2009-02-09

Dor de barriga?


aqui

Ali em baixo, a Claire e o Carlos falam do que custa tantas vezes apresentar obra para o escrutínio alheio. A Claire fala mesmo em dor de barriga. O Carlos escreve para ele e um leitor. E eu para aqui a pensar que, pelo menos no blogue, isso não me faz qualquer impressão. Na verdade, na maior parte dos dias, não escrevo para qualquer destinatário específico. Sei que os tenho, que continuam a deixar-me opiniões nas caixas de comentários. E agradeço e gosto desses comentários, especialmente quando dão origem a troca de opiniões. É nas caixas de comentários que, quase sempre, acontece o melhor deste blogue. Não nos textos que escrevo (e só estou a falar mesmo dos meus). Mas acho que, vestida de nick, escondida num blogue de fundo escuro que pinto a letras azul cueca, escrevo quase sempre porque preciso mandar um bitaite qualquer (ou umas provocações, essas sim com alvo) e exercer esta mania de ter opinião. Depois, como disse à Claire, escrevendo por carolice não há verdadeiramente culpas ou responsabilidades, mesmo que tente ser responsável perante mim e, por isso mesmo, tento manter-me dentro dos meus parâmetros do que é correcto. Talvez seja por isso que gosto tanto do anonimato que o nick me permite: nunca chego realmente a ter uma dor de barriga nestes exercícios menores que nunca vão ser o centro do meu dia, nem sequer importantes o suficiente para que tema qualquer crítica. Fico é contente quando gostam. Mas isso já é o ego e, esse, também tem as suas manias.

9 comentários:

maria_arvore disse...

Adorei o «esta mania de ter opinião» porque é justamente o que me faz estar na blogoesfera.
E depois porque a crítica imediata, seja positiva ou negativa, é para mim aliciante. Podemos logo aferir o que é aceite do nosso trabalho e onde o devemos corrigir se quisermos agradar ao público ou não. ;)
Digo até que faria o mesmo que faço sem anonimato se em termos profissionais isso não me complicasse muito a vida. Até porque, tirando os visitantes que me aparecem à cata de fotografias, a maioria dos que me lêem no blogue sabem quem eu sou ou pelo menos sabem o meu nome verdadeiro.

Anónimo disse...

... para um e tou bem assim. um que é normalmente o mesmo mas lá calham as variações que referi (a "roleta" na cx. de correio). escrevo para meu prazer e também porque não consigo parar. (como todos?) tive sonhos em ser "escritor". até pari um tijolo - e se hoje pudesse rasgava quase metade das suas folhas, argamassa moralista que não edifica nada com jeito de passar de rabo alçado em vistoria que se preze. antes, durante e depois poluí a web com blogues narcisistas (sim: isso reconheço-o), onanismos em times newroamn formato 11. cáca pura. não pelo conteúdo mas por expô-lo. o gajo da gabardine no bosque de Bolonha.
mas não consigo parar. mesmo a 'dor' de escrever, o seu suor. a folha apagada, que já não se rasgam nem amarfanham e disso igualmente tenho saudades e sinto a falta. sombreio e faço delete. e recomeço, folha a folha. ao meio da noite, durante o dia - uso relógio por rituaql: tal como quando faço amor tiro-o igualmente quando vejo que "desta está a ir..." dispo os dedos e sua manete e pouso-o lado a lado com o anel, pesos, lastros inúteis se as teclam voam em bom vento. são esses textos, essas folhas, que voam com destinatário. nuas, minha nudez mas ora secreta e não com cortinado de plástico na janela.
sei que há aqui uma contradição, e valente: que faço eu aqui? aqui e ali, alis? encho-vos as caixas de comentários além do seu uso, em abuso. hóspede sem renda mas com serventias. okupa em birra adolescente pois queira e monto tenda, tasco, outra falência de mim disso veterano. mas aqui e nos alis embora me identifique por inteiro ou pelo mínimo sinto uma liberdade que me fugira quando o néon era meu. e odiava-me tanto, tanto, que não podia já olhar, olhá-lo, olhar-me. vejo estes comentários alargados como os tais mails sem destinatário pré-escolhido. ou os textos 'secretos' que alguém lê. são precisos dois cliques para revelar-me e neles vejo a malha que protege do punhal embora saiba que às balas e aos costumes diz nada. não é couraça, é frágil defesa. é igualmente o silêncio palrador de quem optou pelo silêncio mas tem saudade (ncessidade? talvez) de conviver.
espremido dir-se-á e não engeito que são manias. bem quistas manias. porque gosto muito mais de mim agora que aquando tinha um placard e dizia à clientela «é entrar, é entrar». sou o cliente que se senta na mesa dos fundos e escrevinha, escrevinha entre bicas e rissóis. e mete conversa com a solidão quando ela se senta a seu lado - lembras-te desses cafés? sem tv's, onde nem as moscas de verão tinham pressas e dos seus trajectos fazia-se uma tarde? neles havia sempre um escrevinhador e se nao encontrássemos o seu residente pela parsistência okupávamos o seu lugar, passávamos a escrevinhador residente do café tal.
pronto, já me perdi de novo. tentarei (tentarei) só cá voltar prá semana :)) - vou fazer uns mails-mistério ;)

