2008-04-14

Tostão furado



Giro perceber que, para a mentalidade de certa direita mal amanhada e maledicente, uma mulher continua a medir-se apenas pelo gajo que come.


(Pior do que isso, só tanta gaja que continua a achar que só vale alguma coisa pelo gajo que come ou quer comer. Mas isso já são outros mil réis. )

Itália a votos



Será que conseguimos exportar o Alberto João para Itália?

2008-04-13

Holofote


aqui


Os corpos sem rosto são demasiado anónimos. Demasiado mesmo. São números claro. E calamidades também. Mas um rosto dá sempre origem a uma identificação. Uma identificação entre o nós e o outro, tanta vez já só cadáver, ou já só fotografia.

Todos temos dificuldades em lidar com grandes números. O nosso cérebro parece estar mais preparado para a dor particularizada, ou algo assim. Eu não consigo imaginar quantos são "milhões de mortos". Mas, se falar de cento e poucos, consigo imaginá-los em filinha e, às tantas, até inventar uma cara para cada um deles.

Os Jogos Olímpicos da China vão acontecer. São uma inevitabilidade. E os ataques à Chama Olímpica estão a abrir um caminho de protesto que não sei que consequências poderá ter. Mas um País invadido por máquinas fotográficas e de filmar de turistas anónimos, bem como de atletas que não temam a China enquanto falam para os noticiários do Mundo, é um País onde cada rosto ficará exposto, cada violação de liberdade virará parangona.

Talvez esta demonstração de ego Chinês, esta vitrina para a realidade chinesa, acabe por ser um tiro no pé para o Governo Comunista, como Tiananmen é ainda espinho encravado na realidade da propaganda. E talvez os rostos distantes deixem de ser apenas números.

2008-04-12

Onde é que eu já li isto?



Compreendi-te! Tens medo que eu seja cão e te humedeça a base.


Vasco Santana.

Sirtaki



Anthony Quinn e Alan Bates.

Hitch


aqui

De Hitchcock, tenho uma paixão muito especial pelo Notorious, uma história (perversa) de amor e sacrifício, onde a "mulher de má reputação" tudo suporta em nome de um amor que a covardia do homem tarda em reconhecer.


Ingrid Bergman e Cary Grant estão magistrais.

Jerry Goldsmith




2008-04-11

Comadres desavindas


aqui

Pelos deuses! Qual terá sido a borrasca que fez com que tanta roupa suja acabasse esparramada em tão pouco?


(deixa-me continuar sem tempo para isto, que é melhor…)

Trio



Tony Curtis, Jack Lemmon e Marilyn Monroe. Some like it hot...

2008-04-10

Rio Bravo



My rifle, my pony, and me.

Recessão

(...)Em privado, o primeiro-ministro não terá problema algum em assumir que a conjuntura é má e que Portugal não tem músculo para resistir à tempestade. No entanto, esta verdade dita a uma multidão de pessoas por um governante é como lume em capim seco: o incêndio é imediato, os benefícios são nulos. Em resumo: assumir o lado negro é como pedir calma aos gritos.

Politicamente não resulta, é uma péssima gestão das expectativas.É por isso que o Governo se esforça em desvalorizar as previsões do FMI e sublinhar os erros cometidos nos últimos anos. É verdade, os relatórios de Primavera do FMI erraram quase todas as estimativas feitas desde 1999. Os números só acertaram em 2002. Todos os outros bateram ao lado: cinco vezes abaixo do resultado final – as previsões eram pessimistas; e três vezes a cima – ou seja, revelaram-se optimistas. O que se conclui daqui? Simples, que as previsões são previsões. E que embora sejam importantes para calibrar as decisões não lhes devemos atribuir valor absoluto.

Um último ponto. Os números do FMI abrem o período de caça às previsões económicas. Seguem-se as da OCDE, da Comissão Europeia e do Banco de Portugal. Até lá, não vale a pena acreditar em tudo o que o Governo diz. O cepticismo aqui deve ser a regra da casa. Mas também não vale a pena entrar em pânico e pedir a Sócrates que faça um ‘hara-kiri’.(...)

André Macedo


Estranho como, em tantos sectores, se salive agora pela recessão. Como se fosse mais importante uma (improvável, face às últimas sondagens) vitória política, em lugar de reconhecer - como muito bem notou a Emiele - que uma "forte baixa" não é exactamente o mesmo que subida alguma.

Depois, hão-de aparecer também as parangonas sobre os índices de confiança. E mais uma vez a culpa será do Governo, porque todos sabemos que a culpa é sempre do Governo e que a culpa em Portugal nunca morrerá solteira enquanto houver um Governo.

Fantástico, pá! Assim é que está bem, claro.

Cool


There's something about my shaggy-dog eyes that makes people think I'm good.

Steve McQueen



(tenho o mesmo dia de aniversário)

2008-04-09

Das algemas


glass and wire - © David J. Nightingale




Venho dizer-vos que não tenho medo
A verdade é mais forte que as algemas
Venho dizer-vos que não há degredo
Quando se traz a alma cheia de poemas

Em qualquer lado eu estou presente
Tomo o navio da canção
E vou direito ao coração de toda a gente


É Abril outra vez...

