros mudou a música. Eu fiz da porta percussão: bati com a dita.

Acho que, afinal, já não tenho carro novo até ao fim do mês. Mas - raios! - se eu disse que queria vermelho, porque é que querem impingir-me um frigorífico com cinco portas?

2006-09-12

Ai o caracinhas!


aqui

Chegada ao escritório do cliente para a visita previamente acordada, toco à campainha repetidamente sem resposta. Estranho. Se há homem de palavra e pontual… Trato de pegar no telemóvel e ligar ao senhor. E a resposta veio pronta: “está de facto ali fora uma senhora de cor de laranja e vermelho, mas sei bem que a doutora não usa dessas coisas...”

2006-09-10

Não compreendes?


Queres o curso em quantas lições?

Ainda a 'Voz em Fuga'


aqui

A Viajante escreveu este Voz Minha: para onde foges tu?, que já juntei ao desafio. Agora só falta que corram a ler...

10 de Setembro de 1756


aqui


Comemoram-se hoje os 250 anos da fundação da primeira região demarcada do Mundo. E se há local que nos arrebata pela sua beleza, enquanto continua a enriquecer o Norte e todo o País com os seus produtos e com a oferta turística de qualidade, é este espaço demarcado, lambendo o Douro e encosta acima, nos socalcos que o suor da vontade dos homens talhou. E que se mantém até hoje como um farol do que se pode fazer bem no País.

2006-09-09

Ah panteras!


aqui

Depois do acto de pilhagem sobre a equipa técnica no início do campeonato, não pensei que os meus meninos fossem dar-me qualquer alegria. Mas, caraças!, não há dúvida que hoje estou com um sorriso de orelha a orelha…

2006-09-08

Salsichas?


aqui

Raios se eu percebo porque cargas d’água se preocupam tanto com as salsichas…

Silêncio


aqui


Eu digo palavrões, especialmente porque há situações em que não existe outra palavra que tão bem expresse o que sinto. Hoje apetecia-me dizer uns quantos, no fim desta semana infernal, em que descubro que basta estar fora umas semanas para alguém destruir o que levei um ano a fazer. E talvez por isso só me apetecesse pintar este post de palavrões.

Só que cada palavrão seria uma palavra-silêncio, à espera de ser preenchida de significados por medida. E não sei até que ponto não iriam apenas parecer palavras-agressão, as tais de que não gosto, ainda que saiba usá-las tanta vez bem demais. Porque, ai, perdia todas as palavras-argumento e nem sei se o fel que sinto a queimar-me a garganta iria desaparecer...

2006-09-07

Calhaus

Another brick in the wall



Já houve tempo em que a revolta era possível, o big brother era vigiado de volta, se teimava em gritar a liberdade e se fazia dela uma conquista possível. Hoje, demasiado acomodados a tudo o que nos impõem, chamamos terroristas a quem ainda tem causas... O que também não deixa de ser uma espécie de facilitismo.

2006-09-06

Porque gosto...


Sam

Acho que não saberia muito bem qual dos filmes dele escolher como favorito... Há todos os do Tim Burton (eu adorei o Eduardo, amei o Ed Wood, babei com A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, delirei com a Noiva Cadáver e perdi-me na doçura de Charlie...). Há os filmes mais antigos, como o Cry Baby (ai aquela lágrima tatuada!...), What's Eating Gilbert Grape (o último filme onde gostei de ver o Leo di Caprio) ou o Arizona Dreaming. Há o D. Juan de Marco, em que parece que é ele que ensina ao mestre Brando como representar. Há o A Nona Porta (com cenas gravadas em Sintra), o From Hell, a maneira como rouba o filme ao Banderas no Era Uma Vez no México. O fabuloso Libertino e as piratices que já foram, mais a que ainda falta vir. Ou a versão perfeita de quem tanto nos fez sonhar com um Peter Pan que afinal cresceu, mesmo quando não queria crescer. Ou o delicioso Chocolate e o Donnie Brasco e o A Janela Secreta (acho que foi o único que não gostei) e um que se chama, salvo erro, Um Homem não Chora, em que ele faz de cigano e está lindo, lindo... E há - bem talvez seja este o favorito, afinal... - um filmezinho delicioso chamado Benny & Joon...

