2009-01-14

Para a I.


aqui

«A regueifa tem uma forma de rosca e é feita com farinha de boa qualidade (...) É típica do Norte de Portugal, sendo conhecida desde o Minho até à região de Aveiro. (...) popularizou-se como pão domingueiro.»

in, Wikipedia


Caso escape à menina a resposta ali em baixo, fique sabendo que cá no Norte não há misturas estranhas. E regueifa é regueifa e nunca foi doce. Olha-me esta!

11 comentários:

Adoa disse...

Saudades, saudades, saudades...
Da próxima que for aí näo me posso esquecer... Tenho de fazer uma lista...

Hipatia disse...

Andam ali em baixo a dizer que a regueifa é doce, imagina só. Lá pelo Sul, já devem ter perdido mais alguma parte da coisa e, da mesma forma que já não distinguem um bueiro de uma sarjeta, ainda comem fugaça por regueifa. LOL!

I. disse...

Olha que já comi uma cena à qual chamavam regueifa e era doce, juro pelas alminhas do purgatório. Tipo pão de leite, mas para melhor. Mas também já comi regueifa de farinha branca, muito fofa e gostosa, fico esclarecida que esta é que é a verdadeira.

E não sejas má, que eu gosto muito de broa de milho, daquela mesmo a sério e sem misturas, que nem é bem amarela, é mais castanho claro, e se aguenta uma semana sem bolor e sem secar. E broa de Avintes, também aprecio, que é b(r)oa nas horas.

(bueiro e sarjeta não é a mesma cena??? :/ ó caraças. e a minha vó, que viveu em Gaia, ainda hoje diz cruzetas e mulete-molete. não bata mais na mourinha, xim? peace...)

Hipatia disse...

A verdadeira boroa de milho não tem a farinha coada e é toda ela de uma cor muito semelhante à da boroa de Avintes. É dessa que gosto. Chamamos-lhes boroas de lavrador e vêem-se cada vez menos, ainda que no Jumbo (passe a publicidade) aqui perto haja o hábito de a terem, inclusive com presunto misturado, o que é realmente criminoso de tão bom, especialmente quando ainda a apanhas quente :D

Penso que sois cada vez mais uma terra de desenraizados onde pululam as corruptelas. E é uma pena!

(e tens razão que é molete e lá em baixo saiu com erro, lol)

Anónimo disse...

pela descrição (e igualmente pela foto) penso que a regueifa aqui no Centro-Sul será o que nas Feiras vende-se com o nome de "pão espanhol". "regueifa", o nome éme familiar. mas penso que tem a ver com as minhas origens beirãs, já tão distantes que não a situo quer na prateleira do padeiro quer na do pasteleiro.

(discusão a acompanhar pois sou guloso :)

carlos g

Hipatia disse...

O Norte é terra de milho, por isso há a tradição da boroa. E também por isso, qualquer pão feito de farinha de trigo - especialmente de primeira qualidade - era associado a dias festivos. Sabias que os moletes, por exemplo, eram usados como "isco" para que os rapazolas aparecessem às procissões e aos enterros?

Anónimo disse...

vim à pouco da apresentação local do livro que vou citar, um copy por ter-lhe achado piada pela "regueifa" - lembrei-me logo mal o li:

FOTO DE BREVE EXPOSIÇÃO

repartimos a regueifa de Pardilhó com as formigas de Odeceixe

"Quando escreve descalça-se", Miguel Manso, Liv. Trama, 2008

...