2008-04-07

Oh caraças!


aqui

Não gosto de pombos, não gosto de pombos e não gosto de pombos. Embora seja um facto mais que avaliado na minha vida, estes ratos de asas insistem em preseguir-me para onde quer que vá e acabam por me fazer sentir, que pombos e eu, é um facto inalterável.


Já tinha contado que atropelei uma pomba? Pois foi! A fulana esqueceu-se de atravessar na passadeira e, pior, esqueceu-se de levantar voo. Mas a culpa, na verdade, foi da Vanus. Sim, que eu posso confessar o crime, mas não me esqueço de levar os cúmplices comigo!

Ava


aqui

When I lose my temper, honey, you can't find it any place.
Ava Gardner


Chamaram-lhe "o mais belo animal do Mundo"...

James Dean


aqui

Tão a Leste do Paraíso!

Garbo


aqui

A efígie perfeita.

Parabéns, Nuno!



Tem um dia feliz!

2008-04-06

Charlton Heston


aqui

Morreu ontem.


(Quando escrevi hoje o post sobre Richard Widmark, não sabia que tinha morrido. Este era um dos poucos que pensei que ainda sobravam)

Blogue-parêntesis



O blogue é um parêntesis na minha vida. E a minha vida é um parêntesis no blogue. Só isso. Mais do que isso não quero, não devo, não preciso.

Obriguei-me, desde o início, a não falar de certas coisas por aqui, dai que se contem pelos dedos da mão os posts em que falo de matéria que me é próxima profissionalmente ou até da minha área de habilitações. Mas o blogue-parêntesis também nunca teve como fito promover a minha carreira ou a minha visibilidade.

Pelo contrário. Se há coisa que acho que consegui fazer bem foi transformar a Voz em parêntesis e a minha vida em parêntesis dentro da Voz. Mesmo sendo este um blogue de uma mulher egocêntrica e onde o umbigo acaba esparramado todos os dias.

Depois, com o passar dos anos e o tempo de net que fui acumulando, passei a ver este como sítio poucochinho (vá, concedo num “ainda” poucochinho), onde qualquer traque tem direito a aplauso e plateia, sendo que algumas plateias são melhor conceituadas do que outras e, desta forma, vêem-se de forma recorrente debandadas selectivas à procura do mesmo cheiro.

E eu embirro com estes carreirinhos, confesso. Talvez por causa da treta do parêntesis. Ou talvez seja uma questão de miopia minha, que não se permite querer, nem dever, nem precisar de mais do que isto.

Depois, como também não ando à caça por aqui, às vezes sinto-me um bocadinho sozinha no meio dos meus parêntesis. Mas passa-me me rápido, admito. Basta pensar na trabalheira que daria ser mais do que isto. Ou até a trabalheira que já foi ser mais do que isto e nas confusões em que me meti.

E, mesmo quando sou (aparentemente) descoberta por quem já me conheceu de outros poisos, mantenho-me quietinha. Este sossego não tem preço, mesmo que em alguns dias me apetecesse pegar nuns quantos fósforos e depois deixar-me ficar a ver o circo arder.

Melhor não! Há lições que se aprendem só uma vez.

Marlene





A diva que foi à Guerra.

Tracy e Hepburn





Não consigo pensar num sem o outro…

Monty


aqui

Sobre Montegomery Cliff, Marilyn Monroe disse: "The only person I know who is in worse shape than I am". Marilyn morreu primeiro, logo a seguir a filmarem juntos "The Misfits". Na prática, desde que um acidente de automóvel o desfigurou, Monty vinha morrendo lentamente...

Rita


aqui

Mame did a dance called the Hichy-koo,
that's the thing that slew McGrew
So you can, put the blame on mame boys
put the blame on mame (*)


Rita Hayworth disse um dia que os homens se deitavam com a Gilda, mas tinham de acordar com ela. Pobre mulher presa no sonho feito de celulóide!

(*)mesmo que já todos saibam que quem cantou foi Anita Ellis, de quem é mesmo a culpa da cena espantosa?

Kiss of Death


aqui

It's a bit rough priding oneself that one isn't too bad an actor and then finding one's only remembered for a giggle.

Richard Widmark


Resolveu morrer no dia em que faço anos. Com ele vai mais um pedaço dos “oldies” de que tanto gosto. Já quase não sobra nenhum…

2008-04-04

4 de Abril



Sleep
Sleep tonight
And may your dreams
Be realized
If the thunder cloud
Passes rain
So let it rain
Rain down on me
Mmm...mmm...mmm...
So let it be
Mmm...mmm...mmm...
So let it be
Sleep
Sleep tonight
And may your dreams
Be realized
If the thundercloud
Passes rain
So let it rain
Let it rain
Rain on me


Talvez porque os sonhos são precisos, ou porque sinta demasiadas vezes que já não sei dizer "I have a dream".

2008-04-03

Ah! As pontes...



E há mais três!

Verde


aqui


Quero o rol das noites ainda frias, o esvoaçar das andorinhas pela manhã. Quero os pés sem meias, soltos, largar as lãs.