2006-09-05

A praia




E da casa imensa a que soubemos chamar ninho, navegamos pelos corpos e pelos dias, aproveitando os momentos que assim roubamos à distância e ao Verão que, daqui a nada, vai teimar em partir. E é quase como uma sombra a pintar um areal, tapando o vento, fazendo promontório para desafios de saltos e de vertigens. E o mar logo ali, para temer e amar, ficando medrosa na borda de água a ver-te nadar para longe… E é quase como se representasses o fim destas férias, destes dias quentes em que me perdi e me esqueci, reencontrando-me nos teus olhos, cada vez que te buscava. Ponho o anel, ponho o colar, meto à boca mais um rebuçado para evitar que a voz me fuja. E penso que nem sei bem se te agradeci como devia. Afinal, numa praia com um calhau gigante, guiaste-me mais uma vez para um pedaço de paraíso…

É tão bom perder-me contigo!

2006-09-04

Ui!

A razão pela qual escrevo um blog deve-se a mera terapia de substituição. O médico de família deixou-me sem hipótese: tinha que parar de me masturbar de forma compulsiva. "Pare de bater punheta, escreva um blog", disse-me ele. Obedeci antes que me surgissem mais pêlos na palma das mãos.



E não é que eu já andava com saudades da minha terapia de substituição?...

Bitola


aqui

A propósito de uma relação que comemora este ano os seus 25 anos, falava-se da medida de intimidade, de um conhecimento tão profundo entre o casal emparelhado que, no fim, já não resta espaço para o desconhecido: a partilha é tão grande que os segredos não têm mais espaço, porque se conhece o outro até à medula, no bom e no mau, na aceitação plena…

E, no entanto, eu que nunca vivi uma relação com prazo tão dilatado, muito menos almejo a não ter espaço para mim, as minhas coisas, os meus segredos, lembrei-me de uma das medidas que me resta para a intimidade, uma feita da história ouvida em contra mão sobre um jovem, regressado de lua de mel, a quem o irmão não soube mais do que perguntar: “e então? Já te cagas à frente dela?”

A cada um a sua bitola…

2006-09-03

Confissão


Hypatia, Charles William Mitchell


Continuo ruiva e branca como a cal...

...mas estou de volta!


Quero ainda aproveitar este post para agradecer à Vanus, ao Cachucho, à Maria Árvore, ao Espumante, à Viajante e à Mad pelos posts e referências que deixaram nos respectivos blogues a propósito do aniversário do Voz em Fuga, bem como a todos quantos vieram ao post anterior dar os parabéns.

Também aproveito para dizer que fui buscar a voz em fuga da Vague, para a juntar ali em baixo ao desafio.

A todos, muito obrigada pelo carinho e pelo mimo que, como sabem, é coisa que me sabe sempre bem.

2006-08-24

Há dois anos em fuga


aqui


Sem o vosso contributo, os textos eram apenas letras agrupadas, as imagens perdiam valor, as músicas esbarravam no silêncio e todos os posts morriam por falta de destinatário. Nada se faz apenas com um emissor!

Por isso, a festa é vossa. Gozem-na bem!

Obrigada a todos por dois anos memoráveis.


(e agora vou continuar as minhas férias)

2006-08-17

O tambor de lata*

.
Nunca encontrei coragem para o dizer, mas era uma coisa que estava escrita. Entrei como voluntário e não tive vergonha: esta chegou depois.

Günter Grass


A História encontra sempre os seus heróis e os seus algozes. A maioria das pessoas, por ter um pouco dos dois, não encaixa nos estereótipos e é facilmente esquecida.

Só que a História - a verdadeira - é feita de gente anónima, gente vulgar, gente capaz de pequenos gestos de heroísmo, gente que mata, gente capaz de virar as costas, gente apanhada num turbilhão que não entende, gente que sobrevive, gente que morre.