nunca ouvi falar no molete sem ser aqui nesta conversa. também não conheço o Norte (pouco viajo). fui ao Porto 3 ou 4 vezes e tipo vai e volta. e uma semana na Póvoa no "Correntes", faz dois anos o mês que vem. achei as pessoas simpáticas. e tanto (as conversas são mesmo assim) que hoje telefonou-me o Aurelino, diseur e poeta já nem sei se de Braga ou de Famalicão ou sei lá já de onde, com quem estive uma vez aí (Póvoa) e outra em Lisboa. há anos, não muitos mas tempo. e nem íntimos portanto. pois telefonou-me hoje pois alguém lhe disse que eu estive doente e descobriu o meu nº de telefone e pumba. gostei. não sei se é das boroas (broas? nós dizemos mal?) ou do molete ou das regueifas ou dos ares ou dos poetas ou das miúdas ou do vinho ou de tudo um bocado e amassando sai assim. gosto do desconhecido e isso é tudo além da Al-mão. gosto muito de Lisboa por isso mesmo, está à mão e dá-me a mão e já ma deu tantas vezes que a conheço embora me perca. a conversa está pouco panificadora ou pasteleira mas saiu assim, regueifas moletes poetas amizade norte e tanta lisboa.
e hoje houve um poeta de Lisboa que veio cá a Almeirim falarnos do seu segundo livro, título copy paste a sebastião alba (Norte e Moçambique, aqui Almeirim, tudo se cruza), sebastião que era Carneiro Gonçalves como seus irmãos mas assinava Sebastião e anexou Alba e sabemos porquê, e uma vez escreveu assim:
"Quando escreve descalça-se
à entrada do poema"
e o Miguel gostou e fez paste e fez bem em fazê-lo como ele gostei, é um poema-frase lindo. o 'regueifa' também mas ele saberá melhor do seu entrelinahdo - os poemas de frase única são pior que os haikus pois têm vinte e mil memórias entrelinhadas, e se já estive em Odeceixe não sei quem para lá levou uma regueifa de Pardilhó que presumo terra do norte e não gosto de presunções, gosto do que gosto e às vezes é muito outras pouco e penso sempre que gostava de conhecer o Norte mas não saio ou saio pouco e perco-me muita vez e nunca lá vou.
obrigado por este bocado, afinal não sei o que são moletes e hesito nas regueifas mas sei das broas-boroas e do bom sabor deste bocadinho também

:)

cg

Hipatia disse...

Antes de mais, Pardilhó já é Aveiro e não Porto. Mas é perto :) E um molete é um pão pequeno de trigo, aquilo a que vocês chamam carcaça, que me parece um nome demasiado feio para um alimento tão importante. Quanto à boroa-broa, pode ser dito das duas maneira, ainda que o Sul, mais a mania de comerem letrinhas ao pequeno-almoço (não é, I?) use mais a segunda forma.

E o poema faz sentido, acho. A regueifa sempre foi parte da merenda quando, antigamente, o Norte rumava ao Sul e demorava oito ou dez horas a chegar a Odeceixe e ainda faltava quase tanto para chegar ao Algarve (estou a exagerar, mas era quase assim, lol)

Depois, há Sul e Sul. E há uma Lisboa de gente desenraizada, sem família, com muitas terras demasiado longe. É essa gente que inventa as corruptelas para reinventar a saudade.

Também não estranho que te ligasse esse poveiro. Há coisas que se fazem ainda, que não parecem ainda que nos estamos a meter nas vidas alheias. Às vezes penso que uma grande cidade como Lisboa é um espaço muito vazio, onde as pessoas habitam, mas ao qual não pertencem. Mesmo os nativos foram roubados do que ainda se encontra pelo resto do País fora: as famílias alargadas, pontos de apoio e suporte e conforto, as tradições e as comidas, as jantaradas à moda antiga, a confiança no vizinho. E é talvez por isso que, mesmo descendo tantas vezes a Sul, não me sei viver sem o meu Norte. E também por isso te digo que devias voltar mais vezes. Agora, tens metro até à Póvoa. Podes sempre aproveitar para visitar esse amigo. Cheira-me que ele teria todo o gosto em receber-te.

Anónimo disse...

talvez aconteça Hipatia. a Incomunidade acho que tem um filo-café para breve. talvez lá volte pois quando fui ao primeiro gostei. e também aí gostei das pessoas (o Alberto Miranda é espectacular)

é bom voar, traçar linhas na farinha que se encontra. novamente, gostei deste bocadinho. e li-te mais acima... digo "clap, clap, clap" com omissão à parte tertuleana das caixas de comentários que nos meus tascos sempre fui avesso a incentivá-las, até mesmo nas respostas sempre fui tão parco que facilmente passei por malcriado sem ser essa a intenção (nunca me percebi bem nisso e seus porquês, mas também é passdo, que se lixe)

:)

c

Hipatia disse...

Bem, se vieres ao Norte avisa e tenta-se tomar um café :)

Anónimo disse...

Mais Vozes

E mais nada, tá tudo dito
Finurias | 01.14.09 - 8:32 pm | #

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Andam-nos a misturar os cacetes
Hipatia | Homepage | 01.14.09 - 8:40 pm | #