Quero um sonho verde.

Quero o calor da esperança feita de cores ainda frias.


2008-03-31

Cheio

Mas na janela o ângulo intacto duma espera
Resolve em si o dia liso.


Sophia de Mello Breyner Andresen - Final


Se me pedisses para descrever o silêncio hoje não saberia como o pintar. É que ele anda quase sempre de branco, opressivo e enganador, comendo-me os recantos das sombras e da intimidade. Ou então de luto cerrado quando me perco de mim. E noutros dias tem ainda a cor das insónias, raiando o espaço de cornucópias e clarões de luz difusa.

Mas às vezes o silêncio tem também um certo odor a paz, a calma, a desenlace. E porque só aparece assim em momentos tão contados, nunca cheguei a saber como o pintar. Por isso, não o pinto. Deixo-o tingir-se das cores que quer e dos cheiros que precisa. E deixo-o apenas ficar. Ficar comigo, de mansinho.

Gosto deste silêncio de fartura, preenche-me. Vem depois de abraços, de saudades, de beijos e de partilhas. Vem e fica, por instantes. E só não lhe sei a cor.

Mas vou dar-lhe um cheiro. E talvez pelo nariz consiga voltar a farejar este silêncio quando ele, insidiosamente, de surpresa, resolver voltar a abordar-me como um qualquer silêncio descolorido, mas com aroma a casa e a prazer.

Ai mudou a hora?




Descobri a meio da auto-estrada que estava atrasada uma hora. Uma coisa é certa: não devia haver destas alterações quando uma pessoa nem sente o tempo a passar. Que tempo tão chato! Só corre quando não deve. Ora bolas!

Bem, estou de volta à labuta. Snif!

2008-03-25

Obrigada!



Você só ganha o que você merece

Será? Há dias em que tenho a certeza que me dão bem mais do que mereço. Como ontem.

E agora fazer as malas... até já :)

2008-03-24

Hoje sou pequenina!



E pelo quarto ano, junto-me a vós. Já dei tanto de mim por aqui que este ano resolvi dar mais um bocadinho. É que até o anonimato chega a ser relativo, certo? E, sim, há uma cara por trás da Voz e das palavras.

Bem, isto tudo para dizer que estão convidados para a festa. A minha festa. E, já sabem, neste dia podem estragar-me com mimos. Eu gosto!


(a composição da imagem é do Paulo Vinhal)

2008-03-22

Chuckies


aqui

Como é estranho que, há conta da criatura mal-educada e malcriada que resolveu agredir uma professora no Carolina Micäellis, tantos agora se prontifiquem a responsabilizar os pais quando, nem há bem uma semana, atirariam toda a responsabilidade pelos comportamentos dos filhos para bem longe deles...

2008-03-21

Um desafio


aqui

Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades

Sophia de Mello Breyner Andresen - Exílio



No Dia Mundial da Poesia, deixo-vos um desafio: um poema pela Paz e pelo Tibete.

É lamechas? É pois! Mas quem quiser pode participar nas condições do costume.

Tempo de agir



Petição para o Presidente Hu Jintao:

Nós cidadãos do mundo pedimos ao governo chinês que tenha cautela e respeito pelos direitos humanos em sua resposta aos protestos no Tibet. Esperamos que os assuntos que dizem respeito aos tibetanos sejam tratados por meio do diálogo com o Dalai Lama e não pelo uso da força. Somente o diálogo e uma reforma irão trazer uma estabilidade duradoura. O futuro promissor da China e sua relação positiva com o mundo dependem de um desenvolvimento harmonioso feito de diálogo e respeito.


Assine a petição aqui.

2008-03-20

Finalmente!


aqui


Estou de férias, carago!

E aviso já que são ainda férias do ano passado, não gozadas, para todos aqueles que acham sempre que tenho férias a mais.

Pena que o tempo não queira colaborar. Mas, nem que chovam raios e coriscos, para a semana estou na mourolândia. Também é preciso, de vez em quando, descer a visitar os infiéis, já que eles parecem nunca conhecer as plaquinhas nas estradas que apontam para norte. Cambada de desnorteados!

Minudências

Ontem encontrei o primeiro "chefe" que tive. Já não se lembrava de mim. (Não me espanta: eu tenho esta peculiaridade de me tornar invisível na memória de algumas pessoas

e

Sabe bem quando nos dizem que, de alguma forma, interferimos na vida dos outros... que deixámos marcas positivas, mesmo que os ecos nos cheguem dez anos depois...

Deep



Menina, repara que ao ler-te apenas pensei que nunca se é invisível para quem realmente importa :)

2008-03-19

Dia do Pai


aqui

Sendo que durante a Quaresma nenhum dos rituais me dizem respeito (e por mais aparvalhado que me pareça o comércio à volta da data), não há como deixar escapar o aliviada que me sinto por ainda ter o privilégio da companhia do meu pai. E hoje o dia é dele!

2008-03-18

2008-03-16

Sweet Sixteen


Found at bee mp3 search engine



Serei um ser anacrónico, pelo que me é dado ver. Cada vez acho mais que sou. E, em muitas coisas, não o serei sequer pela minha mão.