Günter Grass fez parte do "esforço de guerra" alemão. Levado pela propaganda, alistou-se nas SS e não na "tropa macaca", tinha privilégios, nunca os perdeu e, provavelmente, reagiu muito tarde ao que se estava a passar. Isso faz dele alguém muito humano, muito próximo de todos nós. Tinha dezassete anos…

A minha questão é esta: tivéssemos nós vivido na Alemanha dos anos 30 e 40, em que seríamos diferentes de tantos outros, os que preferiram acreditar na propaganda, na demagogia, nas mentiras e nos discursos e fachadas glamorosas?... Eu não me acho melhor do que ninguém. Sou mesmo demasiado banal. Tão banal que, provavelmente, também teria fechado os olhos, encolhido os ombros. Ou, se calhar, teria também pegado em armas; talvez me alistasse… Não temos todos estofo de heróis e não me iludo quanto à minha semelhança com tantos outros. Talvez às tantas fosse diferente… Talvez soubesse encontrar em mim um qualquer caminho para o heroísmo… Mas quase de certeza seria, como a grande maioria de nós, mais um entre muitos sem voz e sem glória. E dificilmente alguma vez escreverei um livro com o poder das palavras de Grass.

Ao fim de semanas a ler tanta coisa sobre a revelação de Günter Grass, acabo sempre a pensar como, para tantos nós, à distância da história reconstruída, é tão mais confortável um comportamento de fedelho que se recusa a crescer. E, como um fedelho, resta apenas apontar o dedo…

_____
* Pequena pausa nas férias, para não ficar entalada. Afinal, acho que já comecei a ler o que não devia :S

2006-08-11

Eu gosto é do verão...*



Desprendia-se pela janela aberta o calor da noite, entrando sorrateiro para ir fazer companhia ao calor dos corpos despidos sobre a cama. Havia um silêncio breve, uma respiração cadenciada, um aconchego temperado. Não havia luz, excepto o risco amarelo-torrado em que se transformara a lua num esgar de mudança de ciclo. Pressentia-se por todo o quarto o tempero de silêncios partilhados e sorrisos parados, congelados, em lábios quentes. Jazendo, só havia tempo e desejo e o calor de mais uma noite de verão. Jazendo, só havia dois corpos cansados, iluminados por uma lua breve, brevíssima, no negro do céu. Nem estrelas, nem constelações. Só uma lua amarelo-torrado e o calor da noite, esfumado, e um dedo que percorria ainda o reverso de um joelho.


____
* repost de um texto que antes se chamou lua, para que o tasco fique bem enfeitadinho enquanto cá não estou :)

Finalmente!


aqui

A primeira coisa que fiz ao chegar a casa, mesmo antes de correr para o banho que este calor impõe: desligar o despertador. E quase o escondi num qualquer canto, para nem o ver, tipo bibelô, a lembrar-me que há horários.

E é com um prazer quase desmedido que assumo que, nos próximos tempos, a única obrigação será levantar o cu da toalha e ir ver que tal está a água.

Amanhã: compras. Os dias sem pio arrumaram com os livros há muito à espera de tempo para a leitura. E é essencial ter o que ler ou acabo, como de costume, a papar qualquer coisa com letras que me apareça à frente, até mesmo as VIP e Novas Gentes e até a Maria. Pior: pode dar-me para ler a Bola ou o Espesso. E, caramba, estou de férias. Quero ler qualquer coisa inteligente e digerível.

Já agora... que recomendam para leituras de verão?

2006-08-10

Bug


Cathy - Cathy Guisewite


Estou farta de coisas tristes e sérias na Voz. E, no entanto, parece que o bug da silly season se esqueceu de bater aqui à porta. Esta treta costumava ter mais graça, ou sou só eu que, com a idade, já me começo a rir das minhas piadas velhas?

2006-08-09

Crianças


Que estranha que me sinto!... Parece-me já não ter a minha voz... Parte de mim adormeceu e ficou a ver... O meu pavor cresceu mas eu já não sei senti-lo... Já não sei em que parte da alma é que se sente... (...) Para que foi que nos contastes a vossa história?

Fernando Pessoa - Poemas Dramáticos



São a nossa esperança. Celebram o futuro. Celebram a nossa continuidade possível num mundo que questionou todas as certezas, apeou Deus, fez da Terra um minúsculo grão de pó perdido e a prazo; num mundo que se apressa numa rota de colisão para a tragédia; num mundo de grandes clivagens e ainda maiores injustiças…

Em situações de caos, são sempre as primeiras a sofrerem; são os rostos inocentes e indefesos de todas as tragédias que nos ensombram o prime-time; são também o rosto da nossa culpa, a indiferença confrontada por olhos banhados de lágrimas.