c

Hipatia disse...

Sim, também há isso: disse pela primeira vez a alguns colegas que tinha um blogue apenas este ano. Há um que, de vez em quando, passa. Está tão distante da minha outra realidade que já não é por isso o anonimato. É pela liberdade pura, ainda que às vezes tenha saudades de quando ela era ainda maior. Talvez por isso tenha escrito como homem lá no outro e tenha criado a Casa Dourada, que cedo esqueci: breves fogachos atrás do total anonimato, nunca possível, mas que continuo a ver como libertador. E esta coisa de me sentir assim escondida, a forma como encho a tecla para falar do blogue anónimo e anódino, já tão relativos ambos e, no entanto, tanto longe de quantos andam por aqui connosco e parecem precisar todos os dias de provar quem são. Mas deixar de ter opinião? Nunca! Em algum sítio haveria de a deixar, a nu e em público. Talvez arranjasse um banquinho e me empoleirasse nele no meio de um jardim. Teria à mesma opinião e abriria a boca para a debitar. Muitos ou poucos a escutarem nunca foi a questão. Que a leiam muitos que já (re)conheço e me (re)conhecem é quanto me basta.

Achas que bata ali no Carlos por estar sempre a pedir desculpas por me ocupar os comentários? Mas então não foi sempre aqui que nos divertimos mais, com o texto da primeira página apenas a servir de mote?

Hipatia disse...

Carlos, se voltas a pedir desculpas por me deixares comentários arranjo maneira de esticar a mão pelo éter e chegar ai a baixo para te dar uns sopapos. Então não percebes como gosto? O gozo que me deu ver-te com a Claire em amena cavaqueira, já tão longe do texto que tinha servido de mote?

E, olha, eu não penso no livro. Acho que nunca pensei. Primeiro, porque nunca tive uma ideia que considerasse realmente original. Depois, porque não tenho disciplina para mais do que uma página e para poesia não dou. Finalmente, porque não ache que escreva suficientemente bem para, mesmo sem originalidade, conseguir produzir qualquer coisa tragável: já basta o que para ai vai de escrevinhadores de segunda com livro publicado.

Mas um blogue não é um livro: é dinâmico, faz-se de humores e, sim, faz-se de ego. Não percebo esse demérito com que encaras os teus: tiveram a sua hora, os seus motivos, as suas razões, foram lidos e apreciados, houve – como há sempre – quem gostasse e quem não. Mas a vantagem do blogue é a facilidade com que qualquer post vai rapidamente ressonar nos arquivos. Depois, só nós nos lembramos realmente deles e, se fizeres o mesmo exercício que faço que é voltar no tempo de quando em vez, hás-de descobrir que, no meio de muita treta, vistas à distância ainda há umas coisinhas que se aproveitam.

Deve ser por isso que estou a seguir com interesse esta ida da Maria Árvore aos arquivos: eu, que segui o Chez Maria, acabo curiosa para entender o que, realmente, a Maria sabe que se aproveita e quer que nós que a lemos continuemos a aproveitar. Devias fazer o mesmo ;-)

Bartolomeu disse...

Olha, então é cumámim, tãobain escrevo pràlimpar as indeias predentro. Ósdespois, dámuma tusa do caráças ler o resultado desmonstrado nas indeias dos que leram as merdas queu escrevi.
E não teinhamos dúsvedas ninhumas... a palabra tem um poder mais grande ca torrinfiel.
;)))

Claire disse...

Como diz a fabulosa tu és muito a frente.
A opinar PRECIOSA, suscitas o leitor;
mais as extraordinárias historias da Fabulosa (da Maria-arvore são sextraodinárias;(O) o Carlos ali no porão apagar as pernas do alfabeto para não entrar em hipotermia. Esta-se mesmo bem aqui.

Hipatia disse...