Sou profundamente igual a toda a gente, tão igual que estou perfeitamente em casa dentro da multidão. Sou caucasiana num país maioritariamente caucasiano; praguejo invocando o nome de Deus ou o do seu filho como toda a gente; sou mulher, como cerca de metade da população e heterossexual como a maioria; não tenho qualquer impedimento físico, ainda que a carta de condução fale em óculos ou óculos especiais e os impedimentos emocionais têm sido até agora coisa apenas minha. Sou profundamente banal e simples e anónima. Em muitos dias, sou profundamente anódina também, que não é preciso andar a dar nas vistas para se ser.

E sou muito – tanto! – fruto da educação que me deram em casa. Os meus pais puseram-me uma série de limites e obrigações enquanto crescia. E a responsabilidade para lidar com as consequências, mas apenas quando demonstrasse capacidade para entender e interiorizar as consequências das minhas escolhas, especialmente se fossem de carácter permanente.

Nesse sentido (como já disse por aqui algumas vezes), os meus pais não me baptizaram, para que eu pudesse escolher um dia, quando soubesse o que era um compromisso com a religião. Não sou baptizada por escolha, porque decidi não me comprometer com a fé mediada seja por quem for, com base em dogmas que não entendo e com regras feitas para ninguém as cumprir, como de facto não cumprem. Escolhi aos dezasseis anos e dou-me muito bem com a escolha que fiz quando os meus pais me perguntaram o que queria fazer. E assim não sou obrigada a encarar a minha vida como um constante violar de regras, porque ninguém me obrigou à nascença a cumpri-las.

Sempre tive algumas chatices quanto à roupa e até quanto aos penteados, para já não falar na maquiagem. Aliás, durante uns tempos a minha mãe chegou mesmo a dizer que se recusava a sair à rua na minha companhia. Mas suponho que nunca tiveram grandes preocupações quanto a isso e se limitavam a não gostar, esperando que a mania gótica passasse. E, obviamente, maquiagem só depois dos dezasseis anos.

Engravidar na adolescência não se pôs sequer como possibilidade. De alguma forma os meus pais fizeram-me compreender que há coisas que é preciso ter idade para fazer. Neste aspecto em particular, fizeram bem mais do que apenas discutirem métodos contraceptivos. Conseguiram que eu me convencesse que deveria fazer amor pela primeira vez apenas com alguém que amasse de facto e não porque toda a gente fazia. E como eu não me apaixono facilmente, acabou por acontecer que fui, verdadeiramente, tarde. Tão tarde que o meu melhor amigo dizia que eu era a última cidadela ainda por cair. Mas não sinto sequer hoje que tenha caído, ainda que as duas camas se tenham separado e tenhamos caído de facto ao chão. Mas isso já é outra história.

Também impuseram os dezasseis anos como a data mínima para decidirmos, a minha irmã e eu, se queríamos ou não ter as orelhas furadas. Não pegaram em nós com meses de idade e foram mutilar-nos. Mais uma vez, decidiram-se por uma idade – que não é sequer a da maioridade legal – como a idade suficiente para compreendermos as implicações. Eu, que cheguei aos dezasseis anos antes da minha irmã, decidi não fazer qualquer tipo de furo. A minha irmã, aos dezasseis anos furou as orelhas. De lá até agora, já furou ainda mais as orelhas e espetou um prego no umbigo. Tivemos a mesma educação e os mesmos limites, decidimos coisas diferentes. Ninguém está mal com ninguém, os meus pais não disseram mais nada.

O mesmo se passou com as tatuagens, aliás. Quando chegou a moda, já tínhamos as duas idade para ter juízo e decidir sem pedir permissão aos pais. Até agora, nenhuma de nós fez uma. Eu não a vou fazer. A minha irmã poderá ou não fazê-lo, ainda que eu duvide.

E em minha casa também nunca se achou criminoso que alguém pedisse um suicídio assistido. Nunca calhou haver um na família, mas suponho que se alguém quisesse se arranjasse uma solução. Talvez emigrássemos para a Suiça, por exemplo. Mas não haveríamos de ter um “Mar Adentro” dentro de casa, só porque não concordamos com a lei que nos impede de dispormos do nosso corpo e morrer com dignidade.

Quanto à Lei do Tabaco, tenho a dizer que não passei a fumar menos. Posso não fumar em todo o lado, mas tenho até, suponho, fumado mais. É que aqueles cigarros que apenas queimavam entre os dedos agora vão parar direitinho aos pulmões. Mas também aquela lei nunca quis ter nada a ver comigo. Adiante!

Depois, convém que diga desde já que, na prática, estou profundamente contra um qualquer decreto que queira limitar à maioridade o direito de fazer alguma coisa ao corpo, seja ele um buraco, seja uma pintura permanente, seja o que for. E acho no mínimo alucinado que alguém se lembre de levar uma coisa destas à Assembleia da República.

Agora, uma coisa ninguém me evita questionar: onde foi que os pais se demitiram de educarem os filhos, que os deixam fazer tudo e mais alguma coisa sem limites e sem consciência, a tal ponto que algum louco já tenha a ideia peregrina de passar a legislar o corpo alheio, face aos evidentes exageros, cada vez mais prematuros?