Não era suposto serem criminosas, terem nelas o fel dos hábitos e dos desmandos dos adultos. E, não sendo adultos em miniatura - e disso convém não nos esquecermos - também não são seres tolinhos, sem entendimento. Não podem ser desculpabilizadas com pouco caso; não podem ser criminosas sem punição.

Ou não há futuro, nem esperança, nem fazem mais sentido os olhos banhados de lágrimas que nos partem o coração.

2006-08-08

Contra a rezinguisse...


aqui


Quais filmes muito edificantes, ou livros muito densos, ou tretas que tais! Vou ali e já venho, "papar" de enfiada mais uns episódios (e são 26! Iupi!!!) do Conan, o Rapaz do Futuro.

Alguém se lembra?

2006-08-07

E eu ainda estou à espera do meu IRS...


Um Estado débil, incapaz de fazer cumprir a lei (pois se ele é o primeiro a violá-la...), beneficia os espertos sem escrúpulos e os poderosos que sempre arranjam maneira de se safarem. Mas é a desgraça dos que, por falta de recursos, não são capazes de sobreviver na lei da selva.
Francisco Sarsfield Cabral

Cada vez que penso no que sobra do meu ordenado depois de me comerem percentagens para aqui e para ali, a mais a prestação da casa que, de seis em seis meses, dá mais um pulinho; cada vez que me lembro como sou - em quase tudo que realmente pesa na bolsa - duplamente tributada, às vezes triplamente tributada; quando penso que ando a descontar para pagar as reformas da Cardona, do Mira Amaral e de todos os outros espertalhaços de quem ninguém fala; quando penso nas pensões vitalícias de mais de 300 políticos que não fizeram praticamente nada pelo País e por mim; quando penso na lista dos devedores, escarrapachada à boa maneira totalitária, sem que antes aparecesse a lista das dívidas do Estado e das autarquias e os seus prazos de pagamento superiores a dois anos; quando penso nas burlas, nos burlões e até nas diferentes Ordens Profissionais e na forma como, até elas, às vezes parecem demasiado laçadas a uma qualquer teta pública; quando penso em todos os que fogem porque podem, nos que fogem porque os deixam e na desgraça de quem, como eu, não pode fugir pedaço; quando penso nas barrigas fartas dos gajos do futebol e mais em todos os Planos Mateus e o raio que os parta... Ai que azia! Ai que nojo! Ai que vómito!

E o meu IRS? Onde estão as migalhas que me hão de devolver depois de me chularem o ano inteiro? Onde anda? Atrasado? Que ideia! Todos os anos avança um mês, mas não há de ser nada: aos que vivem à conta do Estado e dos meus impostos e sentam o cu na A.R. quando lhes dá jeito (ou inventam mais um lugar de assessor com ordenado chorudo enquanto mandam os coitados que estão lá em baixo, no cu de Judas dos privilégios, continuarem a sobreviver com ordenados congelados ou a aumentarem várias vezes abaixo a inflação), não deve faltar tostão para as férias que, se formos a ver bem, gozam todo o ano.

É azia, é. Uma azia cada vez maior e sem remédio. Talvez devesse emigrar... É que estou farta da lei da selva e de tanta macacada!


(e nem me falem mais na Gisberta, ou ainda me dá uma coisinha má...)

2006-08-06

Dúvidas...


aqui


Com o calor que faz, como farão os gajos que usam barba? Será que põem as barbas de molho?

Desafio 'Voz em Fuga'


aqui

E é então que descobrimos que, afinal, nesse "durante", fomos capazes de construir pontes. Pontes entre os outros e nós, pontes entre países, entre continentes. Talvez pontes suficientes para, na calada da noite, cheios de pressa, respondermos ao apelo que nos chega e estendermos um texto pequenino, pobrezinho, a uma amiga, para que o seu blogue, a sua linda Galatea, não se vista de vazio.
Pigmalião, escrito para o Ad tempus


De uma forma ou outra, acabamos a dizer por "aqui" o que calamos "lá fora". De certa forma, passamos "aqui" tempos de silêncios bem mais complexos e ricos do que muitos dos discursos – tantas vezes apenas monólogos – que nos reserva a vida "do lado de fora". E ainda somos capazes de estender a mão, um texto, um sorriso, mesmo quando "lá fora" nos custam cada vez mais os sorrisos, os gestos de empatia. E acontecem maravilhas e pequenos momentos especiais.