A palavra tem poder, sim. Especialmente a que nos permite "limpar as indeias predentro" :)

Hipatia disse...

E ainda há o Gaivina, Claire, que parece que tem novo post e tudo :D

Anónimo disse...

Mais Vozes

"Mas um blogue não é um livro: é dinâmico, faz-se de humores e, sim, faz-se de ego."
ora aí está, Hip'... "....faz-se de humores e, sim, faz-se de ego. " quanto àqueles o meu ideal será as suas oscilações equivalerem a um ecocardiograma do Dalai Lama. olhando as minhas e-tumbas no e-além creio mt sinceramente que a análise do meu se assemelha mais aos de, exemplos, VPV ou MST, pináculos de bílis azeda que conspurcam o que me desejo e parvo seria se porfiasse no erro, vendo-o. (isto está besentado de delico-doce mas mais vírgula menos retratinho é o que penso do que me desejo).
depois há o ego, esse sacana do caraças. todos temos um e se não se transformar em linfoma é um abcesso saudável. mas tem de ser vigiado mais a mais quando, directa ou indirectamente, chega um dia em que sabemos por onservação directa ou por análise exógena que o bicho tem aspecto desmesurado, desagradável a terceiros e em inerência ao portador quando (disso crê) toma noção. abafá-lo. anulá-lo. comprimi-lo num torno, cinta gástrica que estrangule as adiposidades e (tente) alcance a (mítica) elegância de ser, existir, conviver sem incómodo a outréns. dito assim parece missa e responso de cura glutão que mama as hóstias todas, hipocondríaco de consciências. mas sou-o dalguma forma.
disse que escrevo muito e penso que se depreende que leio igualmente às fornadas. sim, a ambas. mas daquela, a escrita, já contei da sigilosidade que pratico - e sabe-me bem, melhor que no horrível antes, ardina dos meus nadas. nas leituras continuo "eclético" mas boto abaixo tudo à mão mas já por vício e não por gosto. qu'este já não se compraz com uma data de nomes que antes me babavam. fico feliz quando encontro uma escrita simples, bela de simples. não digo nomes, são os meus segredos. neles, lendo-os, nasce-me um sentimento que chamo de belo que é a inveja da bela escrita. aquela noção de "eu também queria assim..." e, páginas dessas nas unhas tiro do bolso o tal ego e ponho-o na mesa em fronte, bem próximo para não fazer-me de distraído e que não vi, vejo, o quão rídiculo esse sapo-boi é. e é meu, esse monstro é meu, minha criação e deformação.
gota a gota fiz da tua casa meu confessionário e sala de SO, Hipatia. soro que me alimenta e purga que me alivia. dizes que me darás um par de tabefes se disser que. dá-os, dá-os que igualmente sou masoquista. Kay Jamison (sorry pelo pretensionismo erudito mas as pessoas têm nomes, os autores idem, e quem percebe da poda igualmente, e o seu a seu dono) lê esta(s) manifestações (de bi-polaridade) como acessos de loucura numa névoa de genealidade. sem ridículas falsas modéstias não é o meu caso, à provável excepção do primeiro diagnóstico. Poe, Byron, Mário Sá-Carneiro, V. Gogh, Virg. Wolf, tantos..., todos foram "tocados pelo fogo" e nas labaredas cresceram o seu Outro, o criador. eu ardo em combustão estéril. mas grito de prazer quando o (meu) carvão desenha quadros por modelo o cadáver. pena o linfoma, o ego em cima da mesa a olhar-me e eu a olhá-lo. escrevo-o, desanco-o e não se esfuma no fogo: eu sim. dá-me os tabefes, anda. numa das últimas coisas que tornei públicas falava no elitismo de poder escolher de quem desejo um carinho ou um par deles. afinal é esse o critério por trás da roleta dos mails, aqui os comentários e buscando o canto mais discreto. ele, ele olha-me em coma da mesa. disseram-mo e repudiei. olhei-me e acreditei. por vezes penso que ele só se apagará à minha visão, e de todos, quando abandonar estas mesas tertúlias e estes monólogos partilhados. mas ainda me são irresistíveis após lançada a primeira linha. sabendo o que tal simboloiza: há arena de circo, há linfoma de palco em tudo isto.
sinceramente não sei como resolverei. nem me preocupa por aí além. entretanto.... venham os tabefes )
carlos | | Email | 02.10.09 - 7:13 pm | #

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Carlos, essa dos sopapos era só para o caso de continuares a pedir desculpa por vires aqui deixares comentários
Hipatia | | Email | Homepage | 02.11.09 - 1:58 pm | #