2008-03-15

2008-03-13

Das setas

Eis o malandro na praça outra vez
Caminhando na ponta dos pés
Como quem pisa nos corações
Que rolaram nos cabarés

Entre deusas e bofetões
Entre dados e coronéis
Entre parangolés e patrões
O malandro anda assim de viés

Deixa balançar a maré
E a poeira assentar no chão
Deixa a praça virar um salão
Que o malandro é o barão da ralé



(c'um caraças!)

Coisas vãs



Crux sancta sit mihi lux
Non draco sit mihi dux
Vade retro satana

Nunquam suade mihi vana
Sunt mala quae libas

Ipse venena bibas




Há cerca de um mês, encontrei o carrinho violado, ainda no sítio onde o tinha deixado em descanso na noite anterior. Hoje, um recém encartado de dois dias, limpou-me a traseira do bichinho no parque de estacionamento onde o tinha pousado em sossego uns minutos antes. Já começo a precisar de uma simpatia…

2008-03-11

Ena!


aqui

Aún no tiene nombre confirmado pero la nueva película de Alejandro Amenávar ya está en marcha, su argumento está basado en el Egipto de hace muchos años en el que un esclavo de nombre Orestes decide convertirse en cristiano con el único fin de conquistar a una mujer que a su vez es su dueña y además es filósofa, su nombre es Hipatia y posiblemente la actriz encargada de interpretar este personaje sería Rachel Weisz.

aqui


Estou curiosa... Então o herói converte-se ao cristianismo porquê? Porque haveria Hipátia de se apaixonar por um dos seus piores inimigos? E como dar a volta para isso encaixar na verdade histórica que nos conta que Hipátia foi lapidada às mãos dos monges jagunços de Cirilo, patriarca cristão de Alexandria, futuro São Cirilo?

2008-03-10

LOL


aqui

Podemos até já ir antevisionando o futuro cá na Portugalhota dos blogues: no dia seguinte à ansiada proibição ciber-higienista, a canzoada vip deixa de ladrar aos anónimos e passa a ladrar aos desconhecidos. Mas reparem na enorme vantagem, no imenso progresso: deixam, as alimárias, de rebeubéuzar a tipos que, de todo, não sabem quem são, para passarem a rosnar a tipos que desconhecem completamente quem sejam.



(se o Dragão imaginasse a inveja com que fico de cada vez que lhe leio uma destas!...)

Já viram quem está de volta?






(imagem daqui)

2008-03-09

Da manifestação


aqui

Esta manifestação "classista" de ontem, em que tanto professor se deixou – crédula ou convictamente – enrolar pela bitola do reclamar por reclamar, sem apresentar alternativas, conseguiu o que pensava impossível ao fim destes anos de Governo de Maioria Socialista: pôs-me do lado do Governo e com vontade de defender a Ministra da Educação.

Não discuto o direito à manifestação; não descarto o descontentamento. Mas lembro uma entrevista passada da Ministra em que lhe perguntavam o que ia fazer com tantos professores desempregados que, mais uma vez, tinham ficado sem colocação. E a Ministra dizia que o Ensino Público não podia ser o garante do pleno emprego da classe. Pois não! Mas se há assim tanto professor desempregado, avaliem-se os que lá andam a progredir automaticamente nas carreiras, sem prestarem provas mínimas de serventia. E ponham na rua os que não prestam – que são muitos, demasiados, um que fosse já era demais – e tratem de dar lugar aos que não foram colocados.

O resto do País também trabalha e paga impostos. O resto do País tem avaliações e promoções por mérito. O resto do País é responsável pelo trabalho bem ou mal feito, exigem-lhe produtividade e empenho, pagam a crise com horários prolongados, quase sempre não remunerados. Para os que estão no Sector Privado, o desempenho de cada um compromete ou não o desempenho da empresa e os seus resultados e, no extremo, a continuidade de um posto de trabalho.

O resto do Sector Público, melhor ou pior, tenta seguir a lógica da avaliação, sabendo que em função de um Director ou de outro, serão bestas ou bestiais com um par de anos de permeio. Nisso, até é parecido no Privado, sendo que a nomeação política costuma até terminar mais cedo. Mas, entre as várias injustiças, houve muitas outras que deixaram de acontecer.

Foi assombroso ver tanta gente na rua. Suponho que terá até assustado este Governo e, especialmente, o Primeiro Ministro, sempre tão preocupado com a imagem. Alguns Ministros até já meteram os pés pelas mãos. Mas se a reforma não se faz agora com medo dos professores, nunca se fará, porque haverá sempre medo dos professores e das suas defesas corporativistas de privilégios que não fazem mais sentido.