Este blogue tem já algum historial no que toca a pedir palavras aos outros. Chamou-se-lhe desafios e vão pontuando o arquivo de partilhas. Se há coisa que me orgulha na Voz é esse conjunto de textos que tantos, sem nada receberem em troca, excepto o meu obrigada, me deixaram. E lembrei-me que a
Noite, há mais de um ano atrás, andando atarefada e sem tempo para preencher de letras o espaço a que – cada um há sua maneira – chama seu, pediu aos amigos um texto. Lembro-me que, na altura, também eu andava sem tempo e, no entanto, mandei-lhe o pequenino texto que está ali em cima.

E também já escrevi textos para o
Jorge (um deles em dez minutos… bolas! Porque será que ultimamente não consigo?) e para a Maria Árvore, num arremedo exasperado de qualquer coisa que só muito remotamente era erótico, num sinal óbvio de "a Hipátia quase a dar o tilt"… E para o Escritor Famoso, para a Elipse, para o Tozé, para a Jacky...

Vai daí, por uma daquelas associações de ideias que às vezes nos correm bem (e outras nem por isso), lembrei-me de vos propor um desafio. Mas qual? A inspiração não tem sido muita, o desgaste habitual deste pré-férias também não tem ajudado e, além do mais, tenho mesmo a certeza que andamos a plagiar alguém,
Old Man…

Então, para não desmerecer o meu umbigo – sim
miga, é mais um ataque de umbiguismo – resolvi desafiar-vos para um texto com um mote que deveria ser meu, mas que já não sei mais por onde esticar:

Digam-me para onde foge a vossa voz!

(acho que não era bem o que estavas à espera,
Vague, mas fico à mesma à espera do teu)

(quanto a ti,
Claire, podes pintar)

Como de costume, podem pôr lá no vosso, que eu depois vou buscar para "compilar" :)

_______
Já cá estava um, mas agora há mais:



2006-08-05

Sim, continuo de mau humor


aqui

Não acho nada bem esta coisa de agora, por dá cá aquela palha, aparecerem as caras dos bloggers em qualquer lado. E, vai daí, a valquíria que imaginava sai-se parecida com a lambisgóia da minha vizinha do 3º esquerdo, o adónis parece o motorista do 21 e a avantesma afinal tem tudo no sítio, enquanto o cromo tem uns lábios para pedir beijinhos. Acho mal. Acho mesmo muito mal. Passam a vida a estragar-me a imaginação, porra!

2006-08-04

Para o E.A.



E ela quase, quase consegue :) Penso que é uma versão fantástica (especialmente pelo esforço em fazer aquela "volta" típica do fado) e achei que, no seguimento da nossa conversa ali em baixo, talvez gostasses de ouvir...

Amor à queima roupa


aqui

When you're tired of relationships, try a romance.
Quentin Tarantino - True Romance

Não consigo prender os meus interesses a fugazes visões de beleza. Esqueço um pôr do sol, por mais belo que seja, excepto se o engalanar de acessórios onde a memória e a beleza, já unos, se cristalizam. O mesmo para uma flor. Ou para uma obra de arte. Ou para uma figura qualquer.

E onde encontro beleza pode não ser belo para olhos alheios. É sempre um instinto, um reconhecimento íntimo. É um relembrar também. Porque podemos sempre adquirir e cultivar gostos, mas há alguns que nos são quase intrínsecos, como se apenas recordássemos o eco desde o mais longínquo de nós, como se Beethoven ainda soasse esfumado para lá das paredes do útero, ou o cérebro recordasse a cara amiga que nos embalava aos três meses de idade.

Eu gosto de olhos intensos, chamejantes. Figuras quase frágeis pejadas de força íntima. Mãos prontas a dedilhar, dedos finos, tendões e veias visíveis. É essa potência provável no corpo feito frágil que me atrai. A força íntima. O indomável. O ser para além do ser físico, torneado, musculado à pressa e em demasia. Gosto de gente onde só encontro defeitos e, no entanto, reunindo-os, encontro uma identidade própria, bela, sublime.

É que eu gosto de defeitos. Menos os olhos tortos e as unhas roídas. Mas gosto de defeitos. Especialmente se o são de forma equilibrada, como que desenhados por medida. Especialmente se a personalidade que transparece é bem mais do que o invólucro, é um todo apelativo.