E convém que os Professores não esqueçam que, quem olha de fora, tem de conviver com o resultado do que produzem diariamente, porque quem olha de fora é muitas vezes um Pai que sabe que o filho terá melhor ou pior sorte na vida se conseguir que fique entregue a um e não a outro professor, a uma escola e não a outra. E também fomos colegas de uns quantos quando andavam a estudar e sempre saberemos quem era bom e quem foi dar aulas porque – infelizmente – não era competente para mais nada. E alguns de nós até herdaram esses alunos acabadinhos de fabricar por eles quando chegaram à Universidade sem nem bem compreenderem português, ou incapazes de fazerem uma pesquisa, ou até mesmo de fazerem uma simples conta de multiplicar. E depois deverão também comparar os horários que têm, os dias de férias que de facto gozam, os ordenados que levam para casa ao fim do mês, o difícil que é serem despedidos por qualquer causa, seja ela justa ou injusta, o modelo da flexisegurança que nunca lhes será aplicado, nem a medição de qualquer espécie para os rácios de produtividade do País.

Depois disso, lembrem-se os professores que podem ser 100 000 a manifestarem-se no Rossio ou onde bem entenderem, mas que o País que olha do lado de fora tem pouca paciência para quem ralha de barriga cheia. E que nós – os outros – somos bem mais do que 100 000. Aliás, até os professores são mais do que 100 000. E que a manifestação pode não ser nada se não estiverem dispostos a irem para outras formas de reivindicação, também elas legítimas, como a Greve. Mas se voltam a fazer greve para o povinho os ver de cu sentado nos cafés em amena cavaqueira enquanto a fedelhada fica ainda pior do que está, então acreditem os Professores que serem 100 000 nas ruas de Lisboa não lhes vai servir de nada e, na hora de decidir, o prato da razão – e até mesmo o da Justiça em demasiados casos – não vai ser para o lado deles que vai pender.

Muito menos se continuarem a abrir a boca para reclamarem da perda de privilégios. É que os privilégios não são, realmente, para serem dados ao desbarato, a todo quanto levanta o braço. O privilégio deveria apenas premiar os melhores. E há muitos bons professores. Tantos, que não mereciam sequer ser metidos no mesmo saco de tantos outros que são, na melhor das hipóteses, apenas medíocres. Pior ainda: que sabem que são medíocres e que os colegas também sabem que são medíocres. E se há coisa que temo de facto é que, na manifestação de ontem, estivessem demasiados medíocres, os tais que estão cagados de medo mediante a possibilidade de avaliação.

A ser assim, 100 000 é de facto um número profundamente assustador. Não necessariamente para o Governo, antes para nós, que sustentamos toda esta classe e que, no mínimo, deveríamos saber o resultado das avaliações de quem pagamos para nos prestar um serviço e a quem entregamos a responsabilidade de promover e medir o desempenho dos putos que hão-de ser a geração seguinte.

Divulgando


aqui


O JPT pediu e eu, ainda que com notório atraso, cumpro a minha pequena parte no anúncio do nascimento do Ma-Blog, um portal de blogs sobre Moçambique.

2008-03-08

8 de Março


aqui


Dua Khalil Aswad. Ainda alguém se lembra dela? Fez as manchetes há cerca de um ano atrás porque, no Youtube, alguém pôs as imagens da sua lapidação. E depois foi rapidamente esquecida, como são sempre esquecidas estas notícias que nos revolvem as entranhas por momentos, antes que uma outra notícia nos cause algum asco que transtorne a normalidade de quem vive longe, confortável, cheio de verdades e realidades que nada têm a ver com as realidades e verdades dessas mulheres sempre esquecidas e espezinhadas.

Diariamente são aberta e barbaramente mortas mulheres em vários Países. Morrem por questões que se prendem com conceitos arcaicos de honra, porque não tiveram filhos, porque são consideradas objectos, para lhes ficarem com o dote, porque ousaram um qualquer indício de revolta. Milhares de mortes silenciosas, que todos sabem que existem e ninguém faz nada para evitar. Há muitos outros interesses que vêm à frente dos interesses dessas pobres desgraçadas.

E é ao lembrar-me delas que qualquer discriminação que se queira colar ao Dia da Mulher deixa de fazer sentido. Só fará sentido no dia em que a discriminação não existir de facto. E, olhando o Mundo, quem pode realmente dizer que não é preciso um dia para lembrarmos todas as mulheres, especialmente essas tão diferentes de nós que não têm sequer direito a celebrar dia algum sem permissão de um qualquer dono, seja ele o marido, a família, a religião, ou mesmo as leis dos Estados onde tiveram o azar de nascer?

Este dia é de todas as Dua Khalil Aswad e de todas nós, se o usarmos para lembrar quem é permanentemente esquecido.

Diamanda






(A voz no post anterior é da Diamanda Galas)

Boris Artzybasheff



De médico e de louco, todos temos um pouco.

2008-03-07

Fastio


aqui

Cada vez que ligo a televisão, aparece este tipo. E de cada vez que ele abre a boca, eu fico um bocadinho socrática e até chego a ponderar a hipótese de fazer uma prece à Nossa Senhora de Lourdes.

Suspiro


aqui

Quase ninguém é capaz de olhar para o próprio umbigo e, realmente, ver o que lá está. Também é verdade que, quase todos nós, de uma forma ou outra, andamos sempre com o cu, ou parte do cu, à mostra. No entanto, tem de existir uma certa humildade. E isso é provavelmente quanto basta para saber quando subir as calças.

That Leaving Feeling


Stuart A Staples "That leaving feeling"
Colocado por mhlenoir



(A voz feminina é da Lhasa de Sela)

2008-03-03

Macaquices


aqui

Sabem qual foi a única vez que lamentei não ter cabelo comprido quando era miúda? Quando vi uma coleguinha vestida de Pipi no Carnaval. Hoje até era capaz de fazer as tranças mas, raios!, quem é que havia de querer uns penachos daqueles?

(Bem, ter um macaco "a sério" era capaz de ser giro. Não me lembro é do nome do macaco… Pelo menos, não me lembro do nome "daquele" macaco, que para ver macacadas basta ligar a TV à hora de jantar... e até sei os nomes)

(...)




How will they hope what they can never perceive?



(mas os sentidos falham fartas vezes)

2008-03-02

Linha de produção


aqui

Pensei que nestes dois dias ia conseguir recuperar o tanto que andei a perder durante semanas. Mas dois dias não chegam.

A Emiele anda lá pelo
Pópulo a declinar o tempo e eu apenas consigo, ultimamente, declinar a falta dele. Não está fácil! Mas sou teimosa ao ponto de ir mantendo isto, mesmo que cada vez mais "isto" se faça de comentários breves sobre qualquer coisa e siga que amanhã há mais um dia para pintalgar a Voz com um vídeo gamado ao YouTube ou uma música sacada em qualquer lado.

Aliás, tenho demasiada música nova que ainda não ouvi e demasiados filmes à espera de serem vistos. E demasiadas conversas a pôr em dia e demasiados dias em que as conversas não podem ser por aqui.

Isto de se trabalhar mais de dez horas por dia teria que ter repercussões: chama-se cansaço, quase sempre, ou um sofá demasiado simpático, ou um banho quente e sonolento antes que a cama nos abrace num até amanhã exausto.

Claro que não é sempre assim, mas há recorrências cíclicas. E talvez seja por isso que, todos os anos, em períodos semelhantes, tento bater com a porta da Voz. E nunca consigo, acabo sempre de volta, com qualquer grito a precisar ser liberto, ou um simples olá a dizer que ainda por aqui ando, que ainda há gente a quem quero continuar a ler e a comentar e a deixar que me comentem a mim.

Ando há semanas para contar a minha versão dos Pere Ubu, depois de ter lido a versão do
Zé. Há mais semanas ainda para escrever o post sobre o que senti quando cheguei à garagem e vi o meu bichinho violentado. Ou a história de como, logo no dia seguinte, um par de ladrões foi apanhado pelos vizinhos no prédio da minha irmã. E há ainda a minha versão do No Country For Old Men e do Sweeney Todd. Ou até o que senti quando descobri que tiraram a comparticipação da minha pastilha mensal para as dores de cabeça e da consulta anual ao senhor que mas receita e que já tive de desmarcar duas vezes. Mas não sei esticar o tempo!

Este mês, que ainda agora começou, talvez traga algum sossego. Traz, certamente, o gozo de férias que ainda estão no mapa do ano passado sem uma cruz por cima. E já suspiro por esses dias de descanso, sabendo por antecipação o quanto me vão fazer recarregar baterias e as tantas de conversas que vou pôr em dia com
ela e com ela. E vocês fazem-me falta! (E será que é desta que tomo um café contigo e contigo?) Nunca gostei de falar por telefone e não tenho qualquer gosto em deixar conversas inacabadas, sem ver gargalhadas partilhadas e olhar olhos nos olhos por entre os absurdos que consigo esgalhar em cadeia com os amigos.

A Voz andará a meio gás até lá, soterrada em soluços sem serventia e na falta de tempo. Mas até esses soluços fazem falta, quando nos amarram a diária a coscuvilhices e desgraças e a parangonas cada vez mais descaradamente inconsequentes. Estou farta de tantas caças a gambozinos, especialmente se têm demasiado tempo de antena. É que eu não tenho tempo para isso e já começo a achar melhor fazer com antecedência uma listinha dos assuntos que até sei que vão fazer os temas. Talvez assim deixe uns quantos posts em draft e depois é só publicar: um para o Menezes, um para o Sócrates, um para a crise, um para o futebol, um outro para o Belmiro, mais outro ainda para o Garcia Pereira a defender o Portas, mais outro para a blogocoisa e as suas tricas, outro para a Palestina e ainda um outro intimista. Três semanas de posts e já está. Pelo caminho, dou parabéns e espero que me sejam dados parabéns a mim. E, finalmente, vou de férias e regresso com saudades e vontade.

Até me dar mais um achaque, claro, e me sentir outra vez esgotada. E ficar à espera de mais férias e de saudades e de não sentir que transformei o blogue num Ford T, sempre personalizado, desde que seja a preto.

2008-03-01

Apre!


aqui

Raispartam os gatinhos, que não há maneira de acertarem com a baliza! Atão, Mateus? Será que à terceira é de vez?


(post em construção)

Expulsão? Oh raios!

(post em construção)

Golo do Porto? Não é golo? Ai o caraças para o jogo!

(post em construção)

Acabou? Foda-se!