Talvez por isso goste de cicatrizes. Vejo-as como marcas, mapas, história. Talvez estejam na minha história, lá atrás no tempo que conscientemente já não recordo, mas que enforma até hoje o meu gosto, o meu padrão de beleza.

E talvez por isso goste tanto do Gary Oldman no
True Romance.

____
(um repost, a propósito de uma conversa com a Claire uns posts lá para baixo)

hmm...


aqui

Lembro-me vagamente de ter um companheiro de blogue...

2006-08-03

Ícone


Greta Garbo


a pintura do rosto chega a ter a nívea espessura de uma máscara; não é um rosto pintado, é um rosto rebocado (...) [que parece propor] um arquétipo do rosto humano (...) uma espécie de ideia platónica da criatura.

Roland Barthes - Mitologias


Acho que o uso da cor tornou a minha iconografia mais pobre...

Assombra-me

Haunt me
In my dreams
If you please
You're breath is with me now and always
It's like a breeze
So should you ever doubt me
If it's help that you need
Never dare to doubt me

And if you want to sleep
I'll be quiet
Like an angel
As quiet as your soul could be
If you only knew
You had a friend like me

So should you ever doubt me
If it's help that you need
Never dare to doubt me


Found at bee mp3 search engine


Já dormes? Estás a sonhar connosco ai? Vá! Vira-te para o lado e sonha. Sonha que estou ai e vem assombrar-me os sonhos, que estou para aqui sozinha, sem pio e fechada e não quero continuar nesta insónia, este mau humor que me permeia cada pedaço, esta raiva de saber que estás ai tão longe, nessa cama gemente onde os sonhos se acalmam. E eu para aqui sozinha, sem voz, fechada, a saber-te ai sem mim. E essa cama. Raios para essa cama! Corpo e meio de cama para ficarmos abraçadinhos e eu a saber que ela está ai e que estás nela e eu para aqui sozinha, sem pio, numa cama gigante silenciosa...

Estou farta da minha companhia!

2006-08-02

Parabéns, Cruzeiro


Posted by Picasa aqui


Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Vinicius de Moraes

Apesar dessa saudade, desejo-te um dia o mais feliz possível. Aproveita-o!

2006-08-01

Não era só o Springsteen, E.A.

A Strange Kind of Love - Peter Murphy




Mal te li, lembrei-me logo deste. Mas também podia ser o Iggy, por exemplo. É que o Springsteen por mim podia continuar a ir a caminho do rio (oh oh oh down to the river, lalala...) e, de preferência, ficar por lá :)

Sun Tzu


aqui


A guerra poderá alguma vez ter justificação? E a guerrilha, parente pobre e suja da guerra? E o interesse de qualquer estado poderá alguma vez exigir comportamentos amorais? Ou serão antes eles rapidamente propostos, desculpando-se o uso de um "terror menor" contra um terror sob a alçada de legitimidade de um estado terrorista? E como se mede o terror? Em números de vítimas? Em números de vítimas evitadas? Ou apenas pelo silêncio dos que nem como vítimas se podem afirmar?

Já agora: ainda alguém se lembra dos Hutos e dos Tutsis? Dos Balcãs? Da Tchéchénia? Do Sudão? Da Indonésia pré e pós Timor? Das purgas do Chile? Dos Khmers? Do Afeganistão? Da recusa dos EUA em aceitarem a jurisdição do Tribunal Penal Internacional?...

Será que alguém quer realmente lembrar como a História parece sempre capaz de lavar as morais das diferentes histórias? Vamos continuar a tentar apanhar e condenar todos os Noriegas e todos os Pinochets depois de eles perderem valia para as politiquices do costume?

As guerras alimentam-se a elas mesmas. São sorvedouros de interesses e calculismos. No fim, devoram tudo, numa corrida entre o nepotismo e o despotismo e, como sempre, apenas uns poucos lucram. E são, cada vez mais, uma questão mediática, um espectáculo de pirotecnia e sangue.

Mas, na verdade, parece-me que nem há aqui novidade alguma. Só mudam os lados vitimados e as dimensões das hecatombes.

2006-07-31

Fama


aqui

Não sei se já repararam, mas retirei o "word verification" há mais de duas semanas. Volta e meia, lá aparecem a cuscar uns incautos perdidos mas, até agora, nem um spamzito para amostra, nem uma tentativa de assalto ao template, nem uma única facadinha virtual...

Acho que vou passar a assinar com o meu nome e a queixar-me de dez em dez minutos...

Tele-lixo


aqui


I deplore brutality. . . . It's not efficient.
William S. Burroughs - The Naked Lunch


Só me apetece fugir para bem longe dos tentáculos peçonhentos da demagogia bacoca com que se contabilizam mortos como se fossem sacos de batatas e se ferem os olhos em prime-time e se discursa por tostões.

Para o Joshua


Joshua Tree National Park

These mist covered mountains
Are a home now for me
But my home is the lowlands
And always will be
Some day you'll return to
Your valleys and your farms
And you'll no longer burn
To be brothers in arms

Through these fields of destruction
Baptisms of fire
I've witnessed your suffering
As the battles raged higher
And though they hurt me so bad
In the fear and alarm
You did not desert me
My brothers in arms

There's so many different worlds
So many different suns
And we have just one world
But we live in different ones

Now the sun's gone to hell
And the moon's riding high
Let me bid you farewell
Every man has to die
But it's written in the starlight
And every line on your palm
We're fools to make war
On our brothers in arms



Found at bee mp3 search engine

Disseste-me ali numa caixa de comentários que "nós perdemos a fome de pararíso-Além porque não sabemos e morremos sem saber se há." E eu acho que sabemos, sim. Não está padronizado, nem encerrado numa qualquer verdade. Está antes no que queremos que seja. E pode ser apenas a beleza de um pôr do sol no deserto, onde nada parece poder sobreviver e, no entanto, uma árvore ergue ainda os seus braços para o céu tingido de azul e fogo.



(Talvez no dia em que formos irmãos sem armas, afastando das linhas das estrelas sonhadas, ou das linhas escritas em destino nas palmas das mãos, a loucura de não viver apenas).

2006-07-29

Berloques


aqui

Sou só eu e este mau humor que não me larga nos últimos tempos ou há dias em que saímos de casa e ficamos rodeados de gente profundamente feia? Feia mesmo! Daquela de meter medo ao susto. Daquela que deveria ser proibida de usar acessórios como se árvores de Natal, obrigando até o meu pedaço mais distraído a tropeçar em tamanha fealdade.

E quero lá saber o que dizem as revistas da moda, mais a moda de acreditar na moda das revistas: a chinelinha, soquinha e afins com berloques em douradinho é do mais pobre que existe, por mais pintalgado que pareça. E estão sempre em pés feios, de gente feia. Profundamente feia. Enfeitada à moda, como se uma árvore de Natal prêt-à-porter de suburbanos com a mania, a caminho da praia.

E esta gente feia, cheia de socas, chinelinhas e berloques, faz-me até sentir saudades do bom do Sr. Manuel e da sua Maria, que esses ao menos quando se enfeitavam para ir à praia era com a bela da panela da feijoada, mais a boneca com o tintol... E não tinha tudo ar de brinde da mesma revista.

2006-07-27

Será que podemos deitar o Rio ao rio?


Carlos Romão

(...) aquela - tão difícil de explicar - condição subjectiva de participar de um território dos vivos e dos mortos(...) Uma comunidade que está no sangue, nas dores, nos sentimentos de cada um.

Hélder Pacheco


Carlos Romão


Uma esquina e lá estão as pedras levantadas. Outra esquina e não há passeios... só obras. Mas, no meio de tanta obra, a Obra é demasiado pobre. Que estão fazendo ao meu Porto? Que nos sobra?

Fica a ideia mitificada da velha urbe "donde houve nome Portugal", das glórias passadas, representadas e aplaudidas hoje nas glórias do futebol: "O Porto é uma naçom!" E fica o resto, lembrado, cantado, nas vozes de Sérgio Godinho, GNR, Rui Veloso... E fica o granito, cinzento, cada vez mais triste, mesmo de cara lavada e privilégios de património mundial. E ficam os problemas sociais de bairros degradados, por entre as evidências de tráfico de droga, memórias de corrupção policial e tudo o mais que, de facto, "nos oculta o mistério" desta terra. E ficam as casas degradadas, a que já não se pode mudar a traça, as ilhas ao alto da habitação social para onde se "empurrou" a população dos Guindais, depois de a enxotar das barracas com vista panorâmica para o Douro. E ficam as pontes: a memória em baixo relevo da que caiu, a beleza de ferro das que, centenárias, ainda se mantêm de pé e o cimento armado dos projectos de Edgar Cardoso, que todos esperavam que caíssem. E fica a nova Infante D. Henrique, gémea perfeita, já que a do Freixo é outra história: falta o arco, tem demasiados pilares a fender o rio e pouca altura para fazer sombra às companheiras. E ficam as ruas esventradas onde passa agora o metro. E fica este horripilante arranjo aos Aliados, cinzento, triste, morto. Eu gostava das flores. Gostava tanto daquelas flores!