(post concluido)

2008-02-29

Das ausências

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade


(A ver se este fim-de-semana dá para pôr em dia as minhas ausências...)

2008-02-28

2008-02-27

Calotes Políticos


aqui


«Agora, o doutor Paulo Portas tem calotes políticos, que são dívidas de explicações que ele não dá aos portugueses», destacou Jaime Silva, numa alusão aos casos Portucale, venda do Casino de Lisboa e documentos que copiou ao deixar o Governo.

«Houve dois ministros do CDS, do Governo anterior, que assinaram despachos depois de perderem eleições e publicaram-nos com efeitos retroactivos. Refiro-me ao caso Portucale. É bom que o doutor Paulo Portas explique aos portugueses que avaliação política faz deste comportamento», refere.

«É bom que explique bem aos portugueses a responsabilidade do Governo a que pertencia relativamente ao Casino de Lisboa», disse também Jaime Silva, acrescentando: «Foi o ministro que mais fotocópias fez antes de sair do Governo. Devia explicar se dizem respeito a assuntos privados ou do Ministério» da Defesa.

«São explicações devidas. São calotes políticos e esses são os mais importantes em democracia. Um político que pretende ter sentido de Estado ou que pelo menos andou a vender essa imagem como o doutor Paulo Portas tem explicações que ainda não deu e tem que dar», concluiu.


Diário Digital / Lusa


Muito gostava de saber onde está a mentira e o insulto em tudo o que o Ministro da Agricultura disse em resposta a mais uma ataque de caspa de Paulo Portas. Será que afinal não branqueou os dentes e isso tem de ser provado em Tribunal? É que, quanto ao resto, não vejo caso por onde pegar. Aliás, o que só lamento é ainda nenhum Tribunal ter pegado nos casos.

2008-02-25

Merdicacas

e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita


Mário Cesariny – You Are Welcome to Elsinore


Podia pegar neste poema do Cesariny e escolher todas as palavras. Acho que não há uma única que desgoste. Mas escolhi estes quatro versos e, neles, as doze palavras que quero assinalar:
  • Braços: pelo amplexo, pelo plural
  • Amantes: outra vez o plural, ou onde por fim acaba o meu um e começa o dois de que tanto gostas
  • Escrevem: como fazer um post sobre palavras sem uma qualquer declinação daquilo que por aqui fazemos?
  • Muito: porque não gosto de nada pela rama, porque sou de exageros e de hipérboles
  • Além: pela teimosia de ainda olhar o futuro, ou o longe, ou o por trás das barreiras
  • Azul: a cor que me recuso a usar mas sem a qual não saberia viver; pela alegria de dia claro e mar apaziguado, mas também pelos “blues” e outras nostalgias
  • Palavras: sem elas, secaria; sem elas não entendo o Mundo e muito menos a mim mesma
  • Sombra: porque nem tudo é feito de luz e eu não saberia apreciar a claridade se o escuro não estivesse lá em contraponto
  • Soluço: quando finalmente se liberta da garganta aliviada
  • Espasmos: poderia dizer que é à conta de finalmente terem provado a existência do Ponto G, mas é mais do que isso; é a consciência do músculo, dos tendões, do corpo completo
  • Amor: de qualquer forma, em qualquer momento, pleno e livre, transformado em absoluto
  • Solidão: pela tristeza com que me pinta e a tomada de consciência imediata de que não a vivo

(Aceito inscrições de doze visitantes para levarem esta corrente)
_____


Adenda:

hmmm...


aqui

Pois eu cá acho que foi muito bem entregue :)

2008-02-24

Quelle sarabande!



Zig et zig et zag, la mort en cadence
Frappant une tombe avec son talon,
La mort à minuit joue un air de danse,
Zig et zig et zag, sur son violon.

Le vent d'hiver souffle, et la nuit est sombre,
Des gémissements sortent des tilleuls;
Les squelettes blancs vont à travers l'ombre
Courant et sautant sous leurs grands linceuls,

Zig et zig et zag, chacun se trémousse,
On entend claquer les os des danseurs,
Un couple lascif s'asseoit sur la mousse
Comme pour goûter d'anciennes douceurs.

Zig et zig et zag, la mort continue
De racler sans fin son aigre instrument.
Un voile est tombé! La danseuse est nue!
Son danseur la serre amoureusement.

La dame est, dit-on, marquise ou baronne.
Et le vert galant un pauvre charron -Horreur!
Et voilà qu'elle s'abandonne
Comme si le rustre était un baron!

Zig et zig et zig, quelle sarabande!
Quels cercles de morts se donnant la main!
Zig et zig et zag, on voit dans la bande
Le roi gambader auprès du vilain!

Mais psit! tout à coup on quitte la ronde,
On se pousse, on fuit, le coq a chanté
Oh! La belle nuit pour le pauvre monde!
Et vive la mort et l'égalité!

Henri Cazalis - Danse Macabre



Se nos querem deixar ainda mais deprimidos, ao menos podiam dar-nos música, não?

2008-02-23

Mais um ano


aqui




Enquanto estiver por aqui, no dia 23 de Fevereiro há Zeca Afonso a tocar no blogue. Por ele, por nós e pelo meu avô Afonso.