E fica, sobretudo, para cada tripeiro, a memória e o amor à terra em que se nasceu, mesmo que uma visita guiada ao Porto que hoje temos deixe saudades profundas do Porto com que sonháramos.

Birds and bees


aqui

O sexo parece ter sido inventado há cerca de 2 mil milhões de anos. (...) Com a invenção do sexo, dois organismos quaisquer podiam trocar parágrafos, páginas, livros inteiros do seu código de ADN.

Carl Sagan – Cosmos

...mas ainda foi preciso mais uma porra de anos para que se inventasse o cyber-sexo e viesse a moda de mandar só livros assépticos em branco...

2006-07-26

É oficial


aqui

Comi demais. Sinto-me uma lontra! E continuo sem pio. Digam lá que não fui quase profética quando escolhi o nome do tasco?

Também é oficial que me apetecia escarrapachar a caixa de comentários do post abaixo na primeira página. Que grandes respostas me deram! E nenhuma delas a preto e branco.

Obrigada!

2006-07-25

Pólvora




Desde que a "revolução antitotalitária" varreu o leste Europeu, o Mundo encontrou-se perante uma evidência: o degelo da guerra fria "aqueceu" o Médio Oriente, com prolongamentos para o Norte de África. E os riscos parecem ser tão mais graves quanto mais simplistas formos nas análises. Não há nada simples no Médio Oriente. Nunca houve.

Não se pode olhar superficialmente paras as singularidades desta região, que passam pelas questões relacionadas com os seus recursos petrolíferos ou com os seus problemas religiosos. O Médio Oriente parece englobar, num mesmo cenário, tudo o que se encontra em oposição ideológica na actualidade: Ocidente e Oriente, Norte e Sul, Islão e Cristianismo (com a interferência de toda a problemática associada à existência do Estado de Israel), laicidade e religião, fundamentalismo e modernidade.

Temo cada vez mais que haja um profundo desconhecimento das reais variáveis em causa, simultâneo, constante e mútuo. E temo ainda mais que o medo baseado nesse desconhecimento precipite um qualquer acontecimento que faça rebentar aquele que Edgar Morin chamou o barril de pólvora do Mundo. Já esteve mais longe de acontecer...

2006-07-24

Papável




aqui


Velhos são os trapos, Agatha :) Este aqui é só - e apenas - demasiado avariado, demasiado alucinado, demasiado charmoso, demasiado delicioso, demasiado... ;-)

(O que não falta são homens bonitos. Faltam sim homens que não precisam ser bonitos. Há neles qualquer coisa que nos tira o centro de gravidade...)

Kinky


aqui


Não me apetecem paninhos quentes, nem meias palavras para dizer o óbvio: toda gente quer sempre tudo o que acha a que tem direito, mesmo que ninguém lhes reconheça direito algum. E eu - que ando com um fastio que não passa - só quero mandar muita gente ao raio que a parta.

Talvez seja esta mania de dar explicações a menos, oferecer um bocadinho e não poluir o ar de demasiadas exigências. No fim de mais um dia, com cheiro das férias (dos outros) no ar e a paciência esgotada, em lugar de vir para aqui pedir, apetecia-me vir para aqui dar. Porrada, se preciso fosse. Mas dar qualquer coisinha...

Estou farta de tanta cena de S&M, especialmente quando - cada vez mais - me encontro apenas colada ao fetiche de voyeur. E, raios!, não pedi para ver o cu a tanta gente!

2006-07-23

Gostos...


aqui


The Divine Comedy - To Die a Virgin

Quero lá saber o que dizem os críticos! Os The Divine Comedy conseguiram sempre pôr-me bem disposta, a abanar o traseiro e a bater o pé no chão. E não há assim tanta coisa que tenha esse efeito em mim…